Ela me encarou perplexa, vendo minha pele se iluminar a luz do sol, soltando faíscas como se espelhasse um diamante.

Fiquei deitado na grama, imóvel. A camisa aberta, os braços a mostra e com os olhos fechados pude sentir a respiração de Bella bem próxima e seus olhos me encarando. Eu podia sentir nas suas reações o pavor e a ansiedade.

Eu estava nervoso, nostálgico. Queria falar, mas não encontrava as palavras certas então para me distrair, comecei a cantar a canção do meu coração, a canção de ninar de Bella, somente para mim e para meus ouvidos.

Olhei brevemente e Bella estava enrolada, com o queixo sobre seus joelhos me observando. O vento calmo soprando em seus cabelos.

Fechei meus olhos novamente, sem que ela percebesse que os tinha aberto.

Seus dedos leves alisaram as costas de minha mão fria. Controlei minhas emoções o máximo que pude, então abri meus olhos novamente e a observei. Minha mente vazia, só olhando suas reações, desvendando seus pensamentos.

“Eu não te assusto?” – brinquei, mas estava realmente preocupado.

“Não mais que o normal”.

Não mais que o normal. E o que seria normal para Bella? Lhe sorri abertamente. Não sei se aliviado, nem sei se assustado.

Ela chegou mais perto, abrindo a mão pra tocar os contornos do meu braço com as

pontas de seus dedos que estavam trêmulos.

Estava novamente com meus olhos fechados, aproveitando o calor da sua aproximação, o calor do seu toque.

“Você se incomoda?”, ela perguntou baixo, quase num sussurro.

“Não” – disse sem abrir meus olhos.- “Você não pode imaginar o que isso me faz sentir” – não pude evitar um suspiro. A tempos eu esperava senti-la assim.

Seu calor, sua pele. Cada toque deixava um caminho quente na minha pele por onde seus dedos percorriam. Senti seu toque suave em meu braço, nos meus músculos, chegando próximo ao meu cotovelo.

Senti sua outra virando a minha mão e eu a retirei sem perceber. Ela congelou em meu braço. Só então percebi o que fiz.

“Me desculpe” – a olhei e tornei a fechar meus olhos. – “É fácil demais ser eu mesmo quando eu estou com você”.

Ela ficou virando minha mão pra cima e pra baixo, levantou-a perto de seu rosto. Sei porque senti seu hálito quente.

“Me diga o que você está pensando” – sussurrei, a observando – “Ainda é estranho pra mim, não saber”.

“Sabe, o resto de nós se sente assim o tempo inteiro”. – ela afirmou.

“É uma vida injusta.. mas você ainda não me disse”. – perguntei novamente.

“Eu estava desejando saber o que você estava pensando…” ela respondeu.

“E…?”

“Eu estava desejando poder acreditar que você é real. E eu estava desejando não ter

medo”.

Não ter medo?

“Eu não quero que você sinta medo” – soltei quase num lamento profundo.

Ela não precisava temer mais, apesar de ser o normal, eu não a machucaria, não a atacaria.

“Bem, não é exatamente desse medo que eu estou falando, apesar de que isso realmente é algo em que eu devia estar pensando”.

Me sentei intrigado, sem entender então do que ela sente medo, apoiado no braço direito minha palma esquerda ainda segurando sua mão.

Me aproximei de seu rosto sem que ela se afastasse e parei.

“Do que você está com medo, então?” – sussurrei.

Mas ela não respondeu. Se aproximou ainda mais e inalou o ar próximo aos meus lábios.

Senti como se fosse a primeira vez que a vi. O gosto do seu hálito, o gosto do seu sangue. Minha garganta ardeu e meu instinto assassino me fez desejar devorá-la naquele exato momento.

Nem um segundo se passou e eu me vi debruçado sobre ela, tirando o ar de seus pulmões, tirando a vida de seu frágil corpo.

Meu corpo implorava por seu sangue. Minha boca encheu-se de água, num misto de desejo pelo sangue e desejo em beijá-la; eu estava completamente desprevenido e num salto me escondi a sombra de uma arvore, a uns três metros de distância de Bella.

Eu não entendia o misto de desejos dentro de mim e eu não sabia o que fazer exatamente.

Mas precisava controlar a minha fúria, o instinto de saboreá-la.

Tentei me concentrar no calor que suas mãos deixaram na minha quando me afastei, me concentrei em seus olhos arregalados procurando por mim.

“Me…desculpe…Edward” – ela sussurrou.

“Me dê um momento” – respondi com todas as minhas forças, mas ainda muito baixo, o suficiente para que ela escutasse.

Na minha cabeça deixei somente a campina, era fácil ouvir o silencio sem os pensamentos de Bella, deixei a certeza de Alice que eu não a machucaria, afastei os murmúrios de Jasper que dizia que pra ele, todos cheiravam bem e afastei completamente Emmet da memória e suas lembranças do melhor sangue que ele já havia provado anos antes.

