POV Bella

Quando encarei os olhos dourados e tão diferentes de Edward, algo me dizia que eu conhecia, aquele sorriso torto era familiar de algum modo, mas logo sua expressão mudou, ele me encarou ferozmente e saiu de meu campo de visão muito rápido, ao me virar dei de frente com Jessica.

_Oi e aí, o que Cullen queria? _Já vou te avisando, ele não é boa companhia, está vendo lá o Mike aquele com o olho roxo, Edward o socou estes dias.

Jessica falava tão de pressa e muito que eu me perdia.

_Porque ele bateu no Mike?- claro que sabia de sua fama de garoto problema, no entanto não imaginava que chegava a tanto.

_Bem, digamos que ele fez uma brincadeira com o Cullen, brincadeira boba de meninos, o Cullen não gostou e socou a cara dele. – ela falava de tal maneira como se fosse algo banal.

_Meu Deus, foi feio. – Mike era um rapaz de porte atlético, usava a jaqueta dos “Spartacus”, indicando que fazia parte do time de futebol, as cores do time se concentravam no azul.

Fiquei pensando em como um rapaz tão lindo podia ser tão violento.

_Se não fosse seus irmãos ele tinha matado Mike. – virei-me imediatamente para Jessica, meu pai já comentara sobre a família dele, mas a curiosidade me tomou.

_Foi tão feio assim? E ele tem irmãos?

_Foi, veja, lá está sua irmã, aquele é namorado dela, mas moram na mesma casa. Estranho, na verdade esta família Cullen é estranha, a baixinha se acha a rainha da moda, todos sabem que são ricos e poderosos, no entanto não precisa humilhar também.

Eu só conseguia pensar em Edward e em seus olhos dourados, e como mexeram comigo, em segundos eles me atraíram, Jessica continuava com seus comentários desagradáveis.

Na aula seguinte sentei-me no fundo o mais longe possível de Edward, ele nem me olhava e o pouco que percebia sua fisionomia era de raiva. Como eu pude causar tal efeito sobre ele, mas na verdade como Jessica disse ele era má companhia e não seria por mim que estaria assim, deveria ser seu humor habitual. A Aula de Literatura demorou mais que o necessário, me deixando extremamente desconfortável, evitava o encontro de meus olhos com os de Edward, sentia um desconforto brutal, toda vez que o fazia. Percebi que mesmo sendo o mais revoltado, no entanto seu trabalho entregue pelo professor foi um dos melhores da turma, porém na hora das perguntas orais ele decidiu que não levantaria a mão, algo me impulsionava a olhar a cada instante para ele, observar suas atitudes, e a cada comentário estúpido ou simplesmente fora do contexto do debate sobre a literatura inglesa, podia perceber um leve tédio e uma indignação em Edward, como se fosse entediante para ele estar ali.

Alice Cullen, sua irmã estava nesta aula, e diferente de seu irmão ela participava e muito das discussões literárias, percebi que era muito inteligente e culta, seu modo de falar e defender suas ideias era impressionante, se via que até o professor se espantava em alguns momentos de seus altos comentários.

_Senhorita Swan, sei que está chegando agora na turma, mas sinta-se a vontade em debater conosco.

Assenti com a cabeça, porém dei saltos internos de alegria no momento em que o sinal indicando o intervalo do almoço soou estridente. No refeitório olhei em volta e todas as mesas estavam ocupadas todos tinham seus lugares, e o único lugar vago era na mesa dele, Edward, ao seu lado uma cadeira vazia e do outro seus irmão, que aparentemente eram namorados, mesmo para mim isso era estranho, não pedi mais detalhes sobre isso, mas estava certa que logo saberia pela Jessica o relatório completo sobre eles.

Andei como se meus pés estivessem pesados, eu queria adiar o máximo, talvez eles saíssem antes, mas não aconteceu.

_Este lugar está ocupado?- senti minhas bochechas esquentarem no instante em que as palavras saíram de minha boca.

Edward não se deu o trabalho de responder, mas sua linda irmã me respondeu?

_Não, pode sentar-se Bella.

_Como você sabe meu nome? – a garota baixinha de cabelos arrepiados soltou um risinho e concluiu. -_Estamos na mesma turma de literatura não lembra?

_Claro. – eu podia imaginar este detalhe sim, mas o desconforto com a situação estava me deixando lerda em meus pensamentos, lá fora a chuva estava torrencial, este era o motivo de um refeitório tão cheio.

