14 Auto Controle

Decidi que não adiantaria ficar ali sentado, imaginando se ela teria mudado de idéia quando eu retornasse amanhã.

O motor do meu Volvo roncou forte, assim que virei a chave e sai, rumo a Forks.

Quase próximo da cada de Charlie, pude sentir o cheiro, eles ainda estavam na casa e Bella me parecia tensa, o coração pulsando sem ritmo.

“Então, quem era?” – ouvi a voz de Jacob Black.

“Edward Cullen”.- Bella respondeu entre um suspiro longo.

Eles estavam falando de mim e mesmo agora, tenso, ouvir meu nome pela voz de Bella, me atingia de uma forma inexplicável, como se eu pudesse sentir sua voz no meu estomago, no meu coração.

“Eu acho que isso explica, então” ele disse. “Eu estava imaginando porque meu pai estava agindo tão estranho”. – será que ele não acreditava nas historias dos Quileutes? Me perguntei, tentando realinhar as idéias.

Não seria uma boa idéia espiar Bella pelos pensamentos de Jacob, afinal ele pensava nela de uma forma que eu não suportava ouvir, porém era ele que estava lá e não eu.

“É mesmo, ele não gosta dos Cullen”. – Bella afirmou.

“Velho supersticioso”, ele cochichou de volta.

Eu ri. Superstição era a única coisa que não existia em Forks.

“Você acha que ele vai dizer alguma coisa pra Charlie?” – Bella perguntou num tropeço a Jacob parecendo ansiosa, vi nos pensamentos dele, seus olhos se abrirem preocupados e em seguida ela desviar.

“Eu duvido”, ele respondeu. “Eu acho que Charlie já deu uma bela lição nele da última vez. Eles não se falaram muito desde então- hoje é uma espécie de reunião, eu acho. Eu não acho que ele vai falar nisso de novo”

Nas lembranças de Jacob, vi Charlie brigando com Billy e expulsando ele da casa.

Foi uma noite longa.

Bella não saiu de perto de Jacob e nem de Billy e Charlie.

Em todo o tempo os pensamentos de Jacob se denunciavam, preocupados com ela.

“Ela está distante! O que está havendo? O que ela espera do meu pai? Porque o olha tanto?” – perguntas em sua memória, ocultas por um sorriso.

Eu podia ver, por seus olhos, a preocupação clara de Bella, como ele não via?

Os lábios contraídos, as mãos tensas, mexendo incessantemente nos cabelos, os olhos que desviam do olhar de Jacob para olhar Billy e depois voltavam para Jacob e depois olhavam pela janela da cozinha.

Eu enxergava todos os seus gestos, pelos pensamentos de Jacob, ele os via também, mas como não os entendia?

Provavelmente porque estava preocupado demais em impressionar Bella.

“Você e seus amigos vão voltar lá na praia logo?”, Jacob perguntou ansioso em sua voz, carregando a cadeira com Billy.

“Eu não tenho certeza”, – Bella respondeu, passando a língua nos lábios para umedecê-los.

“Foi divertido, Charlie”, Billy sorriu para Charlie.

“Volte para o próximo jogo”, Charlie encorajou.

Ele estava feliz por ter feito as pazes com Billy. Considerava Billy como um irmão.

“Claro, claro”, Billy disse. “Estaremos aqui. Tenha uma boa noite. Se cuide, Bella” – ele acrescentou seriamente, porém seus pensamentos estavam em minha família, nos Cullen.

“Obrigada” – Bella respondeu desviando os olhos para Charlie e voltou para a escada.

“Espere, Bella. Eu ainda não tive a chance de falar com você esta noite. Como foi seu dia?” – Charlie perguntou apressando-se a acompanhá-la.

“Bom. Meu time de Badminton ganhou todas as quatro partidas hoje”. – ela parecia estar escolhendo bem as palavras.

“Uau, eu não sabia que você jogava Badminton”.

“Bem, na verdade eu não jogo,mas o meu parceiro é muito bom”.

“Quem é?” ele perguntou interessado.

“Umm, Mike Newton”, ela disse relutante.

“Ah,é. Você já tinha dito que era amiga dele. Boa família”, ele meditou

Por um momento. “Porque você não convidou ele pro baile esse fim de semana?”

“Pai! Ele está meio que namorando com a minha amiga Jéssica. Além do mais, você sabe que eu não sei dançar”.

Isso será remediado – pensei e sorri maliciosamente, já imaginando Bella em meus braços frios, num vestido lindo, cabelos presos e sorrindo pra mim. Sua pele quente e macia abraçada a mim, acompanhando meu ritmo.