Tentei me concentrar em Bella, sentada rígida e assustada.

Poucos segundos se passaram, porém como a eternidade para mim.

Senti que os instintos se acalmavam e o desejo de estar com ela retomava novamente meu corpo. Voltei muito lentamente, porem ainda a vários passos de distância e me sentei no chão, cruzando as pernas, sem desgrudar os meus olhos dos dela.

Respirei fundo duas vezes, testando meus reflexos, testando o ar a nossa volta.

Eu estava forte novamente. Forte para este desejo, o de matá-la, mas não forte o suficiente para algo novo, esse desejo de tê-la como mulher.

“Eu sinto muito” – hesitei – “Você entenderia se eu dissesse que sou apenas humano?”

Ela afirmou com a cabeça, ainda muda. Sorri zombeteiramente para ela, entendendo o pulsar de suas veias e o acelerar de seu coração como se seu instinto, finalmente estivesse em alerta.

“Eu sou o melhor predador do mundo, não sou? Tudo em mim é convidativo pra você, minha voz, meu rosto e até meu cheiro. Como se eu precisasse disso!”

Me coloquei em pé e andei pela campina, rápido demais para os olhos dela e voltei para a árvore de antes, circulando a clareira.

“Como se você pudesse fugir de mim”. – sorri amargamente, me recordando dos segundos que antecederam a esta conversa.

Agarrei o tronco de uma árvore e com facilidade arranquei de seu solo com sua raiz, segurei no alto e a joguei para longe, voltando novamente para Bella, a uns dois passos de distância.

“Como se você pudesse me vencer” – lhe disse gentilmente, os olhos nos dela.

Ela se sentou imóvel, pálida, com medo.

Eu estava me mostrando a ela, realmente como sou. A excitação e o medo me dominavam. Sem saber o que ela pensava, sem saber se ela aceitava.

Seu rosto era a minha única leitura e desta vez seu rosto estava congelado, incrivelmente lindo e assustado.

Me entristeci por ver nitidamente o medo em seus olhos.

“Não tenha medo” – murmurei – “Eu prometo…” – prometer é muito pouco, ela precisa acreditar, eu preciso acreditar – “Eu juro que não vou te machucar”.

E repeti para mim mesmo: Você jurou e não voltará atrás em sua palavra.

“Não tenha medo” – sussurrei novamente, me aproximando com uma lentidão exagerada e me sentando próximo dela até que nossos rostos ficassem na mesma altura a apenas alguns centímetros de distância.

Estava preocupado em reparar meu desequilíbrio, em deixá-la a vontade novamente comigo.

Estava receoso destes poucos momentos em que pude me revelar, de que Bella tenha finalmente entendido o perigo que corre estando aqui sozinha, mas não posso mais me afastar e eu preciso de sua força para acreditar na minha.

“Por favor, me perdoe” – lhe disse formalmente – “Eu posso me controlar. Você me pegou de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora”.

Fiquei em silencio, esperando sua resposta que não aconteceu.

Percorri rapidamente meu cérebro, tentando imaginar algo que a fizesse sair daquele transe. Do choque de me ver como sou.

Tentá-la fazer entender que eu estava controlado, que isso me fez perceber o quanto sou forte, o quanto me controlo por ela.

“Eu não estou com sede hoje, honestamente” – foi a única coisa que consegui dizer piscando para ela zombeteiro.

Ela riu ainda com a voz tremula e sem fôlego.

“Você está bem?” – perguntei, colocando cuidadosamente e muito devagar minha mão sobre a dela.

Ela acompanhou o movimento e fixou-se em meus olhos.

Sendo eu um vampiro, não correm lágrimas de meus olhos, mas neste momento sinto como se meu coração estivesse em pedaços.

Ela pareceu perceber minha angustia e voltou a olhar para as minhas mãos e a tatear com as pontas de seus dedos, então levantou o rosto e sorriu tímida.

Ela me surpreendia. Suas reações nunca eram naturais.

Lhe devolvi o sorriso aliviado e alegre.

Eu definitivamente, gostaria de ir além, de me aproximar mais ainda dela.

Resolvi retomar o assunto em que estávamos antes do meu ataque. Sorri para mim mesmo com o pensamento.

“Então onde é que nós estávamos, antes de eu me comportar tão rudemente?” – questionei.

“Eu honestamente não me lembro” – me respondeu.

Me senti envergonhado.

“Nós estávamos falando sobre porque você estava com medo, sem contar as razões obvias”. – relembrei.

“Ah certo”

“Então?”

Esperei paciente, enquanto ela olhava para as minhas mãos e as tocava de forma a me sentir quente novamente.

Eu imaginei o que ela estava pensando, o porque da demora em me responder.