Comecei a comer, dei uma mordida no pedaço de pizza, e fui abrir a lata de refrigerante quando ergui meus olhos percebi que Alice me observava com o rosto feliz.

_O que foi? – a pergunta saiu quase que sozinha em um impulso.

_Nada, é que sinto que você e eu ainda vamos ser amigas. – seus dentes eram perfeitamente brancos e alinhados, pude observar que os olhos de Alice eram igualmente dourados como os de Edward.

_Chega Alice!- Edward bufou levantou e saiu, e eu olhei para Alice que me encarou também, suspirei sem entender o motivo da atitude de Edward que saiu com sua bandeja quase intacta levou até o lixou jogou tudo lá dentro e saiu em meio aquela chuva. Percebi que para os outros, isso não foi espanto algum, deveria ser algo normal.

_Qual é o problema dele? Perguntei

Mas foi seu namorado que respondeu, ele que estava calado até agora.

_Não liga para ele não Bella, ele não sabe lidar bem isso, nunca soube. – um sorriso brotou de seus lábios e naquele instante uma sensação de conforto me invadiu, algo me lembrava isso, era como um de-já-vu, no entanto algo em sua afirmação me conflitava.

_Com isso o que?

Perguntei, mas Alice deu um tapa no ombro dele e respondeu.

_A lidar com pessoas novas na escola.

_Na verdade ele não sabe nem lidar com os antigos. – Jasper continuava a sorrir, o que me fez imita-lo, eles eram estranhamente reconfortantes, e Alice era uma companhia agradável.

_Então vocês dois…?…São…

_Namorados!- Alice respondeu rapidamente.

_Sim, e tenho certezas que as tagarelices já chegaram a seus ouvidos, não liga para eles, tenha certeza que não fazemos nada de errado.

_Não disse nada.

_Mas deve ter pensando, não se sinta mal, todos pensam, mas deixemos as fofocas de lado, está preparada para o baile?

_Baile?

_Ah, minha cabeça, o baile de primavera, saiba que é divertido, a regra é as meninas convidam os rapazes.

_Entendi seu ponto meu amor. – Jasper sorriu para Alice e seus olhos encontraram um ao outro, em um pequeno instante me senti sobrando ali, eles pareciam que se olhavam pela primeira vez. _Cuidado com suas artimanhas.

Alice voltou a me olhar e ao assunto do Baile.

_Bella, pense bem é uma oportunidade ótima de conhecer as pessoas. – neste instante Alice parou e seus olhos vagaram como se somente seus corpo estivesse em minha frente, mas ela não.

_Vamos Jasper, Bella nos vemos depois..humm.. Ah aula de geometria, ultimo período.

Ela saiu apressadamente enganchada em Jasper, deixaram suas bandejas igualmente a de Edward intocável.

Neste instante senti alguém se aproximando.

_Bellinha!

Virei-me para voz masculina atrás e mim.

_Cam?!- era sim ele, meu primo, Cameron Briel, a família dele era de um parentesco distante, no entanto eles eram muito próximos de meu pai.

_Bella, como está diferente. – ele me abraçou percebi vários olhos por ao redor me encarar, lembrei dos conselhos de meu pai e percebi que estava indo totalmente contrário ao que ele disse, primeiro estando ao lado de Cullen, apesar de sua indiferença, e agora Cam, mas ele disse, seja simpática.

_Andando com os Cullen?- percebi o torcer de nariz dele a se referir ao sobrenome, certamente era uma rivalidade muito grande.

_Não,… Bem… Sim, na verdade eu me sentei aqui por ser o único lugar vago, mas…Alice…

_Calma Bella, a garota baixinha Cullen é legal, seu namorado tem um ar esquisito, mas o “mimadinho” do Edward, Argh, este não da para engolir.

Cam sentou-se ao meu lado, e enquanto eu terminava meu almoço ele contou-me como foi viver na Europa com sua mãe, ele disse que Renata sua mãe estava enlouquecendo com um adolescente e que resolveu que era hora de seu pai assumir a responsabilidade, e foi ai que ele veio a Forks.

–Bella e você que problema a trouxeram para cá?

–Problema? Bem, não foi bem assim, eu necessitava de um lugar mais tranquilo novos ares e meus pais resolveram que era melhor vir para Forks, mas nada de problemas parecidos com os seus.

