CAPÍTULO COMPLETO

11. Fortaleza de Sangue  – Parte I

Eu estava em total alerta quando percebi sua presença, seus passos eram de um exímio caçador, macios, discretos e imperceptíveis… A qualquer um, menos a mim, aproximou-se rapidamente imaginando que eu estava alheio a sua presença, mas nem em seus melhores dias poderia vencer minha velocidade, sem lhe dar tempo para piscar eu já havia desarmado seu bote encurralando-a no canto da parede de onde não escaparia nem que tentasse.

Os jogos de Leah sempre me deixavam extasiado, ela era linda, intensa e muito quente por baixo de toda aquela casca de dureza que repelia quem estava a sua volta, se escondia uma mulher doce, e até mesmo insegura, mas acima de tudo apaixonada. Quando vi a possibilidade de ficarmos juntos observando o futuro de Nessie, não tive como mensurar o quão intensa seria a força da impressão e principalmente a influencia que exerceria sobre mim.

-Isso não é justo droga! – encurralada na parede de nossa casa, ela lutava inutilmente contra a força dos meus braços.

-Quando vai aprender que não pode me surpreender? – eu segurava seus pulsos contra a parede enquanto observava seus protestos, me segurando para não rir de seus esforço inútil. – meu amor, tem de se conformar.

– Não me chame de meu amor! – ela gritava com raiva e arfava agitada contra a pressão que eu exercia em seus pulsos, o que me dava uma maravilhosa visão dos seus seios com o movimento brusco de sua respiração rápida, em especial porque estava vestida em uma camisa minha, branca desabotoada até o meio e com o mínimo movimento revelaria seus seios em todo o seu esplendor – você é um bruto!

– Não fale assim querida, desse jeito me ofende – falei com ar de ofendido, me afastando um pouco sem soltar seus pulsos, para observá-la por completo e pude constatar que não vestia mais nada além de minha camisa e que quatro botões mais abertos, poderia contemplá-la totalmente, meus pensamentos a muito já estavam impuros – tudo que faço é para te fazer feliz, sabe disso, mas não quer dizer que vou deixar que se engane – me aproximei de seu ouvido e sussurrei lentamente – sou mais forte que você. – lambi o lóbulo de sua orelha sentindo o tremor do seu corpo voltei a encarar seus olhos.

-Isso é o que você pensa – falou me encarando com ar de travessa que eu tanto amava – posso provar que sou mais forte que você – e tão rápido como uma raposa selvagem Leah me enlaçou com suas pernas, eu estava com meu robe aberto e a única peça que nos separava era uma box de seda, meu membro já estava em alerta e pude sentir que ela estava totalmente pronta para recebe-lo quando o tecido de minha box se umedeceu no momento que Leah aumentou a pressão de suas pernas ao meu redor. Ela sentiu que eu estava pronto e estremeceu ao meu redor, meu controle estava por um fio e ao sentir seu tremor, liberei a pressão que exercia em seus pulsos. Mais rápida que um gato selvagem ela já não estava mais lá.

– Isso não é justo Leah! – protestei, Leah estava sentada do outro lado do quarto no aparador embaixo da janela me observando com um sorriso esplendoroso nos lábios.

– E quem foi que disse que a vida é justa meu querido?  – ela sorria e com os olhos me desafiava, atendi ao seu pedido mudo.

– É assim mesmo que prefere? Que assim seja!.

Percebendo seu olhar na direção da janela aberta, eu fui mais rápido prendendo-a pela cintura antes que ela pulasse a janela, segurando-a por trás aproximei meus lábios do seu ouvido e perguntei:

– Tem certeza… – levei uma das mãos até o encontro de suas coxas e encontrando-a molhada e convidativa penetrei dois dedos fazendo com que gemesse alto em meu ouvido – de que vai fugir de mim? – e sem nenhuma palavra ainda de costas suas mãos encontraram minha box arrancando-a com um único movimento, seguindo sua iniciativa fiz o mesmo com a camisa que ela vestia – Essa é minha Leah – falei enquanto lambia sua orelha sentindo-a tremer em meus braços envolvi seus seios com minhas mãos fazendo movimentos circulares em seus mamilos, ela não se virou, deixou que eu conduzisse tudo a minha maneira, ela arfava e tremia e meu controle já estava por um fio, percebendo meu estado Leah se apoiou no parapeito da janela afastando suas costas de meu peito me distanciando de seu calor intenso, atendendo ao seu convite segurei seu quadril com firmeza e a penetrei de uma só vez com força e fundo – Assim! Delícia! –  arrancando um grito que soou como música aos meus ouvidos, continuei com as investidas e meus dedos a estimulavam do jeito que ela gostava, não demorou muito para que chegássemos ao ápice juntos. Me retirei lentamente de dentro dela.