Estaria com medo de mim? Com medo de que? Eu poderia ler sua mente, mas Bella não era normal assim como eu não sou.

Me senti extremamente frustrado, como tantas outras, ao tentar desvendar Bella e realmente não conseguir.

Suspirei entre a frase – “Como eu fico frustrado facilmente”.

Ela me olhou e como um lampejo de luz, pareceu entender o que se passava em minha mente. Tudo isso era muito diferente para mim, tudo novo.

Cada som, cada desejo, a frustração, a angustia. Todos os sentimentos misturados, enraizados na minha pele. Cravados no meu peito, emaranhados em minha mente.

Seus olhos se iluminaram e ela respondeu.

“Eu estava com medo…porque, bem, por razões óbvias, eu não posso ficar com você. E

eu tenho medo de querer ficar com você, mais até do que eu devia” – ela olhou para baixo, para as minhas mãos enquanto falava.

“Sim” – concordei – “Isso é algo pra se temer, realmente. Querer ficar comigo. Esse realmente não é o seu melhor interesse”.

Ela fez uma careta.

“Eu já devia ter ido embora a muito tempo” – suspirei – “Eu devia ir embora agora. Mas eu não sei se consigo”.

Sentia-me em pedaços só em pensar em me separar dela.

“Eu não quero que você vá embora” – ela murmurou pacientemente, olhando pra baixo de novo.

“E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa

essencialmente egoísta. Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu

devia”.

“Eu fico alegre”

“Não fique!”. – retirei minha mão o mais gentilmente possível desta vez; minha voz estava mais grossa. Eu sentia a necessidade de alertá-la a todo o tempo do perigo que corria, a necessidade de lembrar a mim mesmo do perigo em que eu a coloquei.

“Não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso. Nunca se

esqueça de que eu sou muito mais perigoso pra você do que pra qualquer outra pessoa”.

Parei de falar encarando a floresta, vivenciando cada perigo em que eu a colocaria. A facilidade que teria em tirar a sua vida e satisfazer o monstro dentro de mim.

“Eu acho que não entendo o que você quis dizer- sobre a última parte” – ela disse.

Eu a encarei e sorri.

“Como eu vou explicar?” – zombei – “E sem assustar você…Hummm” – coloquei a minha mão de volta na dela, em resposta ela apertou minhas mãos as observando.

O calor de seu toque dominou meu corpo frio. Um prazer indescritível o calor.

“Isso é incrivelmente prazeroso. O calor” – suspirei.

Como explicar a Bella sem assustá-la?

“Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores? Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango?”

Ela afirmou com a cabeça.

“Me desculpe pela analogia á comida- eu não conseguia pensar em outra forma de

explicar”. – ela sorriu.

Tentando não assustá-la e lembrando que ela é meu prato predileto,, sorri sem graça.

“Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma essência diferente. Se você colocasse uma pessoa alcoólatra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se ela quisesse, se ela fosse uma alcoólica em reabilitação. Agora digamos que você coloca nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino- que enche a sala com o seu aroma- como você acha que ela reagiria?”

Nos sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro – tentando ler os

pensamentos um do outro.

Então quebrei o silêncio. Talvez ela entendesse melhor de outra forma.

“Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o brandy.

Talvez o nosso alcoólico devesse ser um viciado em heroína”.

“Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroína?” – ela brincou.

“Você é exatamente minha injeção de heroína”. – sorri entendendo seu esforço em amenizar o clima.

“Isso acontece sempre?” –  perguntou..

Me recordei das conversas com minha família e levantei meus olhos para o topo das arvores.

“Eu falei com os meus irmãos sobre isso. Para Jasper, todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou á família mais recentemente. A abstinência já é difícil pra ele por si só. Ele ainda não teve tempo pra desenvolver o olfato, as diferenças do cheiro, no sabor”. – sabor. Eu preciso tomar cuidado com as palavras. Olhei rapidamente pra Bella.

“Desculpe”, lhe disse.

“Eu não me importo. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o que quer que seja. É assim que você pensa. Eu posso entender, ou pelo menos tentar. Me explique como puder.”

Respirei fundo e olhei para o céu de novo.

“Então Jasper não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão”- hesitei procurando pela palavra certa – “atraente como você é pra mim. O que me faz acreditar que não. Emmett já está nessa a mais tempo, por assim dizer, e ele entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que já aconteceu com ele duas vezes, para ele, uma vez foi mais difícil que a outra”.

“E com você?”

“Nunca”.

A palavra ficou pendurada durante um momento no ar.

“O que Emmett fez?” – ela perguntou.

As memorias de Emmet voltaram vivas em minhas lembranças, a morte dos dois humanos, eu podia sentir o gosto em minha garganta.

Automaticamente apertei minha mão em um punho, controlando minhas reações.

“Eu acho que já sei” – ela disse.

