Rising Sun Cap 28 Antes Que Você Vá Embora – Parte I


 28. Antes Que Você Vá Embora – Parte I

Eu não dormia há dias. Depois da longa conversa com Willian e Alec – conversa essa que me revelou coisas que eu jamais deduziria sozinha – Aro ainda quis me ver, queria conversar comigo, convencido de que eu havia herdado os poderes de minha mãe. Mal sabia ele que o esplêndido “poder” era na verdade de Willian. Ele selou os poderes de Aro bem na hora em que o velho decrépito estava prestes a me tocar. Willian riu disso praticamente a noite toda, até mesmo Alec nos surpreendeu aos risinhos. Eu estava cansada, e Aro decididamente não estava cooperando. Eu dividia minhas energias entre as conversas furtivas com Willian e Alec, traçando estratégias possíveis com as quais nós poderíamos fugir, e com a sessões intermináveis de interrogatório com Aro. Para ele eu tinha apenas uma resposta: Não. E curiosamente, Aro mostrava-se cada vez mais simpático e disposto a conquistar minha confiança com uma postura que me causava asco. Ele estava inebriado com a idéia de que eu era uma “Bella” mestiça, com os poderes de minha mãe desenvolvendo-se latentemente em mim. Aro dava-me tudo, menos a chance de falar com Alice ou Zafrina. Ele me cercou de roupas finas e caras, jóias medievais de valor incalculavel. Mandava servir em meu quarto todas as refeições que uma pessoa desejaria ter e constantemente tentava-me com humanos fortes e quentes, servidos à mim como uma refeição qualquer de restaurante. Parecia mais uma tortura. A comida não me interessava na maioria das vezes, mas o sangue… Eu sentia minha garganta queimar constantemente. Willian tentava me fazer ceder a sede, me fortificar com o líquido quente e viscoso, mas eu me negava. Alec apenas assistia meu sofrimento em silêncio, compartilhando em seu modo discreto de minha agonia. Três dias passaram-se sem que nós pudéssemos nos reunir para continuar nossos planos. Aro estava constantemente comigo, ou mandava Alec ou Willian em alguma tarefa trivial fora do castelo. Eu raramente ficava sozinha, e minhas horas de sono se tornaram cada vez mais escassas.

Eu sentia-me fraca, debilitada mentalmente e fisicamente, mas dentro de mim, uma força secreta fortalecia-se em segredo. Agora eu sabia que eles estavam lá fora, fugindo, tentando me alcançar de alguma forma. E era exatamente isso que eu tentava fazer noite e dia. Fugir para encontrá-los. Isso me mantinha de pé, de alguma forma eu ainda sentia-me forte o bastante para lutar.

Zafrina algumas vezes visitou-me em sonhos, mas como eu raramente dormia, nossas conexões tornaram-se difíceis. As visões ficavam cada vez mais borradas e ininteligíveis. Ela tentava me mostrar algo que eu não fazia idéia do que era. Uma torre, um relógio. Uma fonte de pedra. Nove badaladas soando ao longe. Túneis escuros e intermináveis que serpenteavam diante de mim, nunca levando a lugar algum… Eu tentava juntar tudo isso, mas nenhuma conclusão foi certa. E Alice… não passava-se uma só hora em que eu não pensasse nela. Alec estava realmente focado nisso, mas Aro não deixava passar nenhuma informação sobre o paradeiro dela. Apenas Demetri conhecia o local, e isso reduzia nossas chances a menos de zero. Willian também não tinha muito acesso á Lavínia, mas permitiam-no vê-la de longe, enquanto os guardas de Aro acompanhavam-na nos banhos de sol toda manhã. Tentei pedir a Aro que me deixasse falar com ela, conhecê-la, mas Willian desencorajou-me. Disse que enquanto eu não me alimentasse devidamente, ele não confiaria em me deixar tão perto dela. Choquei-me com o comentário, mas percebi que ele estava certo, e que eu teria feito o mesmo se estivesse no lugar dele.