– Não pare, continue! – Protestou Leah

Tomei-a em meus braços e segui para nossa cama, deitei e a coloquei sobre meu peito, acariciando seus lindos cabelos castanhos, agora nos ombros, ela ainda se recuperava de nossas travessuras quando eu disse:

– Eu te Amo  – ela levantou a cabeça e me olhou nos olhos

– Também te amo, você é muito importante para mim.

– Não, você é importante para mim, nem imagina o quanto. – Leah se sentou na cama desconfiada, puxou o robe branco que estava na cama e o vestiu.

– Narciso, o que está acontecendo, você tem andado muito estranho por esses dias, quer me dizer alguma coisa? – Me sentei ao seu lado

– Faz algum tempo que preciso conversar seriamente com você – seu rosto se fechou numa mascara de dureza rapidamente

– Eu sabia, não precisa dizer nada, basta ir embora e pronto. – o que? Será que ela não entende, como eu poderia abandoná-la? Ela já faz parte de mim.

– Ir embora? Leah eu não vou a lugar algum, a menos que você queira que eu vá. – claro que depois do que eu tenho pra dizer a ela, provavelmente ela não vai mais querer ficar comigo, por isso demorei tanto a tocar nesse assunto, mas eu não posso mais esconder nada dela.

– Eu querer que você vá? Por que eu iria querer isso?

– Meu amor, faz algum tempo que eu venho tentando conversar certos assuntos com você, mas não encontrei uma oportunidade e tive medo.

– Medo? De mim?

-Não, tive medo de não me querer mais depois do que eu vou te contar, me entenda, no início você sempre foi muito desconfiada, e apesar da intensidade do nosso sentimento, não sabia qual seria sua reação ao que vou lhe contar e pra dizer a verdade, ainda não sei.

– Está me deixando preocupada Narciso, conta de uma vez.

– Preciso que preste atenção a tudo que vou lhe contar, nossas vidas e a vida de muitos a nossa volta depende do que vou lhe revelar. Agora que nossa ligação é mais forte, penso que chegou o momento de saber toda a verdade, eu só espero que depois disso continue ao meu lado, por que não me preparei para uma opção diferente, sinceramente não sei o que eu faria daqui em diante sem você e mesmo tendo o poder de ver o futuro essa foi uma possibilidade que eu não quis enxergar.

– Conseguiu, já estou preocupada! Por favor, fala logo!

– Vou dizer, só preciso que saiba que eu te amo, nunca nem por um minuto quero que duvide disso.

– Acredito em você meu amor, pode falar.

– Aro e eu somos irmãos.

Parte II

Éramos de uma família muito rica, na época em questão o pai de Marcus governava Volterra, e nosso pai era o segundo na linha de sucessão, tínhamos tudo de que precisávamos, uma vida confortável, mesa farta e podíamos escolher qualquer mulher do reino que quiséssemos, mas Aro sempre queria mais, tudo o que tínhamos não era o suficiente. Aro tinha sede de poder ele sabia que o herdeiro do trono era Marcus e não ele. Apesar de sua sede por poder Aro sempre foi covarde, não atacaria ninguém diretamente, sempre fora dado a artimanhas, mas como humano não tinha muitos recursos além de juntar aliados com o poder do dinheiro, “Aliados” que poderiam traí-lo a qualquer momento caso uma quantia maior lhes fosse oferecida e Aro tinha plena consciência disso.

Apesar de nossa situação abastada aquela era uma época de trevas, os vampiros atacavam livremente, sem limites, sem uma força que os controlasse, os primeiros imortais, a chegar em Volterra eram ainda muito inexperientes e ao atacarem durante a luz do dia se mostraram aos humanos , famílias inteiras foram dizimadas, os poucos humanos que restaram, apavorados, escondiam-se de tudo e todos, Volterra tornara-se uma cidade fantasma. Buscando uma maneira de proteger seus súditos e evitar a extinção de seu reino meu tio Donatus acionou seu exército para a batalha.

-Narciso meu filho, está à frente de meu exército há certo tempo, és valente e já venceu mais batalhas do que posso contar, mas não se engane, essas criaturas não são como homens comuns e sinceramente não sei como poderá derrotá-los – disse meu tio antes de sairmos para a batalha, eu liderava o exército de Volterra, ao contrário de meu irmão eu era um exímio lutador, tinha uma grande habilidade com as armas, não almejava poder como Aro, mas tinha orgulho do que eu fazia, proteger o reino e treinar bravos soldados, essa sempre fora minha vocação.