Levantei meus olhos, implorando – “Até o mais forte de nós comete erros, não é?”

“Você está pedindo o que? Minha permissão?” – ela soltou como num grito agudo e cortante – “Eu quero dizer, não existem esperanças, então?” – suavizando sua voz.

“Não, não” – respondi arrependido por ter comentando – “É claro que há esperança! Digo, é claro que eu não vou…” – não vou matar você Bella. Mas não pude dizer em voz alta.

Meus olhos queimavam nos dela. -“É diferente conosco. Emmett… aqueles eram

estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi há muito tempo e ele não tinha tanta…prática e cuidado que tem hoje”.

Fiquei em silêncio observando atentamente enquanto ela pensava nisso.

“Então… se tivéssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim…” – a voz dela falhou.

“Eu fiz tudo o que podia pra não pular em você no meio de uma sala cheia de crianças e”- novamente a lembrança dos planos que fiz para matá-la – “Quando você passou por mim, eu podia ter arruinado tudo o que Carlisle construiu pra nós, lá mesmo. Se eu não tivesse renegado a minha sede pelos últimos, bem , muitos anos, eu não teria sido capaz de me refrear”. parei, olhando para as árvores, me recordando ainda daquele dia – “Você deve ter pensado que eu estava possuído”.

“Eu não conseguia entender porque. Como você poderia me odiar tão rapidamente…”

“Pra mim, era como se você fosse uma espécie de demônio, reunindo forças do meu próprio inferno pra me destruir. A fragrância que saia da sua pele… eu pensei que ia me deixar desarranjado naquele primeiro dia. Naquela uma hora, eu pensei em milhões de formas de te tirar da sala comigo, pra que ficássemos sozinhos. E eu lutei com esses pensamentos, pensando na minha família, o que eu podia causar pra eles. Eu tive que sair correndo, pra sair de perto de você antes de te dizer as palavras que faria você me seguir…”

Então olhei pra cima para a sua expressão vacilante.

“Você teria vindo” – garanti.

“Sem dúvida”.

Olhei para as suas mãos, desviando meu olhar. Eu sabia que era forte demais – “E então, enquanto eu tentava refazer o meu horário numa tentativa inútil de te evitar, você estava lá- naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era enlouquecedor. E então eu quase te ataquei lá. Só havia uma outra frágil humana lá-fácil de lidar. Mas eu resisti. Eu não sei como. Eu me forcei a não te esperar, a não seguir você depois da escola. Foi mais fácil do lado de fora, quando eu não conseguia mais sentir o seu cheiro, eu consegui pensar claramente, tomar a decisão correta. Eu deixei os outros perto de casa- eu estava envergonhado demais pra contar pra ele o quanto eu era fraco, eles só sabiam que algo estava muito errado- eu fui direto até Carlisle, no hospital, pra dizer pra ele que estava indo embora”.

Ela me encarou surpresa.

“Eu troquei de carro com ele – o dele estava com o tanque cheio e eu não queria parar.

Eu não queria ir pra casa, para enfrentar Esme. Ela não me deixaria ir sem fazer uma cena. Ela teria tentado me convencer de que não era necessário…

“Na manhã seguinte eu já estava no Alaska”. – fugindo de você, me sentindo envergonhado, como um animal que não pensa, que age somente por seu instinto – “Eu fiquei lá dois dias, com alguns conhecidos…mas fiquei com saudades de casa. Eu detestava saber que estava machucando Esme, e o resto deles, minha família adotiva. No ar puro das montanhas era difícil de acreditar que você fosse tão irresistível. Eu me convenci de que era um fraco por ter fugido. Eu lidei com a tentação antes, não nessas proporções, nem perto disso, mas eu era forte. Quem era você, uma garotinha insignificante” – sorri para ela, para mim ela era tudo, menos insignificante – “pra me afastar do lugar onde eu queria estar? Então eu voltei…” – pausei por um breve momento, deixando-a assimilar cada informação.

“Eu tomei precauções, caçando, comendo mais do que o normal antes de ver você de novo. Eu tinha certeza de que era forte o suficiente pra te tratar como qualquer outra humana. Eu estava sendo arrogante.”

“Era inquestionavelmente uma complicação não poder simplesmente ler a sua mente pra saber o que você pensava de mim. Eu não estava acostumado a ser tão indireto, escutando as suas palavras pelos pensamentos de Jéssica… a mente dela não é muito original, e era irritante ter que me manter preso aquilo. E depois eu não sabia se você realmente estava pensando as coisas que estava dizendo. Tudo era extremamente irritante.”  – fiz uma careta pela memória.

