Rising Sun Cap 20 Redenção


20 Redenção

 

O que você faz, quando tem que decidir entre dois caminhos que jamais cogitou tomar? Quando o destino coloca diante de você, duas opções que até então nunca sequer passaram por sua cabeça? O que diabos você faz quando tem que escolher entre vida ou morte?
Vida e morte. Coisas que já não significavam a mesma coisa para mim. Eu não queria morrer, mas eu já não tinha muitos bons motivos para continuar viva. Monstros também sentem dor, e a minha era de um tamanho incalculável. Eu viveria para sempre com ela, e esse talvez seja uma bom motivo para se abrir mão da eternidade.
Mas morrer? O que se pode esperar da morte? É preciso coragem para seguir em frente, e mais coragem ainda para desistir.
Alec colocara em minhas mãos não apenas a decisão do que fazer com minha vida, ele procurava redenção e supostamente a encontrara em mim. Ainda assim, como eu poderia confiar nele? Como eu poderia acreditar outra vez no amor de alguém – ainda mais alguém que até então estava do outro lado do tabuleiro? Mas o que eu tinha para perder?
Nada…
Como disse, viver ou morrer já não significava muita coisa para mim, mas se eu morresse, não seria pelas mãos de Aro.
E esse talvez, era o meu único e mais forte motivo pelo qual eu estava prestes a fazer o que eu jamais pensei que faria.
Partiremos ao amanhecer. – Disse Alec, que andava de um lado para outro no quarto, absorto em seus próprios planos. Faltavam poucas horas para o nascer do sol, e eu o observava alheia, estava muito distante daquele quarto, estava na sala da grande casa branca, rindo e comemorando meu aniversário de três anos. Estavam todos alí. Até Charlie, Billy, Seth… Eu até podia sentir o cheiro da comida sendo preparada por Esme e Rose na cozinha, enquanto Alice enfeitava meu cabelo com presilhas na sala. Podia ouvir a música alegre que meu pai tocava no piano e os sermões que minha mãe dava em Jacob por ter comprado outra aliança para mim. “Ela é muito nova para isso Jake” , ela dizia. Era meu terceiro aniversário, mas eu já tinha o tamanho de uma criança de dez anos. Lembro-me do vestido que usei naquela noite, cuidadosamente escolhido por Alice e Rose. Me lembro dos risos, das vozes, dos abraços… Lembrava-me de tudo com uma exatidão dolorosa, aquelas imagens jamais morreriam em mim. E era por isso que eu estava partindo com Alec. Ele era a minha única chance de escapar daqui e vingar minha perda, minha enorme e tortuosa perda.
Ness, está me ouvindo? – A voz de Alec me trouxe de volta ao meu presente.
Não me chame assim. – Eu disse duramente. Por mais que ele quisesse me ajudar, Alec não tinha o direito de me chamar daquele jeito, era invazivo demais, íntimo demais.
Desculpe. – Disse ele se afastando. Ele se sentou em sua poltrona de costume e ficou em silêncio, me observando de uma forma que me incomodava.
Repita para mim o plano. – Eu pedi. Precisava manter minha mente focada. Ele sustentou o olhar em mim por um minuto e suspirou.
Assim que o sol nascer eu vou levar você à antesala no patamar superior, ao lado do saguão de entrada. Você me esperará lá até que eu diga que pode sair. Os guardas que estão na superfície supervisionam as entradas num esquema de 12 por 12.
O que isso significa? – Perguntei, desenhando todo o esquema em minha mente. Alec olhou distraído para a porta do quarto e respondeu:
Significa que a cada doze horas os guardas se revesam com outros guardas que vêm de Volterra. – Disse ele monótonamente.
Porquê? Eles ficam com sono? – Ironizei, sem nenhum humor em minha voz. Alec olhou para mim, sua expressão era insondável.
Não. Mas eles precisam comer algo. – Seus olhos vermelhos varreram o espaço ao redor, como se procurassem por algo. Eu me levantei, sentindo a excitação espalhar-se por meu corpo, talvez, com um pouco de sorte, eu estaria fora dalí em algumas horas e nem todos os vampiros do mundo seriam capazes de proteger Aro de mim. Não me importava o quanto esse pensamento parecia ridículo, o quão patética eu estava soando, só o ódio dentro de mim era capaz de me manter de pé, a promessa de terminar o que começei, apenas aquela fúria amarga fazia minha força permanecer em mim, anestesiando minimamente minha dor.
E depois? – Insisti, sentindo-me cada vez mais perto da beira do precipício, um pouco mais fundo naquele poço interminável.
Nós esperaremos os guardas trocarem seus postos, o que deve acontecer logo ao amanhecer.