– Não se preocupe tio Donatus, meus soldados são muito bem treinados e estarei liderando o exército, não tem como eles nos vencerem. – Eu era um tolo, orgulhoso e me achava invencível, claro que eu não sabia que poderiam existir criaturas tão poderosas como aquelas, achava que habilidade era o que mais importava e que meu exército era insuperável. – Meus homens já estão a minha espera tio, partiremos ao amanhecer, não se preocupe, não voltaremos sem a vitória.

– Narciso, em todo o reino não existe soldado mais talentoso que você, tão pouco um exército mais poderoso que o seu, porém, peço que não subestime essas criaturas, não quero perdê-lo, seu exército é de longe nossa última esperança. – Donatus temia e com toda razão era um homem justo e sensato, apesar de tudo que meu pai me ensinou sobre honra e cuidado, eu era ainda muito jovem, como eu disse era talentoso e deixei o orgulho me subir à cabeça, acreditava cegamente que não encontraria um adversário a minha altura, sendo ele homem ou não, para mim aquela batalha era só uma questão de tempo, que nossa vitória era certa.

– Como quiser tio, prometo que terei cuidado, se assim ficares mais calmo. – contrariado com a falta de confiança de meu tio, tratei de encerrar aquele assunto com as palavras que ele desejava ouvir. Não me entenda mal, eu respeitava meu tio, mas era ainda muito jovem e tolo como disse. Saí do recinto me sentindo ofendido e disposto a provar a Donatus que eu era capaz, que toda aquela conversa fora inútil e sem sentido, mal sabia eu que nunca mais veria meu tio, pelo menos não como humano que acabara de sair dali.

Aquela seria minha última noite como humano, eu tinha apenas 27 anos, era tolo e imaturo, um bravo e talentoso soldado, mas orgulhoso e soberbo, acima de tudo eu amava a vida. Já nos primeiros raios de sol da manhã seguinte marchei com meu exército para fora da fortaleza de volterra, o cenário que encontramos fora dos portões era inacreditável. Volterra era famosa pela vitalidade e alegria de seu povo, era uma linda cidade com casebres rústicos construídos a volta da fortaleza, era rodeada por campos muito verdes que transbordavam vida, onde os camponeses trabalhavam cultivando suas plantações para seu sustento e de sua família, o que encontramos não lembrava em nada a bela terra onde nascemos e pela qual lutávamos há tanto tempo.

O cenário era desolador, havia morte por todo lado e um silêncio agourento, não se ouvia nada além do soprar do vento nas árvores, continuamos marchando agora em alerta total, apesar de orgulhoso e dono de mim, eu sabia que uma criatura que causa tamanho estrago, capaz de calar até mesmo as vozes dos animais a nossa volta, tinha de ser no mínimo respeitada.

A neblina das primeiras horas da manhã deixa o ambiente ainda mais sombrio, nossa visibilidade era limitada, apesar do cenário sombrio e de nossas limitações como humanos, não estávamos preparados para o que enfrentaríamos. Avançamos ainda mais nas terras de Volterra e quando nos aproximamos das florestas eles surgiram, ou melhor dizendo, elas, sim, eram vampiras.

Estava eu liderando um exército de quinhentos homens valentes e exímios lutadores, quando nos vimos frente a frente com quatro criaturas que eu só poderia descrever como deusas, eram as mulheres mais lindas que já havíamos visto, a pele branca como porcelana, três delas tinham os cabelos muito negros que pendiam soltos até a cintura, e a quarta era loura e tinha os cabelos presos em uma trança bem elaborada que também pendia até a cintura, traços delicados como anjos, usavam vestidos completos com espartilhos e saias volumosas, como princesas. Idealize quinhentos homens equipados para uma guerra se deparando com criaturas que aparentavam frágeis e gentis e que a maioria de nós sonhava possuir algum dia, não cabia em nossa cabeça a possibilidade de criaturas como aquelas representarem alguma ameaça, mesmo que mínima. Meus homens assim como eu estavam hipnotizados pela visão delas.

Deslizando suavemente sobre a relva molhada da manhã elas saíram da proteção das sombras das árvores, deixando sua pele ser banhada pela luz do sol, o brilho de sua pele era estranho, mas não foi o suficiente para quebrar o encanto que elas exerciam sobre todos nós, foi então que eu vi, o sorriso sombrio da jovem loura e a frieza dos seus olhos, ela fez um sinal quase imperceptível, comandando as outras e antes que eu pudesse piscar gritos e pedidos de socorro vinham do flanco esquerdo de minha tropa, elas não estavam mais a nossa frente, estavam atacando meus soldados, sem piedade.

A velocidade com a qual se moviam era impossível de acompanhar a olhos humanos, minha tropa estava sendo dizimada impiedosamente, não tínhamos a menor chance de vencer aquela batalha, mas como soldados não iríamos ficar parados esperando a morte, estávamos em uma campina plana, não havia esconderijos, como se algum esconderijo fosse nos proteger delas.