“Eu queria que você esquecesse o meu comportamento no primeiro dia, se possível, então eu tentei falar com você como eu falaria com qualquer pessoa. Eu estava ansioso na verdade, esperando decifrar os seus pensamentos. Mas você era interessante demais, eu me ví vidrado nas suas expressões… e de vez em quando você esporeava o ar com o cabelo ou com as mãos e o cheiro me pegava de novo…

“É claro, depois você quase foi espremida até a morte diante dos meus olhos. Depois eu pensei na desculpa perfeita pra ter feito o que eu fiz naquele momento – porque se eu não tivesse te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, eu não acho que teria conseguido evitar e teria exposto a nós todos. Mas eu só pensei nessa desculpa depois. Naquela hora, tudo o que eu conseguia pensar era ‘ela não'”.

Fechei meus olhos, tentando afastar a agonia em lhe dizer estas coisas, em lhe confessar os meus anseios.

Eu sentia algo diferente com Bella, um desejo mais incontrolável do que a sede e isso era novo demais.

Eu tinha medo, medo não, desespero em pensar que eu talvez pudesse não ser forte o suficiente e que cada vez que eu me deixasse levar por esse desejo eu… eu não conseguia nem pensar.

Bella me tirou de meus pensamentos novamente, perguntando com voz fraca: “No hospital?”

A encarei firmemente – “Eu estava intimidado. Eu não conseguia acreditar que tinha exposto a nós todos daquela forma, me colocado na sua mão- você entre todas

as pessoas. Como se eu precisasse de outro motivo pra te matar”. – enrijeci somente pela pronuncia da palavra e rapidamente continuei – “Mas teve o efeito oposto. Eu briguei com Rosalie, Emmett e com Jasper quando eles sugeriram que essa era a hora… foi a pior briga que já tivemos. Carlisle ficou do meu lado, e Alice”. – fiz uma careta me lembrando que Alice tinha certeza que seria amiga de Bella e agora eu também tinha – “Esme me disse pra fazer o que eu tivesse que fazer pra ficar”. – balancei a cabeça, me lembrando da agonia.

“No dia seguinte eu espionei as mentes de todas as pessoas que falavam com você,

chocado por você ter mantido sua palavra. Eu não entendia nem um pouco. Mas eu

sabia que não podia me envolver nem mais um pouco com você. Eu fiz o que pude pra ficar tão longe de você quanto era possível. E todos os dias o perfume da sua pele, sua respiração, seu cabelo… tudo era tão apelativo quanto no primeiro dia”.

Encontrei seus olhos, deixando-a perceber meu carinho, meu amor por ela.

“E por tudo isso eu teria feito muito melhor se eu tivesse exposto a todos nós naquele primeiro momento, do que aqui- sem testemunhas e ninguém pra me parar- eu ia te machucar.”

“Porque?” – Bella me perguntou.

“Isabella” – pronunciei seu nome, cuidadosamente, brincando com seu cabelo com minha mão que estava livre. Senti o toque macio e aveludado de seu cabelo e percebi que ela tinha as mesmas reações que eu a cada toque. Seu corpo estremeceu deliciosamente – “Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo se eu te machucasse. Você não sabe como isso me torturou. O pensamento de você, rígida, branca, fria… nunca mais ver você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões… isso seria insuportável”.

Por um breve momento, as visões de Alice pairaram sobre a minha mente e se esvaíram. Eu não sentia tanto medo em atacá-la, então afirmei – “Você é a coisa mais importante pra mim agora. A coisa mais importante da minha vida”.

Eu não podia conter as palavras, não podia mais controlar meu sentimento por essa humana, fraca e maravilhosa a minha frente.

Fiquei quieto por um momento, esperando que ela absorvesse minhas declarações.

“Você já sabe como eu me sinto, é claro” – ela declarou – “Eu estou aqui… que, traduzindo, significa que eu preferiria morrer do que ficar longe de você”. – ela fez uma careta – “Eu sou uma idiota”.

“Você é uma idiota”- concordei sorrindo.

Nossos olhos se encontraram e ela sorriu também. Nós sorrimos juntos pela idiotice e impossível felicidade do momento.

“E então o leão se apaixona pelo cordeiro…”  murmurei.

Bella sorriu escondendo o rosto – “Que cordeiro idiota” – suspirou.

“Que leão doente e masoquista”

Respondi encarando a floresta, pensando em toda a dor que sinto em rejeitar meus instintos.

“Porque…?” – ela iniciou e parou.

“Sim?”

“Me diga porque você corria de mim antes”.

Fiquei confuso com a pergunta, porque era exatamente o que acabava de lhe explicar.

“Você sabe porque”.- respondi.

“Não, eu digo, o que exatamente eu fiz de errado? Eu terei que ficar de guarda, sabe, pra aprender melhor o que eu devo fazer. Isso, por exemplo” – ela alisou as costas de minha mão – “parece ser normal”.

“Você não fez nada de errado, Bella. Foi minha culpa.”

“Mas eu quero ajudar, se puder, pra não fazer isso ser ainda pior pra você”.

