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Atualizado! Segunda Parte Logo depois dos Asteriscos

10 Despedidas

Eu estava em estado de choque, meu corpo convulsionava com a violência de meu desespero, as lágrimas eram intensas e não tinham intenção de Cessar tão cedo, a percepção de que Jake não queria nosso filho disparou uma dor imensa, nunca pensei que seria capaz de suportar um sentimento tão intenso e cruel, o chão escapara de sob meus pés, meu porto seguro, aquele a quem eu entregara meu coração e toda a minha vida, me abandonou, não, pior, ele renegou meu filho, nosso filho!

Qual o sentido de tudo isso eu simplesmente não consigo imaginar, como é que alguém como Jake pode ser capaz de algo tão baixo, Adan não tem culpa nenhuma do que nós somos, como ele foi capaz de virar as costas para o próprio filho?

A chuva caia sem piedade encharcando o chão, as árvores estavam pesadas, o céu escurecia, a noite não tardaria a chegar, o crepúsculo anunciava a hora mais sombria do dia e refletia a solidão da minha alma, se é que eu tenho uma. Procurando alguma reserva de força dentro de mim, levantei-me e segui para dentro da gruta, meu coração em pedaços, mas eu teria de ser forte, meu filho não tinha o apoio de seu pai, mas sua mãe não falharia com ele, pensei colocando as mãos sobre meu ventre.

Eu estava me sentindo solitária, Jake me desamparara, meu pai, meu avô e meus tios, andavam pelos cantos tramando contra minha gravidez, eu não podia voltar para casa e colocar Adan em risco, agora seríamos apenas Adan e eu, já que não podia mais contar com minha família.

Não pensei muito bem como faria, quando dei por mim já estava na varanda da casa, molhada, suja, e desolada. Não ensaiei um discurso, ou algo do tipo, poderia ter entrado facilmente por uma janela sem ser notada, mas não queria me esconder. Bati na porta, um minuto mais tarde ela se abriu.

-Meu Deus Nessie, o que houve? – Charlie me olhava assustado, tentando imaginar por que me encontrava naquele estado lastimável.

-Vô, posso dormir aqui hoje? – perguntei me lançando em sua direção e sendo amparada de braços abertos.

– Claro que sim meu anjo! Mas por favor, me diga o que aconteceu. – Charlie me levou pra dentro da casa, tudo ali continuava igual, o velho sofá na frente da TV de tela plana, na mesinha junto do sofá uma caneca de café quente ao lado de um livro que fora deixado as pressas com a página dobrada. Nunca imaginei que Charlie fosse amante de leitura, me pareceu um livro de suspense policial, mas no momento isso não era importante – Sua mãe sabe que está aqui? E Jake? Como podem deixar que ande sozinha desse jeito? – Olhei para ele suplicante, não queria pensar neles agora.

-Por favor, não diga a ninguém que estou aqui, pelo menos até amanhã. Eu só preciso tomar um banho e dormir um pouco. – eu precisava pensar no que fazer e ninguém melhor que Charlie pra me ajudar, sua política com nossa família sempre foi saber apenas o suficiente. O que infelizmente não parecia se aplicar a mim, mas eu podia compreender, pelo estado em que me encontrava que ele não ficaria tão calmo como de costume.

-Tudo bem minha filha, vem que eu te ajudo a subir, vou te acomodar no quarto que foi da sua mãe, lá tem algumas roupas dela, que vão servir em você. – subimos e Charlie me acompanhou até o quarto, pegou algumas roupas antigas da minha mãe e colocou-as sobre a cama. – Tome um banho e descanse um pouco, mas depois conversaremos. – Não foi um pedido, mas um aviso, eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria de dar algumas explicações. Agora, porém, eu precisava colocar minha cabeça no lugar.

