como prometido: ai vai a primeira parte do primeiro capitulo

1.     A Festa.

Amanheceu, estava ao piano, não me cansava de tocar aquela musica, era a única forma da noite passar logo, pois pela manha estaria novamente em meu inferno, mas não um inferno que eu fugia, mas eu cada dia me aproximava mais, mesmo com a dor em minha garganta, seca pela sede, não se comparava a dor que sentia ao estar longe.

Eu sabia o quão masoquista  estava sendo, me torturando a cada dia.

Acabara de voltar da excursão de caça com meus irmãos, eu sempre estava precavido, pois qualquer deslize seria fatal e eu não podia vacilar, não com ela, a única coisa que era maior que meu desejo por seu sangue era a meu desejo em  protege-la, de mantê-la viva, com o coração batendo seu sangue correndo nas veias a mantendo com aquele rosto corado, meu desejo por ela como mulher superava qualquer desejo em mata-la.

Hoje é um dia especial, por mais que ela não goste ou não queira é o dia que Bella Swan veio ao mundo, o dia que a razão de minha existência nasceu, agora para mim se tornava o dia mais especial, quando  acabei de tocar finalizei meu presente e sai da sala acústica, tinha preparado especialmente para fazer esse presente, pensei que se fizesse algo em que não incluísse grandes gastos financeiros, Bela não recusaria, escutei os pensamentos da minha irmã mais irritante e mais adorável. Desde que Alice se juntou a nossa família, nos tornamos muito próximos, isso também se dava ao fato de sermos singulares, tínhamos uma comunicação única, enquanto Alice via de imediato meu futuro e decisões, eu já lia sua mente quase na mesma velocidade, ela viu Bella em meu futuro antes mesmo dela chegar, o que não me agradava era que sua visão nunca mudava, e Bella continuava tendo somente dois prováveis futuros, e em nenhum deles seu coração bateria mais.

“Hoje é o grande dia” Alice pensava toda animada, ela também ama Bella.

-Alice eu já disse que o que você tem de pequena você tem de extremamente inconveniente.

“Há! Edward, você já concordou, não estrague tudo, se você não insistir, não vai dar certo, e você quer comemorar tanto quanto eu”.

-Sei Alice, eu não quero deixa-la chateada e  você sabe como ela não esta contente em ter dezoito anos, eu não entendo, mas eu nunca a entendo mesmo.- dei de ombros, era difícil entender essa aversão pela idade.

-Mas eu sim, e vejo que ela vai ficar feliz, ela vai se sentir parte da família, vamos é só você insistir um pouquinho.

– Tudo bem. Vou tentar, no entanto  se ela não quiser não vou irrita-la.  – apontei meu dedo indicador em sua direção, para adverti-la, mas não conseguia me zangar, então dei uma leve cutucada na ponta de seu nariz.

“Tudo bem, já a vejo  aceitando, que legal! Uma festa!”

Ela saiu cantarolando pela sala, eu também estava animado com a ideia dela em minha casa fazendo parte de minha família.

Nesse ultimo verão estivemos muito juntos, o verão mais especial de minha existência, ate  ela decidir arrumar um emprego, odiei essa ideia, pois esse emprego seria justo na loja dos Newtons, por mim não precisaria disso eu não deixaria lhe faltar nada, mas outra coisa que eu não entendia na Bela era isso, ela não gostava de ganhar presentes.

Chegando a meu volvo, Alice estava sentada no banco do passageiro, em seu colo um embrulho prateado.

-Alice ela disse que não queria presentes, e você vai deixa-la constrangida.

-Ela já ganhou um álbum e uma maquina de seus pais e você também vai lhe dar um presente não é justo a melhor amiga ficar de mãos abanando.

-Alice, não passe dos limites. E alias é nosso presente, porque outro?

“Eu queria dar-lhe algo só meu, seu presente também é mais seu do que meu.”

Eu sei mais do que qualquer um o quanto inútil é tentar refrear Alice.

