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_Edward, isso seria mesmo possível?

_Não sei Bella, temos que voltar, Carlisle precisa te examinar urgente!

Rapidamente nossas malas estavam feitas, nossos dias de completa felicidade fora interrompidos por enjôos e tonturas, e por ultimo, uma mensagem do anjo que sempre me condizia a voltar a viver, ele foi claro, eu estava carregando um filho, um filho de um vampiro.

Durante a volta, somente as lembranças de nosso casamento, de nossa realização vinham em minha mente, e agora este fato que poderia estragar tudo.

Deixamos nossa residência, a nossa casa não era tão grande quanto à de Carlisle e Esme, mas era tão linda, olhava para trás à medida que nos afastávamos, algo em mim dizia que seria a ultima vez que veria meu lar. Chegamos à casa dos Cullen e Carlisle já nos esperava, Alice estava apavorada com meu futuro sumindo completamente.

Carlisle tinha pesquisado muito e eram raros os casos em que as mães sobreviviam, e pior que os Anjos permitiram, eles geralmente interferem neste ato, pois desde Caim fora proibido o incubo, a gestação de vampiros.

O medo invadia meu ser, de uma forma, e Edward teve outro tipo de medo.

_Bella não posso te perder, sabe disso não sabe?

_Calma meu amor, não vai.

Eu tentava acalmar a ele, no entanto eu mesma estava apavorada.

Um dia quando quase todos foram caçar, estava aos cuidados de Esme, mas estava sozinha no quarto quando uma luz entrou pela janela, quando olhei uma mulher linda estava ali em minha frente, ela era loira e jovem.

_Bella. Não tenha medo.

O medo me invadia, sabia das regras dos anjos, e se estivem atrás de meu bebe, não poderia suportar isso.

_Quem é você?

_Vim te trazer uma mensagem, não temas minha querida, não vai ser feito nenhum mal pelas mãos dos anjos a seu bebê, ele é a salvação, ele é o que todos esperam e você está cumprindo seu destino Bella, e para isso deve cuidar dele.

_Mas posso morrer.

_Você sabe que pode ser resolvido isso, sabe como pode não morrer.

_Mas não posso, eu não posso ser uma vampira, eu…

_Eu sei querida, você não podia, pois tinha que cumprir seu destino, mas agora já está a caminho e ele vai precisar de proteção, muita, pois a outros que o querem morto, através de seu filho Bella, a cura está a caminho, estará se cumprindo o que fora escrito, a lendária Golconda está prestes a ser atingida.

A luz sumiu e a porta do quarto foi aberta.

_Edward! Você já voltou?

_Sim, não quero ficar longe de você.

_Edward eu tenho algo a lhe pedir, eu sei como não morrer quando o bebe nascer, você tem que me transformar.

(***)

 

Acordei assustada, olhei em volta e deparei-me com a janela aberta, hoje eu sabia o que significava, senti o cheiro de meu quarto, e identifiquei claramente a lavanda misturada com leve cheiro doce, coloquei meus pés no chão, senti a brisa fria que a noite trazia.

Fui até a janela, olhei para fora, claro que não o veria, no entanto o conhecia bem para saber que ainda não fora embora, conhecia sua audição, então não foi mais que sussurros que foram saindo de meus lábios.

_Sei que está aí, e quero que saiba que me lembro, lembro de tudo, lembro de nós, e lembro inclusive da promessa, lembro o que levou aquela promessa, mas lembro-me de uma vida que você nem sabe que tive, e esta eu gostaria de te contar, e se quiser continuar com a promessa, ficará a vontade, mas não antes de nos dar a chance de uma conversa, Boa noite!

Fechei a janela, e voltei a me deitar, não esperava que ele voltasse tão rápido, o conhecia bem para saber que ele necessitava de um tempo, no entanto estava tranquila, desta vez as lembranças voltaram antes mesmo de termos algo, antes mesmo de me apaixonar aos poucos por Edward, e ele raciocinaria que isso era uma pequena mostra que não podíamos nos evitar, não poderíamos tentar mais nos manter afastados.