_Bella, no fundo somos todos filhos rejeitados.

_Não! Nem de longe isso, minha mãe chorou no aeroporto no dia em que embarquei para Washington, mas todos decidiram juntos.

_Quer dizer que não foi obrigada e veio a este fim de mundo por conta própria, deve estar louca Bella, garanto que não vai suportar, aqui chove sempre, e mesmo que não chova as poças não seca, a cidade é mofada as arvores tem limo demais, e o ar é sempre gelado.

O resto das aulas foram rápido, e a ultima de geometria novamente Alice estava nessa, observei até o ultimo aluno entrar, e a professora fechar a porta, e nada, certamente Edward não estaria nesta aula, Alice sentou-se comigo e pude perceber que sua habilidade e inteligência não se limitavam a literatura.

 

Fui para casa, ainda pensando em Edward, o caminho era chuvoso, e meus pés ficavam enlameados, certamente necessitava de um carro, no entanto meus antigos remédios eram fortes o bastante para ser restrita a direção, no entanto certamente agora que parei com eles devesse convencer a meu pai que eu precisava urgente de um meio de locomoção.

Minha mente era invadida por ele, eu queria saber o porquê dele mexer tanto comigo. Meu pai ainda estava na delegacia, e certamente estaria de volta na hora do jantar, decidi que era hora de distrair a cabeça, abri a geladeira em busca de algo e para variar uma geladeira de solteiro, tinha somente cervejas, e congelados, a busca nos armários estava sendo inútil, então decidi que teria que me virar com o que encontrasse, depois poderia ir ao mercado e abastecer a casa.

Na geladeira peguei queijos, dei graças que estava dentro da validade, abri o armário e peguei um pacote de macarrão, coloquei a agua para ferver na panela, busquei alguma erva fina ou tempero e foi em vão, logo me deparei com uma pequena noz moscada dento de um potinho, estava com uma boa aparência em instantes eu estava com um macarrão com queijo feito, deixei a travessa no forno, e fui até meu quarto, fiz o dever, a minha mente estava bem distraída e isto era muito bom. Escutei a viatura encostando e desci rapidamente, me deparei com meu pai cheio de sacolas.

_Filha, trouxe o jantar.

_Pai, eu tinha feito.

_Com o que? Só deus sabe o que e quanto tempo tem coisas nestes armários.

–Calma, eu achei queijo, macarrão e até uma noz moscada.

_Ha bom este queijo comprei esta semana, e a noz… O que??- Umm deve ser no dia em que Sue veio me visitar e fomo as compras, ela decidiu fazer um jantar.

_Sue,ummm

_Pare, ela é uma grande amiga, agora vejamos eu tinha trazido uma salada e umas asas de frango para mim.

_Podemos juntar tudo então, eu como o macarrão com a salada.

 

Depois de jantar com meu pai fui ao meu quarto, decidi que tinha que comprar livros novos então iria a livraria amanhã depois da aula, era algo que me distraia, pois evitava dormir, mas aquele dia estava sendo longo, e estava cansada demais, deitei a cabeça no travesseiro coloquei meus fones de ouvido, liguei meu celular no MP3 e deixei minha lista de reprodução rolar, o interessante era que a minha mente estava focada em uma única coisa, Edward Cullen.

 

(***)

 

–Uma dama para ser considerada prendada ela tem que estar ciente que deve realizar várias tarefas, ela deve se portar de forma discreta, seu andar deve atrair os olhos dos rapazes, no entanto deve-se ser distinta, deve ter conhecimento em artes, musica, se possível tocar piano ou algum instrumento, deve ser culta, ser adepta da leitura…

_E aí eu bocejo e durmo, Alice, por favor, vamos dar um tempo nestes treinamentos, eu estou exausta. – a paisagem era de uma incrível beleza, sentia que o vento estava soprando forte em meu rosto deixando minhas bochechas vermelhas com o frio, uma tolha bordada estava no chão, olhei para a moça a minha frente, Alice Cullen, ela estava esplendorosa e linda, seus cabelos eram levantados em um penteado clássico, e cachos soltos ao lado direito de seus ombros delicadamente feitos, ela jazia um livro em mão, e estava lendo trechos de comportamento das damas na sociedade, mas estava cansada de ouvi-la.

_Senhorita Isabella, o baile de debutantes será este final de semana, e de todas as meninas que treinei a senhorita tem sido a mais teimosa.