Por quê temos que esperar que eles troquem? – Interrompi.
Por quê assim demorarão mais doze horas para encontrarem seus restos na floresta. Isso nos dará tempo. – Era perturbador a frieza com que Alec se referia à morte, mas aquele era seu tom habitual, aquela era sua profissão. Exterminar outros imortais. E realmente, eu não me importava de pagar esse preço, na verdade, o monstro enraivecido dentro de mim anciava por arrancar algumas cabeças.
Não se preocupe, vou cuidar deles sozinho, eles nem ao menos vão me ver chegando. – Alec observava minha expressão diante da perspectiva de eliminar outros imortais, e obviamente estava concluindo que eu estava com medo. Olhei-o de esguelha, sem responder ao seu cavalheirismo grosseiro. Será que ele sabia o que eu e Jacob fizemos com Félix e Heidi? Será que encontraram suas cinzas espalhadas pela floresta? Era difícil dizer o que eu não faria por minha família – por Jacob – mas agora que eu os perdera, eu tinha apenas uma coisa pelo que lutar: vingança. E, apesar de não ser uma coisa tão nobre, ainda era uma razão pelo qual viver – ou talvez, morrer. De repente, algo estúpido me veio à mente.
Alec, por que Aro está demorando tanto? Por quê não me matou ainda? – Perguntei, dando as costas para ele. Não queria que ele visse a chama de raiva latente em meus olhos.
Ele está tendo problemas internos, Marcus não está contente. Ademais, os novos membros não estão cooperando tanto quanto ele gostaria. – Novos membros? Virei de frente para Alec, sua expressão estava séria e concentrada.
Quem são esses novos membros? – Indaguei. Alec não respondeu, levantou-se num átimo e parou na porta, escutando algo que eu ainda não tinha captado. Parei também, absorvendo até o menor dos ruídos. Alec virou-se e disse-me:
Está na hora.
***
A escuridão me envolvia como um véu denso e impenetrável. Eu permaneci alí, naquela sala fria e inócua, paciente e silenciosa em meu esconderijo. Alec saíra há dez minutos, mas eu não fui capaz de ouvir os gritos ou o som metálico de pedra dilacerada. Eu queria ajudar, desmembrar alguns guardas Volturi, imaginando que cada rosto era aquele rosto, o que mais ardia em minha mente, o que eu mais anciava para destroçar. Aro.
O tempo se arrastava, como se estivesse me desafiando. Deixei Alec fazer aquilo sozinho, era a minha maneira de agradecê-lo, era a chance dele se sentir vivo… Seria fácil para ele, como ele mesmo tinha dito, os guardas nem mesmo o veriam chegando. Ele neutralizaria todos os seus sentidos, e eles talvez nem se dariam conta de que estavam sendo desmembrados e empilhados antes da pira começar a queimar.
Cada minuto que passava era uma tortura. Eu queria correr, apenas correr de volta para casa. Queria ter certeza de que não estava tendo um pesadelo, queria fingir que, quando chegasse lá, eles todos estariam me esperando. Aquela antecipação fustigava meu peito, e eu tinha que me concentrar muito para me manter focada. O silêncio era opressor em meus ouvidos atentos, a única coisa que meus olhos captavam na escuridão, era o pequeno corpo de um inseto, andando pelos cantos da sala vazia. Só havia uma porta. A única entrada e saída daquela câmara fria. As paredes de pedra eram grossas o bastante para vedar os ruídos exteriores, mas eu fui capaz de ouvir os passos felinos de Alec se aproximando. Era um bom sinal. O plano estava tendo sucesso até alí. Ele abriu a porta e estendeu a mão para mim, sem olhar para o interior da câmara. Seus olhos varriam todo o perímetro externo. Hesitei por um momento em pegar sua mão, mas achei que seria indelicado com meu salvador. Porém, eu não estava feliz com aquilo. Assim que cruzei a porta e nos lançamos pelas escadas, eu a larguei. Deixei que ele me guiasse pelos caminhos que conhecia tão bem. Agora, mais atenta e desperta, eu podia absorver melhor as reentrâncias daquela galeria subterrânea. Era majestosamente construída em pedra, com pilares e paredes esculpidos com figuras diversas de anjos e divindades. O mármore que cobria o chão era enegrecido e polido. Quando chegamos ao átrio eu logo o reconheci, mais acima – no topo de uma longa escadaria – ficava uma pesada porta de madeira entalhada, e pela corrente de ar que se deslocava alí, eu podia deduzir que era a porta de entrada – a única saída.
Escute. – Alec parou no topo da escadaria, segurando meu braço para que eu o encarasse. – Nós seguiremos pela floresta ao norte, quando chegarmos ao rio, nós iremos subir o leito até Montepulciano, lá nós pegaremos um trem.