O sono veio depressa, estava tranquila sem medos e com a certeza que de alguma forma, Edward e eu teríamos uma conversa.

(***)

A dor me consumia, era demasiadamente forte, sentia como se cada parte de meu corpo estivesse sendo quebrada.

_Está na hora!- Alice alertou.

Neste instante uma corrente de ar entrou pela porta.

_Não! Edward Não!- sabia o que estava entrando, eram elas as sombras, elas nos encontraram, e justo naquele momento eles estavam todos muito fervorosos, sabia que estavam perto, aqueles que queriam a morte do fruto que carregava.

Edward me carregou até o quarto todo equipado, Carlisle não estava, havia ido caçar para se manter forte, senti uma calma dentro de mim, uma paz como se tudo fosse dar certo.

Neste instante uma luz invadiu o ambiente e a paz era maior que a paz que o dom de Jasper nos proporcionava, ela era pura e verdadeira, já não sentia mais dor.

_Bella, não vou conseguir sem Carlisle aqui!- O semblante de dor estava cravado nas feições de Edward.

_Você vai meu amor, eu confio em você.

Respirei fundo, e senti uma agulha em meu braço, aos poucos sentia meus músculos relaxados, senti quando Edward pegou o bisturi e cortou minha barriga, mas não estava sentindo dor, ao meu lado olhei para uma luz que vinha, era linda, uma mulher sorria para mim, por impulso ergui minha mão para tentar toca-la e foi em vão.

Sentia que estava fraca, e meu coração aos poucos estava parando, foi quando ouvi um choro, foi singelo, agudo e ao mesmo tempo lindo.

_Me deixe vê-lo Edward. – foi só o que saiu de meus lábios, sentia-me cada vez mais fraca, a luz estava ali ao meu lado e mais intensa.

_Bella, é uma menina. – neste instante ele me olhou, e quando finalmente poderia pegar meu bebê nos braços, Edward não o fez.

_Alice!! Alice!!

_Edward, já não tem mais sombras, elas foram embora, oh nasceu. – A voz maravilhada de Alice olhando meu bebê e eu não podia vê-lo.

_Pegue- a criança.

_Não, eu quero vê-la.- Gritei com o pouco de força que me restava.

Edward não me deu ouvidos, e entregou meu bebê nas mãos de Alice,

Alice por sua vez a trouxe para perto de mim.

_É linda.- Nunca podia imaginar amar de tal forma, era um amor profundo ao qual jamais achei que era possível sentir, mas meu coração falhou, e senti que a vida já estava sendo tragado de mim, Edward estava desesperado.

_Bella!!Não !!! – foi quando tudo foi escurecendo.

_Edward cuide dela, cuide dela com sua vida!- foi somente o que consegui dizer, tudo escureceu.

 

Acordei com o som do despertador, sabendo que hoje era sábado, esqueci de reprogramá-lo, hoje não estava assustada com as imagens, e nem com as lembranças, sabia o que se tratava, e sabia exatamente que esta era uma das maiores dores que já senti em minha vida, mas eu tinha outra vida agora, e teria que tentar concertar os erros do passado, pois esta foi uma vida que fora me dada de presente, a qual eu nem merecia.

Depois de me trocar desci as escadas e encontrei meu pai todo eufórico.

_Aonde vai?

_Vou pescar, os rapazes da delegacia juntaram uma turma, mas se tiver problema de ficar sozinha eu fico.

_Não, ficar sozinha é bom e tenho que lavar roupa, fazer um trabalho, coisas chatas, nem vou chegar a sentir sua falta

–Bem se é assim, se cuida, não venho para o almoço e a tarde trago um peixe

–Espero que não tenha que limpar isso!

_Não mesmo, eu trago limpo, tudo bem.