–Vamos Alice, até você sabe que isso é muito chato, sabe o que é legal?

–Senhorita Isabella, se porte, e não faça esta loucura que esta pensando em fazer.

–Como você sempre sabe o que se passa em minha mente? _Eu só estou admirando que ao alto desta mangueira estão as mais belas mangas, e se não temos um cavaleiro aqui para pega-las para nós o que me impediria de subir lá e pegar.

–Certamente que com este seu vestido você acabaria rasgando mais um e sua mãe certamente se desagradaria, Isabella, vamos continuar, o baile lembra.

–Baile, aff, pense bem, é só mais uma artimanha em apresentar as novas futuras damas da sociedade para os futuros cavalheiros, uma vitrine, devia chamar de “feira de esposas” e não de baile de debutantes.

Alice sorria de minha insistência em não estar gostando nada de ir ao tal Baile de debutantes, estava vestida com um belo vestido rendado, comuma abertura frontal e V revelando o meu saiote branco rendado, eu usava um espartilho apertado demais para meu gosto.

–Gostaria de não ter que usar estes espartilhos, eles me apertam demasiadamente.

–Querida, não seja teimosa, e te digo muitas surpresas podem ser aguardadas em um Baile, certamente encontrara algo especial entre os rapazes que foram chamados para dançar com as debutantes.

–Certamente que não, creio eu que não encontrarei tal apreço por um rapaz da milícia, militares tem um ar arrogante.

–Vamos senhorita, temos que ir a aula de piano.

–Piano, ho não, odeio aquela megera de professora.

–Já te disse tenha paciência, a partir da semana que vem, prometo apresentar a seu pai o melhor professor de piano que conheço, e ele certamente será de seu agrado.

Assim e espero.

(***)

Logo após o termino da aula de piano, subi em meu cavalo, e cavalgava até a minha casa, quando senti um arrepio, e um sussurro “Você não vai encontrá-lo”.

Olhei assustada para os lados, o cavalo se agitou, e sussurro novamente veio- “Você não pode conhecê-lo”…

Neste instante “malandro” meu cavalo desde a infância nunca teve esta atitude, e naquele instante ele deu um pinote, e levantou as patas dianteiras, e eu caí, o cavalo saiu correndo pela estrada.

Sentia as costas doendo, o vulto estava intenso, e ao meu redor a escuridão estava tomando conta de mim.

Eu queria correr, um corvo gigantesco pousou em uma das arvores e abriu as asas, e no instante em que ele ia me atacar, escutei uma voz conhecida.

_Isabella, senhorita Isabella, assim que a voz de Cameron chegou, o corvo fechou as asas e saiu voando, as sombras desapareceram, e o caminho ficou sem a neblina que se formava.

(***)

Ao acordar novamente, estava ofegante, mas percebi que desta vez não morri no fim, e outra mudança fora que não acordei tão assustada como das outras vezes, observei que minha janela estava aberta, não lembrava tê-la aberto, suspirei e pensei que meu pai deveria ter visto que me debatia, senti minha testa suada, este seria um dos motivos de abrir a janela, achou que estava com calor.

Fechei a janela, pois o vento entrava gelado, olhei no relógio eram ainda cinco da manhã, sentei na beira de minha cama e lembrei-me que desta vez o sonho foi mais nítido, e que lembrava os rostos sim, Alice estava nele, e Cam meu primo, peguei uma agenda de capa de couro e decidi que anotaria meu sonho ali, escutei quando meu pai levantou-se tomou banho, e logo saiu, assim que terminei de anotar o meu sonho, observei no relógio era hora de começar a se arrumar, tomei um banho, desci e vi um bilhete de meu pai.

“Parabéns pela primeira noite sem pesadelos, deixei dinheiro para o almoço e se quiser passar no mercado fique a vontade, me ligue na delegacia que te pego com as compras, beijos “

Se meu pai disse que não tive pesadelos, ele não fora em meu quarto, então quem abriu a janela? Deixei quieto, poderia até ser eu além de pesadelo agora eu devia ter virado sonambula.

Fui até a escola novamente a pé, eu amava andar, no entanto estava me irritando aquele caminho húmido, quando escutei um carro parando ao meu lado.

_Uma carona.

O vidro fumê do pequeno Audi abaixou, e dentro Cam meu primo sorria. Pensei em recusar, mas oras uma carona não era má ideia, entrei no carro, o aquecedor estava ligado e reconfortante.