Alec, Demetri vai nos rastrear, ele vai nos encontrar, sabe disso. – Falei, sem querer dar ouvidos a minhas próprias palavras, mas era um fato que eu não poderia ignorar se não quisesse ser pega novamente.
Sim, mas eu também sei as falhas desse rastreador. Caçei com ele durante minha vida toda, sei quais são seus hiatos. – Disse ele empurrando a porta de madeira. A primeira coisa que vi foi o céu. Azul e límpido sobre as árvores, e o sol – quente e vívido, refletindo e iluminando tudo em que tocava. Parecia uma afronta à minha tristesa, à escuridão fria e entorpecente que habitava em meu peito. Olhei em volta, estávamos no meio de alguma floresta nos arredores de Volterra. Dei um passo em direção ao sol – em direção à minha liberdade – e deixei o calor cair sobre minha pele. Fechei meus olhos, e o rosto dele dançou por trás de minhas pálpebras. O sol, quente e poderoso como ele, sempre aquecendo todas as coisas ao seu redor, tão perto de mim e mesmo assim tão distante. Algo que estaria sempre no fundo de minha alma, cuja ausência sempre deixaria que tudo em mim esfriasse, virasse trevas. Jake, eu sinto tanto! Queria tanto que tivesse sido diferente…
A mão fria e macia de Alec tocou meu braço, e me arrancou daquele momento único e derradeiro.
Precisamos ir. – Disse ele, e sua voz era tão maçia quanto seu toque em minha pele. Olhei para ele, sua pele brilhava intensamente sob o sol e seus olhos estavam vívidos, mais claro e intensos do que jamais os vira. Um diamante de sangue, que agora me pertencia sem eu ao menos tê-lo desejado. Forcei meus pés a se moverem e em um segundo estávamos em movimento pela floresta, contornando as árvores e arbustos em uma velocidade irrefreável.
A medida em que nos aprofundávamos entre as árvores, o sol ficava cada vez mais encoberto pelas nuvens e pelas copas das árvores altas. Os pássaros cantarolavam distraídos pela floresta, como se debochassem da nossa corrida desesperada para salvar nossas vidas.
Eu podia ouvir o rio à cem milhas. Estávamos quase lá – quase livres.
Alec parou, seus sapatos derraparam no chão da floresta com a freada brusca. Eu parei alguns metros à frente, xingando-o baixinho pela súbita parada. Olhei-o de longe, me perguntando o que diabos ele estava fazendo. Ele estava de costas, as mãos em punho, sua postura indecifrável e imóvel. Então ele se virou rapidamente para mim, e a expressão em seu rosto perfeito fez meu corpo gelar.
Corra! – Ele gritou, o desespero distorcendo suas compleições sempre sutis. – Saia daqui! – Por um minuto não entendi, mas então o vento trouxe o cheiro – o cheiro que significava morte – e o som de passos leves correndo em bando pela floresta. Eu sabia que devia correr, e não parar até que estivesse longe dalí. Mas o último vislumbre dos olhos de Alec me fez pregar no chão, como se meus pés se negassem a deixá-lo para trás – para morrer em meu lugar. Eu tinha que ir, eu deveria ir… Mas a dor lancinante que envolveu meu corpo fez meus joelhos cederem e eu caí no chão. Meu corpo contorcia-se como se estivesse em chamas, e eu não podia fazê-lo parar. A pior dor que já senti. Aquilo fazia a morte parecer o próprio Éden. No meio de toda aquela dor, eu senti minha mente se diluir, como se o calor das chamas que me corroiam estivessem derretendo meu cérebro. Mas eu fui capaz de ouvir o rugido atormentado rasgando o ar.
Nãããoo! – Gritou Alec. E então a dor aumentou, e parecia ser impossível de suportar mais um segundo. Meus gritos pareciam um eco longícuo em meus ouvidos, misturando-se com outros sons indistintos. Olhei para o céu, esperando encontrar meu sol, mas a única coisa que encontrei foi um rosto angelical emoldurado por um capuz negro e um par de olhos vermelhos e cruéis deleitando-se com minha agonia. Jane sorriu para mim, e então meu corpo e mente sucumbiram à dor infernal que emanava dos olhos dela.
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4 opiniões sobre “Rising Sun Cap 20 Redenção”

  1. Estou morrendo de dó da Renesmee,Mais mesmo assim estou adorando a Historia

  2. I S2 TWILIGHT disse:

    Coitada de Renesmee

  3. aiaiaiaiaahahhahhaahha,sei que nem Jake e nem um dos Cullen morreu!!!!Se não a história não teria um desfecho plausível

  4. Teté Rodrigues disse:

    A os callen Morrerem eu também marro junto eu acho que vol chorar

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