Em meio aos gritos e aos corpos que se multiplicavam sob nossos pés tomei a única decisão que poderia naquele momento, e dei a ordem. Ordem essa que jamais pensei que sairia de meus lábios para o meu exército tão bem treinado.

– RECUAR! HOMENS RECUAR – Batemos em retirada, ou melhor, os que sobreviveram bateram em retirada, eu não poderia deixar o campo de batalha, eu era o general daquele exército e lutaria até o fim, mesmo sabendo que era uma batalha perdida. Com minha espada em punho parti para o ataque, a vampira loura estava entretida com o corpo de um dos meus soldados, aquela cena me encheu de fúria e corri em sua direção. Quando dei por mim estava estirado no chão, não sei precisar de que direção o golpe viera, mas quem o desferira estava bem encima de mim, aqueles olhos sombrios e felinos me encarando com tanto prazer, eu sentiria medo se não estivesse com tanto ódio. Ódio do que aconteceu com meus soldados, ódio daquele ser maligno que destruíra minha terra e tudo o que eu mais amava.

A vampira loura estava sentada sobre meu corpo e me encarava extasiada de prazer, ela vira o ódio em meus olhos e por isso resolveu me deixar viver, ela não estava sendo piedosa, nem de longe. Queria me punir por desafiá-la, e sabia como fazer isso, me transformaria no ser que eu mais odiava, me faria ser como ela. Eu estava imobilizado subjugado por sua força sobre humana, minhas tentativas de fuga eram inúteis, nem me mexer direito era possível, eu podia ver a diversão em seus olhos, a satisfação que um felino sente quando captura sua presa, ela se aproximou lentamente em direção ao meu pescoço, depositou um beijo gelado e mordeu leve e rapidamente.

O fogo me consumiu imediatamente, partindo do ponto em que ela mordera, a dor era visceral, em meio a convulsões e espasmos, observei enquanto as quatro se afastavam do campo, me deixando sozinho, ou melhor, rodeado de corpos sem vida. Naquele momento pensei que estava me tornando um deles, um dos soldados sem vida, achei que a dor que sentia significava a chegada da morte, meu coração após três dias parou de bater, meu corpo ficou gelado e duro como pedra, mas continuei vivo e quando passou meu sofrimento entendi o que tinha me tornado.

 

Parte III

 Minha transformação fora dolorida, angustiante, o fogo queimava sem piedade tudo dentro de mim, quando despertei como se não fosse o bastante tudo que eu já havia sofrido, ela me atacou em cheio.

A sede. Nunca pensei que desejaria algo com tamanha intensidade, sangue era a única coisa que aplacaria a necessidade que eu estava sentindo, minha garganta queimava e minha mente girava em torno de uma única palavra, SANGUE.

Tentei colocar a mente no lugar, aos poucos recobrei o controle, a transformação não trouxera apenas a sede, mas um turbilhão de sentimentos e sensações que como humano não sabia que existiam.

Era como um furacão sem controle, minha mente não se concentrava em uma coisa de cada vez, mas trazia tudo à tona ao mesmo tempo, meus sentidos foram potencializados de uma forma inexplicável, eu sentia a energia percorrendo todo o meu corpo, a humanidade que havia em mim evaporara, como se nunca tivesse existido, tudo em mim era selvagem e gutural, cada mínimo movimento trazia uma gama de sensações, eu não conseguia me concentrar em nada em particular, queria sentir tudo de uma só vez.

Aos poucos fui me dando conta do espaço a minha volta e o campo no qual cai aos pés da linda vampira loura já não estava mais ali, eu me encontrava em um casebre visivelmente abandonado havia ali uma cama na qual eu me encontrava, uma mesa velha e duas cadeiras, sobre a mesa tinha um pedaço de pão velho e uma vela pela metade, ao lado da cama tinha uma cadeira que suportava uma bacia com água e um tecido para compressa, concluí que o casebre deveria ser de uma das famílias assassinadas do povoado de Volterra, mas a pergunta era: Quem me levara para lá? Pois claramente eu não fora com minhas próprias pernas e quem quer que tenha sido cuidara de mim, ou pelo menos tentara fazê-lo. O mais importante era: Por que tiveram o trabalho de me levar para um casebre e me abandonar lá? Não havia ninguém ali, isso era visível, certamente quem me pusera ali pensara que eu tivesse morrido e fora embora. Mas se era assim, por que não me sepultaram?

Eram muitas perguntas sem resposta e a sede não diminuía. Foi no momento em que voltei minha atenção para a sede que a porta do casebre se abrira e quando dei por mim, já era tarde demais.

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