–Seu pai deveria te dar um carro.

–Sei que ele não ganhe muito, eu espero.

–Então façamos assim, eu serei sua carona particular.

_Olha Cam…

_Bella, qual é, somos primos, e além do mais meu pai iria ficar feliz que esteja andando com você e te dando carona e estas coisas, ele anda pegando meu pé e desde que soube que você está em Forks ele está tentando me convencer que tenho que cuidar de você, ser um tipo de guardião, e blabla…

–Meu guardião?

–Esquece, é loucura de meu pai, é que minha família tem muitas histórias antigas, e sempre tem a sua família envolvida.

_Nunca soube que tínhamos história.

Chegamos à escola, desci e agradeci a ele, dei graças que ele não ficou ao meu encalço e foi logo com sua turma, cheguei ao corredor e vi Edward arrumando suas coisas no armário, passei por ele mas decidi puxar assunto

_Oi, tudo bem com você?

Ele nada disse, virou-se e saiu sem uma resposta qualquer, mas que grosseiro, nem um oi, também Bella porque foi tão estúpida? Onde estava na cabeça cumprimentar ele, mas parecia que uma coisa dentro de mim puxava para ele. Que idiota grosso e sem educação.

Olhei o horário de terça feira e novamente a aula vaga desta vez na primeira, olhei as placas do corredor que sinalizavam até a biblioteca, caminhei até lá, o cheiro de livros, mesmo os velhos, a moça do balcão era uma loira linda, a me ver sorriu largamente.

_Olá, posso ver livros.

_Sim, claro querida, qual é o seu nome?

_Meu nome e Isabella, mas pode me chamar de Bella.

_E seu nome, qual é?

_Meu nome é Rosalie, mas pode me chamar de Rose

_Tudo bem Rose, vou ver se me interesso por algum livro.

Fui em direção aos livros, mas algo estranho aconteceu, senti um vento frio, olhei e não havia janela alguma aberta, continuei vagando pela literatura, já tinha visto na lista de livros do senhor Barney que teríamos um debate sobre Shakespeare na próxima aula, pensei em ler uma de suas peças, mas novamente o vento gelado se manifestou, e escutei alguns sussurros, olhei ao outro lado da prateleira e não havia ninguém, a mesa onde Rose estava sentada agora estava vazia, o sussurro era forte, mas era uma língua que não entendia, continuei até tentar achar de onde vinha, mas assim que cheguei ao fundo da biblioteca subitamente o sussurro parou.

Olhei em volta e me deparei com uma estante de padrão diferente das outras da biblioteca, como se não fizesse parte dali, os livros no geral falavam de lendas sobrenaturais, um de capa de couro me chamou atenção. “A origem: Anjos e demônios, lenda da absolvição”

Senti um arrepio assim que peguei o livro em minhas mãos, fui até a mesa de Rose e nada dela retornar, pensei em levar o livro e depois passar aqui para carimbar, poderia começar a ler durante o resto da aula vaga.

Saí da biblioteca vazia, e fui até a o pátio onde os alunos aproveitavam a aula vaga, me virei e dei de cara com Edward, os materiais todos caem no chão.

Encarei Edward por um momento antes de me abaixar e pegar os livros, ele se abaixa igualmente e me ajuda com eles, assim que ele pega nas mãos o livro que eu acabara de pegar na biblioteca foi como se o livro desse um choque nele, e ele derrubou no chão novamente, eu o peguei então.

_Leitura interessante, não sabia que teríamos um trabalho sobre isso?

_Não. Não temos… É só curiosidade!

_Você é muito curiosa Bella, porque sempre tem que ser assim. – ele balançava sua cabeça em reprovação, e depois de me ajudar, ele se virou e saiu novamente bufando.

“Que arrogante insuportável, ele sempre tinha que ser assim, depois de me ajudar com os livros ele saiu bufando, em direção a quadra, desta vez isso não ia ficar assim.”

Ah eu podia ser calma ate certo ponto, mas odiava meias palavras e pessoas arrogantes, caminhei até ele, e o cutuquei no ombro, fazendo-o virar-se.

_Ei, porque você é assim?- estava o confrontando, e nem mesmo eu sabia os motivos.

_Assim como?

_Tão insuportável, arrogante, e… E… Age desta forma como se me odiasse.