Com as tarefas diárias que Willian recebia de Aro, eu ficava cada vez mais sozinha com Alec. Eu apreciava a companhia dele, geralmente tão discreta e silenciosa que eu simplesmente adormecia subitamente. Depois acordava tão envergonhada, que não tinha coragem de olhá-lo nos olhos. E ele apenas observava-me incansavelmente, absorto nos pensamentos que ele raramente expressava. Era Alec quem levava-me roupas e comida, oferecendo-me discretamente, todas a manhãs, um jarro de sangue fresco, ainda quente que eu prontamente recusava. Ele desculpava-se dizendo que nas florestas que rodeavam Volterra, não haviam animais grandes, apenas aves e roedores de pequeno porte. Nada que pudesse matar minha sede ou sustentar meu corpo imortal que definhava dia após dia.

Essa noite, particularmente, estava sendo difícil. A queimação lambia minha garganta, pulsando por minhas veias como fogo líquido. A noite estava frio, tão frio que minha pele, invariavelmente quente, estava tão gelada quanto mármore. O vento frio passeava pelos corredores do castelo subterrâneo dos Volturi, e o silêncio era a única coisa que se ouvia na escuridão gelada daqueles cômodos de pedra. Alec acendeu uma tímida lareira em meu quarto, e enquanto alimentava o fogo com gravetos secos, eu o observava em silêncio de minha cama, no canto oposto do quarto. Willian estava fora cumprindo mais uma ordem de Aro, não voltaria até o dia seguinte. Éramos só nos dois naquele quarto agourento.

– O que pretende fazer quando sairmos daqui? – Perguntei à ele, encolhendo-me contra as almofadas de penas. Alec olhou-me sereno e caminhou sorrateiro até os pés da cama, onde enganchou as mãos finas entre os ferros torcidos que adornavam o grande dossel daquela cama velha. Recostou sua cabeça ali e colocou-se a meditar em silêncio por um minuto.

– Talvez viajar durante um tempo. Talvez uma pausa para repensar em certas coisas. – Um leve sorriso desenhou-se em seus lábios finos. – Mas tudo depende… – Completou ele, encarando-me de traz do ferro retorcido, os olhos vermelhos brilhando à luz do fogo brando. Retribuí seu olhar.

– Depende do que? – Perguntei.

– Do que você disser quando eu te fizer a pergunta que está martelando dentro de mim há dias. – Ele contornou o dossel torneado e aproximou-se de mim aos poucos, testando-me pacientemente como só ele sabia fazer. Hesitei um instante, temendo o que viria a seguir.

– Então faça a pergunta de um milhão de dólares. – Debochei, sentindo o peso do arrependimento me alcançar instantaneamente. Ele sorriu e encarou-me confiante.

– Por que me beijou? – A voz dele acariciou as palavras, tornando-as quase como versos de uma canção sem nome. Senti meu rosto formigar e imaginei se eu ainda era capaz de corar, contudo, não demonstrei meu súbito desconcerto. Balancei a cabeça e refugiando meu olhar num ponto mais seguro que os olhos dele, eu falei:

– É disso que depende seu caminho de agora em diante? De um beijo? – Perguntei, endurecendo propositalmente as palavras. Não olhei para ele, esperei paciente o silencio entre nós crescer. Não queria arriscar perder o peso de minhas palavras, não queria derretê-las no magma dos olhos dele.

– Sinceramente? – Perguntou ele, exigindo meu olhar de volta para si. – Sim. Mas não depende apenas de um beijo. Depende do seu beijo. – Ele sentou-se a meu lado, estreitando o espaço seguro que coloquei entre nós. Eu não queria ouvir aquelas palavras, não queria sentir aquele amor crescendo dentro dele, do qual eu me via responsável. Sentia-me egoísta por ser aquela que o magoaria, por quê eu sabia desde o início que o magoaria, isso sempre foi um fato iminente dentro de mim. Virei meu rosto para o fogo, crepitando soberbamente entre nossos corpos temerosos. Ele ficou ali, esperando de mim a resposta que eu jamais poderia dar a ele, esperando que eu fosse para ele o que eu nunca poderia ser. Pedindo em silêncio um amor que eu já dera a outro. Engoli em seco a bola que se formou em minha garganta, e ela desceu pelo meu peito apertando meu coração como um punho de aço.