Estacionei atrás  da escola de forks, desci,  fiquei  ao lado de meu  volvo esperando ela chegar Alice ficou  ao meu lado, seus pensamentos se fixavam em todos os seus planos para hoje a noite. O colegial, que antes para mim era como purgatório, hoje me dava certa satisfação estar presente todos os dias, menos em dias raros de sol.

Escutei sua Picape lenta pela estrada, escutei virar a esquina, e a vi entrar no estacionamento, ela parou na vaga ao lado, não conseguia me mexer prendi a respiração, quando não a via por uns dias seu cheiro ficava mais atraente, estava linda, Bella tinha uma beleza singular, não de uma forma vulgar, sua beleza estava em pequenos detalhes, seu cabelo castanhos dourados,  sua pele branca e corada, e dona de uma personalidade única. Sempre que olhava Bella e não consegui ler sua mente, ficava tentando decifra-la, suas reações, principalmente ao tomar conhecimento de que eu era um monstro, um assassino, ela nunca se afastou, sua resposta ecoava em minha mente ”não importa”, foi o que ela disse.

Bella desceu de sua picape com um olhar deslumbrado como se nunca tivesse me visto, era estranho  me olhar assim, como se eu fosse o premio, mas era ao contrario ela era meu premio, algo que eu não merecia a razão de minha existência. Bella me devolveu o pouco de humanidade em mim e nem imaginava o que isso significava.

Quando  olhou para Alice, que estava com seu embrulho prateado em mãos a sua expressão passou de serena a preocupada, bateu a porta, obviamente irritada, mas Alice não estava nem ai e foi logo a cumprimentar:

-Feliz aniversario Bella!

-sihhhhh- ela tentou calar Alice em uma tentativa quase inútil.

-Quando quer abrir seu presente? Agora ou mais tarde?

Elas vinham em minha direção, percebi o desanimo de Bela

-sem presentes-  ela tentava, sem sucesso fazer Alice desistir de qualquer tentativa de comemoração, nem imaginava o que ainda estava por vir.

Alice pareceu perceber, um pouco, de sua inconveniência.

“tinha esperança de ela mudar de ideia quando visse o presente” Alice pensou, já sabendo de como seria a reação de Bela.

-Certo… Mais tarde então, gostou do álbum de fotografia que sua mãe mandou e da maquina de fotografias de Charlie? “vou lembra lá que já ganhou presentes então não pode se zangar comigo.”

-é eles são ótimos.

-Eu acho uma boa ideia, só se vive um ultimo ano uma única vez, seria bom documentar a experiência.

– quantas vezes você já cursou o ultimo ano? “essa eu tive que rir baixinho, bela quando estava irritada dava boas respostas”.

-isso é diferente. “Que chata, porque estar tão irritada, todo mundo gosta de aniversários, espero que você tenha mais sorte” Alice pensou, obviamente esperando que minha tentativa fosse mais bem sucedida.

Ela se aproximou, minha garganta ardeu, mas eu não resistia, ela é como um vicio, estendi a mão para ela, e com a outra tracei o contorno de seus lábios que estavam em uma linha fina de raiva, seu coração acelerou, eu amava essa reação que ela tinha a me ver, era incrível, sorri para ela.

-então como foi discutido eu não estou autorizado a lhe desejar feliz aniversário correto?

-sim esta correto.

-só checando- passei a mão nos cabelos, sabia que a deixava sensível esse gesto, eu queria poder dizer os parabéns, mostrar o quanto esse dia era importante para mim. -você podia ter mudado de ideia a maioria das pessoas parece gostar de certas coisas como aniversários, presentes. – ela sempre foi diferente do resto das pessoas, com reações que eu nunca esperava.

Alice sorriu.

-É claro que você vai gostar todo mundo vai fazer suas vontades, fazer as coisas do seu jeito, o que poderia dar errado?

-Ficar mais velha.

Que absurdo, bela pensava em coisas insignificantes, eu era praticamente quase 100 anos mais velho que ela um assassino e ela não ligava.

Alice respondeu antecipadamente o que eu iria dizer

-dezoito anos não é tão velha.

-É mais que Edward-  Suspirei, como ela podia pensar nisso, ela poderia ter a idade que fosse eu a amaria do mesmo jeito.