-Tudo bem vovô obrigada por me entender. – ele aquiesceu, depositou um beijo em minha testa e saiu fechando a porta atrás de si. Ouvi seus passos escada abaixo, apanhei uma toalha e as roupas que Charlie pusera sobre a cama, segui para o banheiro, a água quente corria pelo meu corpo trazendo uma sensação relaxante, me permiti desfrutar o momento, essa noite eu queria simplesmente esquecer os meus problemas e ser o mais normal possível, amanha eu encararia a realidade novamente. Terminei meu banho e me enfiem embaixo do edredom roxo que cobria a cama que fora de minha mãe.

Por mais que eu estivesse cansada, e acredite eu estava me sentindo exausta, o sono não vinha, minha mente estava um turbilhão, cansada de rolar na cama, acendi a luz do abajur e abri a gaveta do criado mudo ao lado da cama, encontrei um exemplar surrado do livro O morro dos ventos uivantes, descartei na hora a possibilidade de leitura, não estava com cabeça para isso e minha vida já tinha tragédias e dramas suficientes, devolvi o livro a gaveta. Dei uma boa olhada pelo quarto, um lugar sem luxo, mas aconchegante, a vida da adolescente normal que minha mãe tivera até conhecer o meu pai. Um mural de fotos na parede com momentos eternizados da minha mãe com minha avó Renee, e meu vô Charlie, tudo tão sadio e simples, o que eu não daria para ter uma vida normal e sem todas essas lutas e preocupações, o mundo real, o meu mundo é muito mais complicado e mortal, acima de tudo mortal.

É engraçado perceber que nunca antes havia dormido na casa do meu avô Charlie, ele sempre fora presente e minha mãe me trazia aqui com certa frequencia quando eu era menor, mas não me lembro de termos passado a noite aqui. Meu estômago deu sinal de que está vazio a tempo demais, desci para providenciar algo na cozinha, Charlie já estava dormindo e procurei não fazer barulho, me servi de cereais e leite, já fazia algum tempo que eu não me alimentava de sangue e eu não estava sentindo a menor falta, isso realmente era surpreendente, acredito que Adan tem muita responsabilidade por minha preferencia gastronômica atual. Terminei de comer e voltei para o quarto, resolvi descobrir um pouco mais sobre a vida normal de minha mãe, já que o sono realmente me abandonara. Encontrei alguns Cds, deveres antigos, recortes de fotos dos amigos da escola e algo que me chamou atenção de imediato: Um livro das lendas Quileutes, ele tinha algumas páginas marcadas, contando a história do seu inimigo natural – Os Frios – era assim que o livro se referia a minha raça, os frios. Dentro do livro algo despertou meu interesse. Uma carta de Jacob. Uma carta antiga, de Jacob para Bella.

Não era certo eu sei, Não era da minha conta, afinal eu sabia que eles tiveram um passado em comum antes de eu nascer, mas foi mais forte do que eu.

Bella,

Não sei por que você está fazendo Charlie levar bilhetes ao Billy como se estivéssemos na segunda série – se eu quisesse falar com você, teria atendido o.

Foi você que escolheu, tá legal? Não pode ter as duas coisas quando

Que parte de “Inimigos Mortais” é complicada demais pra você?

Olha, sei que estou sendo um imbecil, mas não há como.

Não podemos ser amigos quando você fica o tempo todo com um bando de

As coisas só ficam piores quando eu penso demais em você, então não escreva mais.

Sim, eu sinto sua falta também. Muito.

Isso não muda nada. Desculpe.

Jacob.

  

Ciúme? Não foi o que eu senti. Aquela carta me fez entender o tamanho da repulsa que Jacob sente pelos da minha raça, ele nem conseguia mencionar na carta uma referencia aos “Frios”. Ele aguentou ficar comigo por causa da maldita Impressão, mas quando soube de Adan – O Filho de um FRIO – não podia permitir que seu sangue se misturasse a um ser tão desprezível para ele, agora estava tudo muito claro, tudo se encaixava perfeitamente.

A decisão veio rapidamente, sem deixar margens para dúvidas ou arrependimentos, sem Jacob não havia mais sentido ficar aqui, eu não suportaria olhar pra ele depois disso, minha família tramando algo as escondidas, eu não poderia confiar em ninguém, teria meu filho longe de tudo isso, longe de toda essa loucura, ninguém mais precisaria se preocupar conosco, agora seríamos apenas Adan e eu.