– Eu não vou fazer você escolher, e não por que sou nobre demais para isso, mas por que sei que você já fez sua escolha. – Começou ele, roubando o tempo que meu coração tanto implorava. Senti meus olhos arderem, engoli o choro que subia em minha garganta como uma cobra traiçoeira. Esperei que ele continuasse a afundar ainda mais a estaca em meu peito, mas ele se calou, dando-me as costas e fitando a porta de carvalho que se escondia na penumbra. Eu o olhei de esguelha, arriscando, testando o terreno em que eu relutantemente estava colocando meus pés. Senti o frio que emanava dele, um frio que nada tinha haver com sua pele ou com seu corpo, mas um frio latente, que pulsava tão forte quanto as batidas de um coração. Um coração que já não batia há trezentos anos. Minhas mãos estavam trêmulas, em meu peito meu coração meio imortal dava seus primeiros sinais de fraqueza diante da complexidade das emoções tão demasiadamente humanas que configuravam a outra metade de mim. O quê eu estava pensando? O quê eu estava fazendo?

Sinceramente, eu não sabia. Não tinha idéia do que passava-se em minha cabeça quanto ajoelhei-me na cama, diante das costas ausentes que ele me dava, diante da frieza na qual ele tentava se refugiar para escapar do calor do sofrimento que eu infligia a ele. Passei meus braços por seu pescoço, enlaçando-o num abraço que gritava desculpas e arrependimentos. Ele enrijeceu, tornando-se ainda mais parecido com uma estátua. Meu rosto encostou-se no dele, meus cachos caíram por seus ombros e eu senti que ele não estava respirando. Meu calor ardeu de encontro ao corpo frio dele, mas nossas peles eram mais parecidas que qualquer outra coisa que já toquei.

– Você não pode me amar. – Sussurrei no ouvido dele, estreitando mais meus braços em seu pescoço, enlaçando-o numa corda invisível que só tirava-lhe o ar, sem dar nada além de calor em troca.

– É tarde demais pra mim. Eu já te amo e já te perdi antes mesmo de tê-la. – A voz rouca e suave acariciou meus ouvidos como uma luva de veludo cortante. Meu peito apertou-se mais. Fechei meus olhos, tentando com todas as forças não permitir que eles se inundassem de água e sal, trazendo para a superfície o único sentimento que eu poderia dar á ele: minha dor. Senti a mão suave subir por meus braços e segurar minha mão levemente, como se tivesse medo de me tocar, como se não pudesse se permitir isso.

– O pior de tudo, é saber que eu não posso nem mesmo lutar por isso. E de novo não se trata de nobreza da minha parte, trata-se de covardia, por que eu sei que eu sou apenas uma pedra no meio do seu caminho, um obstáculo colocado por Aro para separar você das pessoas que você realmente ama. Acha que com isso posso me dar ao luxo de te desejar? Acha que tenho se quer uma chance de tentar me tornar algo bom pra você? O que começa errado, termina errado, e eu comecei essa luta perdendo vergonhosamente. Não há nada que eu possa fazer. Está feito, está acabado.