-tecnicamente- é só um aninho

Já havíamos discutido muito isso bela achava que teria que se transformar para me acompanhar, mas eu jamais colocaria fim em sua vida, sei que as coisas seriam mais fáceis para mim, eu não seria egoísta a tal ponto. Isso era só um impasse, Alice continuou com seu plano para a festa.

-a que horas você vai estar lá em casa?

-eu não sabia que tinha planos para ir lá.

– Oh, seja boazinha, Bella, você não vai estragar toda nossa diversão desse jeito, vai?

-Eu achei que o meu aniversário era sobre o que eu quisesse-

“Edward, me de uma ajudinha…”

-Eu vou pegar ela com Charlie logo após a aula. – disse antes de qualquer objeção.

Eu já havia resolvido a situação com uma antecedência.

-Eu tenho que trabalhar. – Ela continuava tentando.

-Na verdade, não- Alice resolveu isso também. – Eu já falei com a Sra. Newton sobre isso, ela vai trocar o seu horário. Ela me pediu pra dizer ‘Feliz aniversário’.

– Eu, eu não posso aparecer – ela estava gaguejando -Eu, bem, eu ainda não assisti Romeu e Julieta para a aula de Inglês.

Alice bufou. – Você tem Romeu e Julieta de cor.

– Mas o Sr. Berty disse que temos que ver a atuação pra realmente apreciarmos, foi assim que Shakespeare tencionava apresentá-lo.

Rolei os olhos, aquilo estava indo longe de mais.

– Você já assistiu ao filme – Alice acusou.

– Mas não na versão dos anos sessenta. O Sr. Berty disse que é a melhor. –  Alice perdeu o sorriso e encarou bela, mas foi para mim suas acusações: “ me ajude aqui ou vou contar a ela seu presente”

– Isso pode ser fácil, ou pode ser difícil, Bella, mas de um jeito ou de outro…

Interrompi suas ameaças, eu amava Alice mais estava passando dos limites.

– Relaxe, Alice. Se Bella quer assistir o filme, então ela pode. É o aniversário dela.

– Isso aí – Bella respondeu de imediato, mas seu sorriso logo desapareceu, quando percebeu que não tinha fugir dos planos.

– Eu vou levar ela por volta de sete. – Isso vai dar mais tempo pra você arrumar tudo.

A risada de Alice reapareceu. – Parece bom.-  Te vejo de noite, Bella. Vai ser divertido, você vai ver. –Alice ficou muito contente sorriu largamente, beijou  Bella na bochecha e saiu para sua aula, e pensando” obrigado, irmãozinho, Vai ser divertido, cuide de sua parte e não se atrasem”

– Edward, por favor! – ela implorava, era tão difícil negar algo a ela, mas continuei, pressionei meus dedos em seus lábios para ela se calar.

– Vamos discutir isso mais tarde. Nós vamos nos atrasar para a aula.

Estávamos no fundo da sala, aonde era nosso lugar habitual, nós tínhamos quase todas as aulas juntos agora. Já não éramos motivos de fofocas, mas sempre tinha um pensamento inconveniente,  Mike Newton ainda me incomodava, o garoto sempre era inconveniente em seus pensamentos, mesmo enquanto estava namorando a Jessica, ele nutria uma esperança.

“vou me contentar em ser amigo, mas ele pode se cansar dela, todo presunçoso assim, ai eu vou ser o primeiro…”

Incomodava-me um pouco, o fato de Mike estar mudando fisicamente, algo impossível para mim, ele tentava de uma forma ridícula imitar meu penteado, me preocupava  se ela um dia perceber que ele vai ficar mais velho, mais maduro, enquanto eu estou estacionado nessa idade patética dos 17 anos um eterno adolescente, será que ai ela realmente veria o quão errado eu era para ela.

Enquanto o dia passava, eu imaginava como seria a vida de Bella se um dia ela escolhesse não estar comigo, e sim viver sua vida humana, perceber que eu não sou o certo, tentei tirar essa ideia de minha mente, fiquei imaginando algo melhor Bella comigo, sempre a protegendo, poder dar lhe tudo que desejasse apesar dela ter certa aversão por presente, isso mudaria, pois ela amadureceria com o passar dos anos, e assim eu lhe daria tudo.