Fiz uma mala com algumas roupas que encontrei no armário de minha mãe, escrevi uma carta para Charlie, me desculpando por tudo e pedindo para que não se preocupasse comigo e uma outra para que ele entregasse a minha mãe.

Desci pela janela, escondida no meio da noite, meu destino ainda era incerto, sabia apenas que não poderia mais voltar.

 

***

 

Jacob

 

-Como não sabe onde ela está? Nessie não pode simplesmente ter desaparecido – Edward estava fora de si. Assim que Alice apareceu na porta do chalé dizendo que Aro queria Ness morta, todos entramos em pânico, corri até a gruta a procura dela, mas a encontrei vazia, a chuva estava muito forte e limpara todo e qualquer rastro que Ness possa ter deixado, junto com seu rastro se foi também nossa sanidade. Percorremos incansavelmente todos os lugares por onde ela pudesse estar e não encontramos nada, por mais que Alice tenha visto algo que ainda vai acontecer, todos sabemos que com a decisão tomada a ordem pode ser dada a qualquer momento e imaginar que Ness está sozinha e desprotegida em algum lugar longe de nós não nos deixa nem um pouco calmos. Os ânimos de todos estavam alarmados, a preocupação era tangível e palpável.

-Já procuramos por toda parte Edward, será que Aro a encontrou primeiro? – Bella estava desesperada, mas foi a única que conseguiu verbalizar a pergunta que nenhum de nós foi capaz da fazer, Edward estreitou seus olhos, eu sabia bem o que ele estava fazendo, sondava a mente de Alice pra saber o que ela vira. Como sempre querendo poupar Bella do pior. Só que Alice foi mais rápida e respondeu prontamente.

-Não Edward, estou monitorando cada passo de Aro e sua corja, ele ainda não deu a ordem. O que eu não vejo é o porquê ainda não ordenou, já que a decisão é clara como água, algo me diz que ele está se esforçando muito para esconder alguma coisa muito importante de nós. – Alice com sua voz de soprano tentava acalmar os ânimos, mas estava tão abalada quanto todos nós. – Talvez se eu me esforçar mais eu consiga ver o futuro de Ness – ela se culpava por não ser capaz de enxergar os caminhos de Ness, a alegria sempre presente em seu rosto transformou-se numa mascara de remorso e tristeza. Nenhum de nós a culpava de nada entendíamos que Alice não tinha como controlar seu dom da maneira que quisesse, especialmente em se tratando de híbridos como Nessie e eu, ela simplesmente não conseguia nos “ver”. Ainda assim vê-la tão derrotada não ajudava em nada. E o mais intrigante, entretanto era imaginar o que Aro tentava esconder com tanto afinco, já que o que mais nos importava, ele obviamente sabia que já era de nosso conhecimento.

Tudo estava muito confuso e os caminhos estavam se estreitando cada vez mais, o confronto seria inevitável, então o que era tão importante na opinião de Aro que os Cullens não deveriam saber?

-Alice, não tem por que se culpar sabemos que não depende de você minha querida. – como sempre Esme tenta ajudar a todos.

-Ok. Sabemos que Aro ainda não a encontrou, mas o problema é que nós também não! – toda essa sessão de lamentos tinha de acabar, precisávamos agir o mais rápido possível.

-E o que propõe que façamos cachorro? – Aquela loura não sabia com quem estava mexendo, essa definitivamente não era a hora mais apropriada para me irritar! – já reviramos Forks de cabeça pra baixo e não encontramos nem o cheiro dela? Isso é culpa sua Edward – acusou Rosálie sem piedade. – O tempo passa e você simplesmente não aprende, tinha que tramar as escondidas contra a gravidez dela?! –Espera um pouco. O quê? Isso era novidade para mim.

– Edward fez o que? – perguntei incrédulo e olhei para Bella com a pergunta que não precisei verbalizar para que ela respondesse.