Ele subiu em sua caminhonete e saiu, deixei de pensar em meu sonho, eu não gostava das lembranças que viam a seguir, fui organizando a casa, comecei pelos quartos, juntei as roupas, fiz tudo meio automático, liguei meu MP3 e sorri com a ideia de que agora me lembrei de outras épocas onde a musica era muito melhor, nenhuma que estava em meu play list me agrada mais, continuei, e como estava totalmente relaxada tendo a certeza que se algo fosse acontecer agora, eu estava tranquila, eu sabia a verdade, os sonhos não me atormentavam mais.

Quando cheguei à sala, juntei um copo de cerveja, varri, tirei o pó, fui até a cozinha e o ciclo da maquina já havia terminado, coloquei a roupa na secadora, e voltei até a sala, me peguei cantarolando um rock algo que a tempos, desde o inicio de meus pesadelos eu não o fazia, em seguida uma musica que amava de paixão começou, era mais lenta e a letra era linda, ao som de The Corrs, cantando When The Stars Go Blue.

MUSICA: http://www.youtube.com/watch?v=nKTlsabYEj0

Cantarolando eu estava livre, sentindo que mesmo os pesos das vidas em meus ombros eram nada comparados com a nova chance que recebi dos céus, eu poderia enfrentar tudo desta vez com a força que jamais tive, pelo simples fato que não jogaria fora esta oportunidade de concertar erros do passado.

Ao me virar, estava de olhos semi- abertos, e cantando, com os fones no ouvido, me deparei com a visão mais perfeita que meus olhos podiam ver.

Edward estava em minha frente, ali mesmo em minha cozinha, eu simplesmente fiquei paralisada o olhando, era como o ver pela primeira vez sempre, sua beleza não era comparada a nada, e a cada vida eu podia admirar algo novo em suas feições.

Ele nada disse, simplesmente pegou uma mecha de meu cabelo colocou atrás de minha orelha, a musica continuava a tocar em meus fones de ouvido, ele somente olhava em meus olhos, neste instante percebi que se enchiam de lagrimas, eu evitei piscar por tempo demais e quando o fiz senti uma lagrima rolar em meu rosto, ele pegou com seu dedo a lagrima, e a colocou na boca, eu sorri com o gesto, tão ele, sempre, meu sorriso fez com que seus olhos dourados ganhassem um brilho intenso, o ouro era simplesmente liquido, e seus lábios brotaram um sorriso, aquele sorriso ao qual eu amava intensamente.

Nenhuma palavra precisava ser dita, o silencio era nosso companheiro de longa data, e nosso aliado em momentos de discórdia, pois não era o fato de amá-lo que não tivéssemos divergência, sempre fui teimosa e Edward protetor demasiadamente.

Deitei minha cabeça na palma de sua mão, sentindo gelada, mas reconfortante, fechei meus olhos e senti sua outra mão passar por meus cabelos.

Abri meus olhos e sua testa estava enrugada sorri com mais um gesto tão dele, sempre, como senti falta disso.

Meu momento estava sendo prolongado, mas eu tinha que senti-lo, então sem importar-se com sua reação, eu simplesmente o puxei para um beijo, ele relutou de inicio, mas depois fosse como sentisse sede de meus lábios, seu sabor, seu cheiro, seu toque tudo me fazia falta, era como estivesse completa ali em seus braços.

Sentia o sabor doce do beijo, o sabor doce que era único para mim, atreveu-me a deixar minha língua traçar o contorno do seu lábio liso, senti que suas mãos agora estavam mais urgentes, elas traçavam o contorno de minhas curvas, enquanto eu agarrava as poucas mechas soltas de seu cabelo que estavam levemente compridos, eles estavam molhados por conta da leve garoa que caia ao lado de fora, o beijo estava se tornando intenso, no momento em que Edward bruscamente nos separou.

Olhei em seu semblante, estava aliviado, mas logo se tornou duro, ele retirou os fones de meus ouvidos, delicadamente o mp3 foi retirado de meu bolso, a agilidade de Edward era sempre impressionante, ele colocou-o na mesa da cozinha,mas sem afastar nossos corpos em nenhum momento.

_Bella porque tem que ser assim? Tão teimosa e tão impetuosa sempre. Porque tem que ser tão tentador permanecer ao seu lado?