– Alec…

– Não. – Interrompeu-me ele. – Não diga nada, eu não quero ouvir como você se sente mal por saber que desperta algo tão bom em mim. O que eu sinto não merece ser visto com pena, por que para mim é a coisa mais valiosa que possuo. – Ele se desvencilhou de meus braços e andou até a lareira, novamente me dando as costas. O fogo estava mais forte, de modo que o desenho escuro de sua silhueta dançou diante de meus olhos como uma sombra do sofrimento que eu sentia por ouvir aquelas palavras saírem dele e me atingirem em cheio como uma adaga venenosa. Eu não podia desviar, não podia evitar que aquela dor me atingisse. Não sei por quanto tempo esperei que minha mente me desse uma resposta, talvez eu já estivesse procurando-a a mais tempo do que me dei conta, mas quando a resposta veio, eu percebi que ela já estava se formando dentro de mim a muito tempo.

– Venha comigo. Minha família receberá você de braços abertos quando souberem tudo que fez por mim. Você pode ter uma nova vida, longe desse lugar, longe dessas lembranças… Venha comigo, por favor. Eu não vou suportar deixá-lo aqui. – Eu estava choramingando como uma criança desesperada por um pônei reluzente, soava embaraçoso mas eu não me importava. Eu realmente queria isso. Queria levá-lo comigo e mostrar a ele um outro lado da vida, o meu lado. Mesmo eu não sabendo quais as conseqüências desse meu pedido, eu desejava poder mantê-lo. Nem olhei no rosto dele enquanto despejava minhas lamúrias, mas senti que ele estava torturado dentro do silêncio contido dele, aquele silêncio que transcendia o corpo dele e enchia o ar de um vazio gelado, do qual eu tinha um medo constante.

– Levante-se. – Pediu ele gentilmente. Olhei para cima e encontrei os olhos vermelhos reluzindo na escuridão, encarando-me de uma forma que eu não sabia descrever.

– Onde vamos? – Perguntei, enquanto colocava-me de pé, apoiando-me nas mãos brancas que ele estendia para mim.

– Quero lhe mostrar algumas coisas, quero que me conheça melhor. – Um leve sorriso esboçou-se no canto dos lábios dele. Ele era indecifrável, pelo menos para mim.

Ele segurou minha mão e me conduziu até a porta de carvalho, antes de abri-la ele voltou-se para mim e disse:

– Estou fazendo algo completamente injusto, algo que jurei a mim mesmo jamais fazer. Mas eu não posso me conter, não consigo me convencer a desistir. Preciso fazer uma última tentativa, preciso… – Ele parou, desviando o olhar para além de mim, além daquele quarto. Eu estava apreensiva, meu estômago se contorcia, eu tinha medo do que viria a seguir. Medo de ter que vê-lo lutando sozinho, e no final, ter de dizer a ele que nada mudou.

– Preciso que saiba quem sou eu, quero que saiba tudo sobre mim, quero que me conheça. Só assim eu vou saber que você estava ciente de quem sou eu e do que eu sinto por você, e se mesmo assim você não me quiser, bem, pelo menos eu vou saber. – Concordei com um aceno breve de cabeça, evitando mostrar a ele o pesar implícito em meus olhos.

Então ele pegou minha mão, me levou pela escuridão fria até o lugar em que ele imaginava poder mudar meu coração, o lugar em que ele guardou todas as partes dele que se perderam ao longo dos séculos. E ele desejava dar todas aquelas partes para mim, mas eu sabia… Sabia com uma claridade dolorosa que aquela noite nos machucaria de uma forma irremediável.

Mesmo assim eu deixei que ele fizesse do jeito dele e me deixasse ainda mais perdida dentro de mim mesma.

“Jake, me desculpe…”

Anúncios

7 opiniões sobre “Rising Sun Cap 28 Antes Que Você Vá Embora – Parte I”

  1. I S2 TWILIGHT disse:

    Ah meu Deus…

  2. belzynha black disse:

    q bunitinho,mas eu prefiro o jake…

  3. q coisa! pq eu smp gosto do garoto q elas rejeitam? qnd era com a Bella eu queria q ela ficasse com o Jake (até ler Sol da meia noite) e agr eu quero q a Renesmee fique com o Alec… S: aiaiai assim n dá haha

  4. Rosangela disse:

    Alec bem q podia ficar com a Leia.(a loba)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s