_Se está incomodada, porque se dá ao trabalho de falar comigo?- não tinha resposta para isso, nem mesmo eu sabia o porquê desta fixação por Edward.

Neste instante percebi que a estupida era eu, virei-me abaixei a cabeça, não sei o motivo, mas meu peito ficou esmagado, e a vontade de chorar foi segurada pelo pouco de dignidade que ainda tinha. Senti então a sua mão pegando em meu ombro, a outra segurou meu cotovelo e me fez virar e encara-lo novamente.

_Olha Bella, é melhor assim, não sermos amigos. – percebi a dor que ele mesmo sentia em estar afirmando tais palavras.

_ Por quê?

_Só me ouça, não dá certo, nunca deu certo… Para mim… Então vamos deixar as coisas assim.

Edward saiu em direção aos bancos da quadra.

Sentei-me o mais distante dele, e comecei a folhear o livro, o vento estava forte novamente como na biblioteca eu escutei ele sussurrar, as bandeiras do ginásio começaram a balançar, e o livro em minhas mãos se abriu, sozinho:

 

“ Como surgiram os vampiros, os famosos demônios na terra?”

Caim foi o primeiro assassino, ele matou seu irmão Abel por inveja, após a morte de seu irmão Abel a terra tragou o sangue dele, e Deus amaldiçoou Caim:

“E agora maldito és tu, sobre a terra, que abriu a sua boca para receber o sangue de teu irmão derramado por tua mão. Quando lavrares a terra, ela não te dará mais sua força; serás fugitivo e errante na terra.” Gênesis 4.11,12.

Os anjos exigiram de Caim que pedisse perdão a Deus por seus atos, mas Caim era muito orgulhoso e preferiu aceitar sua punição: horror ao fogo e à luz, vida eterna e solidão, o que o transformaria no primeiro vampiro que existiu.

Quando Caim foi banido para as longínquas terras de Nod, e encontrou Lilith, assim iniciando seu despertar. Quatro anjos visitaram Caim:

Miguel, portador da chama sagrada, que após receber a resposta negativa de Caim o amaldiçoa e a seus filhos com o temor e a destruição pelo fogo.

Raphael, guia do Sol, amaldiçoa Caim e sua descendência com o temor e destruição pela luz sagrada do Sol, após receber outro não.

Uriel, anjo da Morte, completa a maldição vampírica, condenando Caim e seus filhos a beberem sangue por toda a eternidade, após receber a terceira recusa.

No entanto, Gabriel, anjo da Misericórdia, surge após Uriel, dizendo que Deus deixou uma trilha eterna de salvação para Caim e sua descendência (a lendária Golconda).

Da mesma forma que a terra recebeu sangue, Caim também receberia o sangue em sua boca. Os frutos retirados da terra, aqueles mesmos que Caim ofereceu ao Senhor, não mais o alimentaria, somente pelo sangue de animais ou dos homens ele poderia sobreviver.

Então disse Caim a Deus: “Eis que hoje me lanças de sobre a terra; também devo esconder-me de tua presença…” Gênesis 4.14a. Igrejas e símbolos religiosos, principalmente os cristãos, tudo que faça referencia ao Senhor é evitado pelos vampiros até hoje.

Caim foi marcado, para afastar seus inimigos, seus dentes caninos se alongaram e os seus olhos ganharam uma nova cor, ficaram amarelos, tais características nunca foram vistas antes em nenhum mortal….

(***)

O sinal para a segunda tocou, fechei o livro, e decidi que a noite leria mais sobre isso, era um assunto estranho, e não era de meu interesse até aquele momento.

Entrei na aula e sentei-me, História, legal, depois de iniciar a leitura da história vampiresca agora vamos à realidade, observei atentamente Edward entrando na sala, ele sentou no ultimo lugar vago, que para minha penúria era ao meu lado.

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Notas finais do capítulo

Fonte histórica Bíblia, e O Livro de Nod (publicado pela editora White-Wolf, é um suplemento para o RPG “Vampiro: A Máscara onde é narrada a história que seria a verdadeira origem dos vampiros, e pode ser considerada a lendária “bíblia vampírica”). Durante a estória In Love Forever Usarei algumas destas fontes para a minha versão.
Maiores informações:
FONTE
Já a hitória da Bella ela não tem nada a ver com estas fontes ela é de inteira criação minha.
espero ansiosa  pelas suas opiniões…
Notaram que Edward não pode pegar tal livro na mão, porque será??????
beijos

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