“Bem” – pensei por um momento – “É só que você estava muito perto. A maioria dos humanos é instintivamente tímida perto de nós, são repelidos pela nossa alienação… Eu não estava esperando que você chegasse tão perto. E o cheiro do seu pescoço.” – eu me esquecia de tomar cuidado com as palavras e a encarei, mas ela parecia perfeitamente bem. Como se estivéssemos falando sobre coisas tão normais como ir a escola.

“Tudo bem, então”, me disse alegremente, abaixando o queixo sobre a mão – “Nada de expor a garganta”.

Eu ri.

“Não, de verdade, foi mais a surpresa do que qualquer outra coisa”.

Eu queria tocar nela, sentir os meus limites.

Ergui a mão livre e a encostei em seu pescoço. Ela se sentou muito rígida, os arrepios subindo pela sua pele.

Senti um desejo crescente em meu estomago, mas era completamente diferente de tudo o que já senti.

“Veja” – disse – “Perfeitamente normal”.

Dentro do que é possível ser normal para mim. Eu me sentia completamente atraído pela sua pele quente, me vi beijando seus lábios inúmeras vezes neste ultimo segundo.

Senti o delicioso aroma de seu sangue, correndo por suas bochechas e Bella ruborizando. O pulsar forte de suas veias, inchando por baixo de sua pela fina, delicada.

“As suas bochechas coradas são adoráveis” – murmurei.

Gentilmente livrei minha outra mão. As mãos de Bella caíram sobre seu colo.

Alisei suavemente suas bochechas, e segurei seu rosto quente e macio entre as minhas mãos frias.

“Fique bem parada” – lhe pedi e ela permaneceu congelada.

Lentamente, sem tirar os olhos dos seus, me inclinei em sua direção. E deitei minha face gelada na base de sua garganta.  

O calor de sua pele era impregnante. Me fazendo sentir como se fosse humano também.

Seu cheiro era ainda mais incrível, ainda mais tentador, mas eu não sentia esse desejo, eu sabia agora que não a machucaria, não estando assim tão apaixonado.

Bella estava quieta, imóvel como eu.

Me forcei a respirar, inalando o ar de seu pescoço, o hálito de seus lábios tão próximos. Eu me forçava a acostumar com o seu perfume, eu precisava me acostumar.

Então percebi que eu não tinha mais tanta dificuldade em estar tão próximo de Bella, encostado em seu pescoço eu não a desejava, a sede não me dominava.

Escutei as batidas de seu coração, descompassado, sua respiração lenta, ritmando.

Então, muito lentamente escorreguei minhas mãos pelos lados do seu pescoço. Ela

tremeu, fazendo meus instintos gritarem e prendi a respiração, ainda sem desviar minha atenção de seus ombros, descendo minhas mãos por eles.

Virei meu rosto, explorando sua clavícula com meu nariz e descansei meu rosto em seu peito, escutando ainda mais fortemente seu coração.

“Ah”. –  suspirei.

Maravilhoso.

Expulsei qualquer pensamento e aproveitei a sensação. Tocar Bella era algo que eu desejava desde a segunda vez que a vi, tentar não matá-la foi menos difícil do que tentar me afastar dela.

Ficamos algum tempo sem nos mexer, para mim o tempo era insignificante. Eu poderia ficar assim pra sempre.

E então, com muito esforço, eu a soltei.

“Não vai mais ser tão difícil” – lhe revelei com satisfação.

“Foi muito difícil pra você?” – ela perguntou.

“Nem de perto foi tão difícil quanto eu imaginava que seria. E você?”

“Não, não foi ruim pra mim”.

“Você sabe o que eu quero dizer”. – sorri.- “Aqui” – peguei sua mão e coloquei em meu peito – “Você sente como está quente?”

Eu sentia um calor maravilhoso.

“Não se mova” – ela sussurrou.

Fiquei imóvel como uma pedra e fechei meus olhos.

Ela se moveu muito lentamente e acariciou minha bochecha, pálpebras, os círculos embaixo de meus olhos. Desenhou com as pontas dos dedos o formato de meu nariz e muito mais cuidadosa, tocou meus lábios. Meus lábios se abriram embaixo de seu toque e eu podia sentir seu gosto e o desejo novamente me dominando.

Minha mente desejando os lábios de Bella. Um frio me subindo pela espinha, o estomago novamente revirando, algo que nunca senti.

Então, ela se inclinou pra longe.

Abri meus olhos, famintos, não da maneira que eu esperava estar, mas famintos por sentir seu gosto, sentir o toque de seus lábios quentes nos meus.

“Eu queria”, – sussurrei, o gosto do desejo ainda na minha boca – “Eu queria que você sentisse a…complexidade… a confusão… que eu sinto. Queria que você pudesse entender”.