Estava começando a entender o ponto de vista de Bella, ela nunca foi acostumada com esse tipo de atenção, de mimos, sempre foi ela a cuidar da mãe, seus pais não tinham muitos recursos financeiros, por isso insistia em trabalhar, eu não discutia muito, isso era parte de suas qualidades que a deixavam mais maravilhosa, ela mesma queria pagar sua faculdade, chamava de plano B, um absurdo, ela sabia que eu me recusava ao seu plano A que seria se tornar um monstro como eu, mas no momento certo a convenceria a ir para uma faculdade melhor, do que ela poderia pagar. Trabalhar na loja, justo dos Newton, isso a colocava mais próxima de Mike, mas em uma cidade pequena,  era o único trabalho disponível.

Tentei varias vezes lhe dar um carro, melhor a levar para jantar em bons restaurantes, não que a comida me agradece, queria agradar a ela, ate entender que isso não é o seu estilo. Vivi muitos anos no estilo do Cullen e percebi que para os humanos era um estilo desejável, não para Bella, que não se importava com certas futilidades.

Ao passar do dia não toquei mais no assunto do aniversário, e em uma oportunidade, disse a Alice para dar um tempo também.

Nós sentamos na nossa mesa do almoço, era diferente agora não sentávamos mais somente os Cullens, sentávamos  Alice, Bella,e Eu, agora que os outros já haviam se formado, e os demais  colegas, seus pensamentos não eram mais de reprovação, Depois de séculos entre as varias  gerações adolescentes, essa era a primeira vez que realmente conseguíamos nos misturar, perto de Bella eu me sentia mais humano.

Era estranho ter seres humanos se sentindo a vontade com nossa presença, predadores, convivendo em harmonia co suas presas, isso seria irônico se o mais irônico não fosse um assassino estar namorando uma humana, e essa humana não estar nem um pouco preocupada com o fato de estar pondo sua vida em risco.

A aula acabou, acompanhei Bella até seu carro, hoje eu tinha planos diferentes, mesmo ela rejeitado eu iria comemorar seu aniversário do meu jeito, segurei a porta do passageiro para ela, e como sempre ela não gostou da ideia, cruzou os braços e fez um biquinho.

-é meu aniversário, eu não posso dirigir?

-eu estou fingindo que não é seu aniversario como você deseja.

-se não e meu aniversario não preciso ir a sua casa hoje.

Não ela não vai  vencer, decidi jogar diferente

-tudo bem, entrei no banco do passageiro. – feliz aniversário.

-shii ela tentou me calar, mas já estava se rendendo.

Ela dirigia, eu tentava achar uma estação, eu sabia que Emmet e Jasper tinham uma surpresa para ela, então queria que ela sentisse a necessidade de ganhar esse presente.

– seu rádio tem uma recepção horrível, ela era sensível quando o assunto era aquela lata velha que ela teimava em chamar de carro.

-você quer um som legal, dirija seu próprio carro, as suas palavras afiadas me faziam rir.

Quando ela parou em frente a sua casa, decidi que teria que acalma-la.

Inclinei-me , peguei se rosto com as duas mãos. Segurei muito cuidadosamente, Bela era tão frágil qualquer deslize eu poderia esmagar seu crânio, pressionei levemente os dedos em suas têmporas, enrugadas de nervoso, nas maçãs de seu rosto corado e quente, sua mandíbula, que trincava levemente de raiva, meus dedos queimavam aonde passavam. Ela queria parecer forte, mas era somente a minha Bella de sempre.

– Você deveria estar de bom humor, hoje entre todos os outros dias – sussurrei perto de seu rosto, ela deixou aquela postura rígida pelo tempo que meu hálito gelado soprava. Sua respiração estava em ritmo desigual agora.