-Ness me contou que ouviu uma conversa entre Edward, Carlisle e Jasper a respeito de sua gravidez e eu pedi ajuda a Rosálie para que pudéssemos apoiar Nessie.

-E o que exatamente ela os ouviu conversando?

-Nada muito concreto, mas nós sabemos que Edward faria qualquer coisa pra preservar Nessie assim como não sabemos o que esperar dessa gravidez dela, as conseqüências podem ser irreversíveis.

-Todos temos conhecimento disso, mas essa não é uma decisão que caiba a ele, isso só diz respeito a Ness e a mim!

-É a vida da minha filha que está em jogo, e você acha que não me diz respeito? – perguntou Edward furioso.

-É a vida da minha esposa e do meu filho que estão em jogo, você não tem o que decidir! – quem Edward pensa que é para jogar com nossas vidas desse jeito? Ela é filha dele? Isso não dá o direito dele decidir sobre a vida ou a morte do meu filho! Tudo estava ficando vermelho, não demoraria muito pra o lobo explodir e vir à tona.

-Em primeiro lugar Jacob, eu tenho todo o direito sim! Em segundo lugar, eu não estava tramando contra a gravidez dela. – Tentei me acalmar para conseguir prestar atenção no que ele dizia, Bella estava tensa, pronta para se colocar entre nós dois se algum de nós perder o controle. – estava apenas conversando com Carlisle e Jasper para me ajudarem a vigiar Ness, e qualquer mudança que pudesse ser preocupante, não faria nada que fosse contra a vontade dela, já aprendi minha lição com a Bella.

-Se é assim, então por que tanto segredo? – apesar de Edward não ter mentido pra mim antes, não estou certo se devo acreditar nele agora.

-Por que não queria preocupar Nessie antes da hora. – Eu já devia esperar por isso.

-Parece que você não aprendeu a lição tão bem quanto devia Edward, não se lembra que foi tentando proteger Bella que a deixou e sempre escondeu tudo dela? – a menção desses episódios era visível o sofrimento que causavam aos dois, Bella se contraiu levemente assim como Edward, mais eu precisava falar tudo. – E o que as suas atitudes causaram? Deixe-me refrescar a sua memória, causou dor, sofrimento e por pouco não destruiu vocês dois e quem estava a sua volta.

-Jacob, não acho que seja o melhor momento para trazer o passado de volta – Carlisle veio em nossa direção antevendo o que poderia se tornar uma briga.

-Com todo o Respeito que eu tenho por você doutor, acho que essa é a melhor hora sim, por que graças aos erros de Edward estamos aqui sem saber onde encontrar Ness!

-Espere um pouco Jacob, não tente colocar toda a culpa no Edward, por que pra começo de conversa ela estava discutindo com você antes de fugir – Bella se colocou na defesa de Edward, por que eu não fico surpreso com isso?

-Na verdade, Bella, foi tudo um mal entendido e você sabe disso, nó já conversamos sobre o assunto.

-Assim como estamos conversando agora e descobrimos que com Edward também foi um mal entendido – Ok, agora ela estava certa e eu tinha que concordar, mas a raiva e a preocupação estavam me enlouquecendo – em vez de ficarmos procurando culpados, temos é que pensar juntos em uma solução.

-Isso mesmo! Temos que encontrar a Ness o quanto antes e depois chutar os traseiros dos Volturis – Emmett sutil como sempre!

-Tudo muito lindo e poético, mas eu quero saber como vamos fazer para encontrá-la? Estou aceitando sugestões. – Em meio a minha tensão crescente, não percebi o momento em que Alice atravessou a grande sala da casa dos cullen e se posicionou atrás da porta. Eu sabia que estava sendo ríspido e agressivo ao responder a observação de Emmett, mas simplesmente não sabia mais o que fazer, o tempo estava contra nós, Tudo estava contra nós! Foi quando eu ouvi os passos atrás de mim e aquela voz inconfundível que disse:

-Talvez isso possa ajudar. – E ali estava Charlie me estendendo um pedaço de papel, onde imediatamente identifiquei a letra de Nessie.

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