Estendi minha mão para seus cabelos e cuidadosamente espalhei ao redor de seu rosto, na tentativa de controlar meu ardor.

“Me diga” – ela suspirou.

“Eu não acho que posso. Eu já te disse, de um lado a fome -a sede- que essa criatura deplorável que eu sou sente por você. E eu acho que você consegue compreender isso, de uma certa forma. Apesar de que”- sorri – “Como você não é viciada em nenhuma substancia ilegal, você provavelmente não pode enfatizar completamente”.

“Mas…” – toquei levemente os seus lábios e senti seu tremor – “Existem outras fomes. Fomes que eu nem sequer entendo, que são estranhas pra mim”.

“Eu acho que entendo isso melhor do que você imagina”. – ela emendou.

“Eu não estou acostumado a me sentir tão humano. É sempre assim?”

“Pra mim?” – ela pensou – “Não, nunca. Nunca antes disso”.

Segurei minhas mãos entre as suas. Elas pareciam tão fracas entre as minhas.

“Eu não sei como ficar perto de você” – admiti – “Eu não sei se consigo”.

Bella se inclinou bem lentamente, avisando-me com seu olhar e colocou sua bochecha no meu peito.

“Isso é suficiente”, – suspirou.

Então passei um braço por ela e pousei meu rosto em seu cabelo.

“Você é melhor nisso do que pensava” – ela comentou.

“Eu tenho instintos humanos- eles podem estar enterrados bem no fundo, mas estão lá”.

Nós sentamos nessa posição por outro momento; imaginei se ela estava tão sem vontade de se mexer quanto eu.

Eu observei seus olhos observarem a luz que estava desaparecendo, as sombras da floresta se aproximando de nós e suspirar.

“Você tem que ir”.

“Eu pensei que você não podia ler minha mente”

“Ela já está começando a ficar mais clara”, – sorri, lembrando que eu não a ouvia, mas entendia suas feições cada vez mais.

Segurei seus ombros, pensando em mostrar-lhe algo mais excitante, imaginando se eu teria força suficiente para isso e ela me olhou.

“Eu posso te mostrar uma coisa?” – pedi ansioso.

“Me mostrar o que?”

“Como eu ando pela floresta”. – sua expressão ficou estranha – “Não se preocupe, você estará segura e chegaremos na sua caminhonete muito mais rápido”. – sorri zombeteiro para ela e seu coração deu um salto e voltou a bater normalmente.

“Você vai se transformar num morcego?” – ela perguntou brincando.

Ri alto da piada – “Como se eu nunca tivesse ouvido essa antes”.

“Claro, eu tenho certeza que você ouve isso o tempo todo”

“Vamos lá, pequena covarde, suba nas minhas costas”.

Ela hesitou e sorri me inclinando para ela. Seu coração reagiu como eu já esperava e então a coloquei nas minhas costas com muita facilidade, forçando suas pernas e seus braços em meu corpo.

“Eu sou um pouco mais pesada do que a sua bagagem normal”, ela avisou.

“Hah”, – zombei, revirando meus olhos.

Peguei a palma de sua mão contra o rosto e a cheirei profundamente.

“Cada vez fica mais fácil” – murmurei.

E então comecei a correr na escuridão, entre os arbustos da floresta, passando pelas arvores já conhecidas.

Não havia nenhum esforço nisso para mim.

Enquanto corria, sentindo a pulsação quente de Bella entrelaçada em minhas costas, o desejo me tomou de súbito. Pensei em várias formas, mas não sabia como. Eu me sentia como uma criança assustada com algo novo, com uma nova descoberta.

Eu não poderia saber me controlar e só poderia saber se consigo, tentando.

Um misto de excitação e medo me dominaram e então estávamos próximos a picape de Bella.

“Divertido, não é?” – minha voz saiu alta, excitada, transparecendo talvez meus pensamentos. Fiquei em pé, esperando que ela descesse, seus braços e pernas continuaram trancados ao meu redor.

“Bella?” – perguntei ansioso.

“Eu acho que preciso me deitar agora”, ela gaguejou.

“Oh, desculpe”. – esperei, mas ela não se mexia.

“Eu acho que preciso de uma ajudinha”.

Sorri baixinho e soltei seus braços de meu pescoço a puxando para a frente, segurando-a em meus braços como uma criança pequena. A segurei por um momento e então a coloquei na grama.

“Como você se sente?”, – perguntei.

“Tonta, eu acho”.

“Ponha a cabeça entre os seus joelhos”.

Ela se inclinou para a frente, colocando o rosto entre os joelhos, a respiração lenta e profunda. Eu me sentei ao seu lado e ela levantou a cabeça.

“Eu acho que essa não foi a melhor idéia”, – zombei.

“Não, foi interessante”. – ela respondeu com a voz fraca.

“Hah! Você está branca feito um fantasma- você está branca que nem eu“.