_Meu caro senhor Cullen, por que estamos fadados a ficar juntos. – as palavras sempre ditas da mesma forma, o fizeram ter mais dor em seu olhar.

_Então sua memória voltou?- ele fez uma pergunta em forma de afirmação.

_Sim, toda ela.

_Tudo?- seu olhar foi de espanto, ele se afastou de mim.

_Exatamente tudo?

_Exatamente, lembro de nossas vidas, de nosso casamento e até da estúpida promessa que lhe fiz fazer, inclusive o fato ao que me levou a fazer esta promessa.

_E ainda está aqui, não quer me expulsar ou algo do gênero?

_Está é a ultima coisa que eu quero neste momento, Edward eu pedi esta chance, e a ganhei, não a quero desperdiçar com detalhes aos quais só nos fizeram sofrer, no entanto há situações as quais devem ser esclarecidas.

_Vamos.

Edward me pegou pelo braço e me direcionava ao lado de fora.

_Aonde vamos?

_ A um lugar que lhe fará ver se tem certeza desta decisão.

_Eu não preciso ir a lugar nenhum, eu estou bem, e tenho plena certeza do que quero, eu quero nossa vida Edward, aquela que nos foi tirada, e sem a dor de viver sem o ter ao meu lado.

_Mas preciso desta certeza.

Concordei com ele, mas insisti que me deixasse fechar a casa, entrei em seu carro, e a todo o momento ele estava calado, sua expressão era de dor, eu tinha plena certeza que não importasse o que ele me mostrasse, eu estava certa de minha decisão, esta vida não seria desperdiçada, não mais.

Chegamos a uma estrada pouco freqüentada e avistei uma trilha.

Como sempre Edward abriu a porta para mim, ele estendeu sua mão, e como cavaleiro que sempre fora, fez uma reverencia, eu amava estes gestos aos qual o tempo o não fizeram se perder.

_Posso?- ele fez um gesto para que me colocasse em suas costas.

Fiz que sim com a cabeça.

Em segundos sentia que ele corria, era sempre a mesma sensação, uma leve tontura, com a velocidade, mas ao tempo sentia que ali era meu lugar preferido, coloquei meu rosto entre suas omoplatas escondendo do vento gelado e das leves gotas que as arvores pingavam.

Edward me deixou no chão, e foi caminhando em direção a uma luz, percebi uma clareira, e assim que me direcionei em sua direção, era impressionante a semelhança, era igual a nossa campina na Europa.

Caminhei lentamente, observando e era exatamente igual.

Olhei para trás e Edward entrava em meu ponto de visão, ele estava apreensivo, como se estar ali me fizesse mudar de ideia.

_O que pretende com isso? A única que conseguirá é me deixar mais maravilhada, o simples fato de você encontrar um lugar como este me prova que teremos sim que sempre estar juntos.

_Bella eu venho aqui sempre para me lembrar de minha promessa, de que eu deveria me manter a todo custo afastado de você para não te deixar sofrer.

_Está enganado Edward, eu estava enganada, não importa o que façamos, o nosso destino é ficar juntos, não importa o que façamos para evitar quando evitamos, sofremos pior, entenda, as minhas memorias não voltam somente por te encontrar elas voltam para te encontrar.

_Mas e a perda? O que passamos? O que te fiz passar, o meu erro?

_Edward nada vai apagar o que foi feito, mas não devemos estar fadados a sofrer, eu sofri Edward, muito mais por estar longe de você, do que sofri em todas minhas vidas morrendo, mas sempre sabia que havia a esperança de te ver novamente, mas quando esta esperança estava findada por conta desta promessa, minha vida foi ao fundo poço.

_Sua vida?

_Sim Edward, já deve ter feito as contas, Alice já deve ter te feito pensar nisso, mas já parou para pensar o porquê desta vez demoramos a se encontrar?

_Eu imagino que tenha tido outra vida!

_Sim e isto é o que eu você precisa saber, sobre esta minha ultima vida.

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