– E se eu não quiser estar de bom humor? –

Como ela é teimosa, mas eu estava disposto a ir até o fim, ela iria ceder, segundo Alice sua decisão dependia de minha insistência decidi usar mais uma arma, nesse jogo, sabia que era perigoso, estando perto dela seu cheiro além de queimar minha garganta, fazia meu corpo ficar quente e deseja- la.

– Que pena. Sussurrei mai perto de seu rosto, me inclinei, e pressionei bem de leve meus lábios nos seus quentes, percebi seu corpo ficar relaxado, e ela sem duvida nenhuma estaria esquecendo-se de tudo, seu coração estava passando de um ritmo frenético a lento, ela devia estar se esquecendo de respirar como sempre, ela respirou, e seu coração se acelerou novamente, permaneci ali não fazendo nenhum movimento, mais frenético, eu curtia o momento, gentilmente, um formigamento percorria meu corpo, e um paradoxo de prazer e agonia enxiam meu ser, foi quando ela jogou seus braços em meu pescoço, e me beijou com um entusiasmo maior, ela não conseguia se conter, bem que eu queria poder retribuir a altura, Bella emanava um aroma esplendido doce,  mas meus instintos assassinos fizeram meus lábios recuar acima dos dentes, então tive que soltar seu rosto e tentar ser o mais possível gentil, me livrei de seus braços, eu não sabia o que me fazia sofrer mais se era a dor que seu cheiro fazia em minha garganta ou a dor de ter que me afastar.

Era preciso desenhar essa linha para nosso relacionamento físico, Bela não passava de uma presa nas mãos de seu predador, e meus dentes, armas afiadas e cheias de venenos, qualquer erro, por mínimo que fosse seria fatal, ela poderia morrer ou se tornar alguém como eu, um monstro, e nenhuma dessas opções estavam em meu pensamento. Ela respeitava, mas quando estamos próximos assim eu sabia o qual difícil era para ela, me odiava por ser tão egoísta, tirar esse privilégio humano dela, só para não me afastar de meu vicio, eu tinha sempre que lembra- la.

– Seja boazinha, por favor – fiquei sem respirar e minha concentração estava melhor então pressionei de leve meus lábios seus mais uma vez e me afastei, ela estava com o ritmo de seu coração muito mais acelerado do que já esteve, ela juntou as mãos e colocou em seu coração, que parecia que iria sair de seu peito pulando sozinho.

– Você acha que um dia eu vou melhorar nisso? Será que um dia meu coração vai parar de querer sair do meu peito toda vez que você me toca?

– Eu realmente espero que não. – eu disse meio presunçoso, eu amava essas reações humanas que ela tinha. Mas não deixava de lembrar o quanto era perigoso.

Ela rolou os olhos como se estivesse tentando mudar o assunto

. – Vamos assistir os Capuleto e os Montague acabando uns com os outros, certo?

– Seu pedido, minha ordem.

Entremos em sua casa, deitei em seu sofá, ela colocava o filme eu a observava se atrapalhar com o vídeo, ela avançou os créditos iniciais.

Sentou-se no canto do sofá, coloquei os braços em sua cintura e a puxei para meu peito, ela estava tão quente, senti seu corpo ter um calafrio, sabia que meu corpo era muito frio então puxei a manta do braço do sofá e a enrolei para que não congelasse.

O filme começou, já conhecia a peça de cor, e Romeu me irritava um pouco.

– Sabe, eu nunca tive muita paciência com Romeu –

– Qual é o problema com Romeu?

– Bem, pra começar, ele está apaixonado por essa tal de Rosaline, você não acha que isso o torna um pouco inconstante? E depois, alguns minutos depois do casamento, ele mata o primo de Julieta. Isso não é muito inteligente. Erro depois de erro. Será que ele poderia ter acabado com a sua felicidade mais completamente?

– Você quer que eu assista isso sozinha? Percebi que ela não concordava com meus argumentos, mas mesmo para uma peça do século passado, Romeu era dramático demais, analisar suas reações durante o filme seria uma experiência bem interessante.

– Não, na maior parte do tempo eu vou olhar você, de qualquer jeito. – tracei linhas em seu braço sentindo ela se arrepiar, e pensei que como os humanos têm reações interessantes a histórias românticas e trágicas ela poderia também. – Você vai chorar?