“Eu devia ter fechado os olhos”

“Lembre-se disso na próxima vez” – falei.

“Próxima vez!” – sua voz saiu cortada.

Eu não contive o riso.

“Exibido” – ela sussurrou.

“Abra seus olhos, Bella” – eu disse baixinho.

Meu rosto bem perto do seu. A excitação me dominando novamente.

“Eu estava pensando, enquanto eu estava correndo…” – eu parei nervosamente.

“Em não bater nas árvores, eu espero”.

“Bella boba”, – gargalhei – “Correr é minha segunda natureza, não há nada o que pensar”.

“Exibido”, – ela sussurrou de novo.

Sorri.

“Não, eu estava pensando que há algo que eu quero tentar”. E então coloquei seu rosto entre as minhas mãos.

Eu testei o ar, testei meus instintos, respirando profundamente, inalando o ar a volta de Bella, o ar com seu cheiro. Pra ver se isso era seguro, pra ter certeza que ainda podia me controlar.

Então, pressionei meus lábios contra os dela.

O calor e a umidade, o seu gosto ainda mais forte em mim. Senti um frenesi me dominando por completo, a alegria e o medo, a excitação e o desejo. O instinto e o homem. Eu prolonguei a sensação o máximo que pude, mas eu não podia esperar a reação de Bella, eu não contava com a reação de Bella. Sua respiração saiu num suspiro selvagem.

Seus dedos se fecharam em meus cabelos, me puxando contra ela. Seus lábios se

abriram e eu senti o gosto inebriante, me dominando por completo.

Imediatamente fiquei imóvel sob seus lábios, afastando gentilmente seu rosto do meu. Ela abriu os olhos observando minha expressão.

“Ooops” – ela respirou.

“Isso é uma declaração”

Fechei minha mandíbula com muita força, bloqueando meu desejo, sentindo ainda minha boca cheia de água, desejando o sangue de Bella, desejando os lábios de Bella. Segurei seu rosto a apenas alguns centímetros do meu.

“Será que eu posso…?” – ela tentou se soltar, mas eu não podia permitir que ela se movesse agora, eu estava quase controlado.

Eu só não sabia o que estava mais difícil controlar, a sede ou a fome humana.

“Não. Isso é intolerável. Espere um momento,por favor”. – pedi educadamente.

Eu mantive meus olhos nos seus. Esperando que a excitação diminuísse e eu dominasse novamente meus sentidos.

“Pronto”, – disse, satisfeito comigo mesmo.

“Tolerável?”, – ela perguntou.

Eu ri alto – “Eu sou mais forte do que pensava. É bom saber”.

“Eu queria poder dizer o mesmo. Me desculpe”.

“Você é apenas humana, no final das contas”.

“Muito obrigada”, ela disse.

Fiquei em pé e estendi minha mão para ela, que ela segurou e se apoiou para ficar em pé, ainda desequilibrada.

“Você ainda está tonta pela corrida? Ou foi minha habilidade com beijos?” – eu ri, sínico.

“Eu não tenho certeza, eu ainda estou lerda”, – ela respondeu – “Porém, eu acho que é um pouco dos dois”.

“Talvez você devesse me deixar dirigir”.

“Você está louco?”.

“Eu dirijo melhor do que você nos seus melhores dias” – zombei.- “Você tem reflexos muito mais lentos”.

“Eu tenho certeza de que é verdade, mas eu não acho que os meus nervos, ou a minha caminhonete, agüentariam”

“Um pouco de confiança, Bella, por favor”. – pedi.

Ela curvou os lindos lábios, meditando e falou com um sorriso apertado.

“Não. Sem chance”

Ergui as sobrancelhas sem acreditar.

Ela passou por mim, indo para o banco do motorista, mas tropeçou e eu a prendi em meus braços criando uma prisão ao redor de sua cintura.

“Bella, eu já gastei um bocado de esforço até esse ponto, pra manter você viva. Eu não vou deixar você ficar atrás de um volante quando você não consegue nem caminhar direito. Além do mais, amigos não deixam amigos dirigir quando estão bêbados”. – citei com uma gargalhada.

“Bêbada?”, ela perguntou.

“Você está intoxicada com a minha presença”. – zombei.

“Eu não posso discutir com isso”, – ela suspirou segurando a chave em sua frente e soltou, peguei no ar com muita facilidade – “Pegue leve- minha caminhonete é uma cidadã idosa”.

“Muito sensível”, – aprovei.

“E você não está nem um pouco afetado” – Bella perguntou, aborrecida. – “Pela minha presença?”

A encarei suavemente, ainda sentindo sua pulsação em meus lábios e me aproximei de seu rosto passando meus lábios lentamente pela sua mandíbula, de sua orelha até o queixo, pra frente e pra trás. Bella tremeu.

“Sem dúvida” – disse – “Eu tenho reflexos melhores”.

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