– Provavelmente –  – Se eu estiver prestando atenção.

– Então eu não vou te distrair. – rocei meus lábios nos seus cabelos, sentindo seu cheiro, durante o filme mesmo sem olhar para a tela, sabia exatamente as falas de Romeu, sussurrava em seu ouvido, fiz isso todo o filme, durante a cena mais estupida do filme, na minha opinião, ela finalmente teve a reação que eu queria, ela chorou, quando julieta encontrava Romeu morto.

Mas mesmo sendo uma  atitude estupida, eu o invejava de certo modo.

– Eu admito, eu meio que o invejo nessa parte. – sequei suas lagrimas, e como sempre me surpreendi com sua dedução de minha inveja.

– Ela é muito bonita.- Que absurdo, ela achar que eu invejo a garota, se eu tenho algo bem melhor.

. – Não é garota dele que eu invejo, é só a facilidade do suicídio. – Vocês humanos morrem tão fácil! Tudo o que vocês têm que fazer é só engolir um extrato de planta…

Ela ficou perplexa  com meu argumento

– Como é? – .

Ela nem imaginava que já havia pensado na possibilidade de por fim a minha existência,

– Foi uma coisa na qual eu tive que pensar uma vez, e eu sabia pela experiência de Carlisle que não seria fácil. Eu nem tenho certeza de quantas vezes Carlisle tentou se matar no início… depois que ele viu no que tinha se transformado… – fiquei sério ao lhe contar. – E ele claramente ainda está em perfeita saúde.

Ela se virou com uma expressão de quem não entendia nada do que falava.

– Do que é que você pensa que está falando?  – O que é que você quer dizer com, isso é uma coisa na qual eu tive que pensar uma vez?

– Primavera passada, quando você foi… quase morta… – Tive que respirar fundo com as lembranças nada agradáveis lutei para voltar com um tom mais suave e zombeteiro para não a preocupar, mas na verdade essas lembranças eram as piores que minha mente perfeita tinha. Respirei fundo para explicar a ela  – É claro que eu estava focado em te encontrar viva ,mas parte da minha mente estava fazendo planos contingentes. Como eu disse, não é tão fácil pra mim quanto é pra um humano.

Em Phoenix passou pela minha cabeça que se eu não a encontrasse viva com James meu mundo, minha existência, não teriam mais sentido, e teria que por um fim a isso, eu corria para salva-la, não sabia se podia ser tão rápido, quando vi ela passar a mão na cicatriz, que a mordida de James deixou em seu pulso, e por aquele mesmo lugar eu suguei seu sangue, para expelir o veneno de seu corpo antes que fosse tarde demais, confesso que por uma única fração de segundo pensei que era melhor deixar ela se transformar do que eu sentir o gosto de seu sangue, tão desejado e atraente, eu poderia não ter parado, e assim ao invés de salva –la teria a matado, por pouco não foi o que aconteceu. Ela balançou a cabeça como se estivesse expelindo de sua mente as lembranças ruins, ela ficou pálida como se estivesse passando mau

-Planos contingentes? – ela repetiu como se não conseguisse entender ou não quisesse

– Bem, eu não ia continuar vivendo sem você. – Como ela não podia entender o óbvio? Rolei os olhos- Mas eu não tinha certeza de como poderia fazer isso, eu sabia que Emmett e Jasper nunca iam me ajudar… então eu pensei que poderia ir para a Itália e fazer alguma coisa pra provocar os Volturi.

Imaginei por um instante como seria, por fim a essa vida, se é que pode se chamar de vida.

De repente ela estava furiosa. Me fuzilou com seus intensos olhos castanhos.

– O que é Volturi? – ela quis saber.

– Os Volturi são uma família – então fiquei distante, para lhe explicar sem a assustar. – Uma família muito velha e muito poderosa, da nossa espécie. Eles são a coisa mais próxima no nosso mundo da família real, eu acho. Carlisle viveu brevemente com eles nos seus anos mais jovens, na Itália, antes de se assentar na América- você lembra da história?

– É claro que eu lembro.

############continua……

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