“Ah é. Então eu acho que é bom que você estiver em Seattle no Sábado… Eu fiz planos pra ir pescar com os rapazes lá da delegacia. Tudo indica que o clima estará quente. Mas se você quiser adiar a viagem para esperar até que alguém consiga ir com você, eu posso ficar em casa. Eu sei que te deixo sozinha tempo demais”.

Charlie era um excelente pai, preocupado e sincero. Ele achava que deixava Bella muito tempo sozinha, porem, pelo fato de não ter convivido com ela por muitos anos, se sentia desconfortável e as vezes esquecia que precisava dedicar-se mais.

“Pai, você está fazendo um ótimo trabalho” – ela respondeu – “Eu nunca me importei em ficar sozinha- eu sou muito parecida com você.

Isso bem era verdade. Talvez por isso eu quisesse tanto entender o que se passa em seus pensamentos.

Ela pensa muito e seus pensamentos se revelam em suas feições.

Passei a noite do lado de fora de seu quarto, ouvindo sua respiração, sentindo o pulsar do seu coração, sentindo o seu cheiro delicioso me queimando a garganta num enorme prazer.

Hoje eu não quis entrar. Eu quis ouvir.

Tentar descobrir em cada som, o que ela sonhava ou o que pensava.

Esta noite ela se mexeu pouco, não falou.

Logo era dia e de tão distraído quase esqueci de voltar pra casa e me arrumar.

Eu não sabia o que pensar sobre Billy, até em seus pensamentos ele era reservado, tomando cuidado com cada palavra como se soubesse que posso ouvi-lo.

Jacob estava apaixonado por Bella, representava menos perigo, afinal, ele não falaria nada que pudesse magoá-la.

Eu já estava a porta da casa dela, com o carro desligado e os vidros abaixados, esperando que ela saísse. A ouvi cantarolando sozinha, não parecia estar tensa como ontem a noite com Billy e Jacob aqui.

Charlie já havia saído. Novamente vi Bella espiar pela janela e em seguida sair.

Ela estava ainda mais magnífica do que da ultima vez que coloquei meus olhos nela, mesmo pelos pensamentos de Jacob, que a via como um anjo, pra mim ela era ainda mais linda, mais deslumbrante.

Estava com suas roupas comuns, porem com o cabelo preso na parte da frente em um grampo.

Ela se aproximou, abriu a porta e se sentou, sem hesitar, sem pensar antes.

Ela me encarou e eu sorri timidamente. Senti que ela engoliu a respiração e seu coração deu um salto, em seguida voltando a bater descompassado.

Era intrigante as reações que ela tinha a mim e eu a ela.

Meu coração não podia disparar, porém eu a sentia como se estivesse em minha pele, mesmo longe o calor do seu corpo me aquecia de dentro para fora.

“Como você dormiu?”, perguntei serenamente, na intenção de que ela mantivesse o ritmo da respiração, sem alterá-la pelo meu jeito de olhá-la, de tocá-la com os meus olhos.

“Bem. Como foi a sua noite?”

“Prazerosa” – respondi quase com uma gargalhada.

Era impressionante a forma que os quileutes tinham medo de nós e ao mesmo tempo eram tão corajosos.

“Será que eu posso perguntar o que você fez?” – ela me encarou.

“Não”. sorri “Hoje ainda é meu dia”.

Tantas coisas a saber sobre ela, como era Renne, o que faziam em seu tempo livre.

As horas pareciam pequenas quando eu estava com ela, não conseguia me lembrar dos 90 anos passados como vampiro, do tempo perdido sem ela próxima a mim.

Não posso imaginar existir sem que ela exista.

Perguntei sobre a escola antiga, os namorados, que ela não teve, o que me deixou aliviado, mas surpreso.

“Então você nunca encontrou ninguém que você quisesse?” perguntei seriamente, imaginando se ela nunca teria beijado alguém, se eu seria o primeiro.

“Não em Phoenix”. – ela respondeu.

Fiquei surpreso com a resposta. Ela estaria pensando que sim em Forks? Estaria pensando em namorar um vampiro?

Nessa hora nós estávamos na cafeteria. O dia passava muito rapidamente quando estava com Bella.

“Eu devia ter deixado você vir sozinha hoje” – disse, enquanto ela mordia um pedaço de pão.

“Por quê?” – ela pareceu surpresa.

“Eu vou embora com Alice depois do almoço”

“Oh. Está tudo bem. Não é uma caminhada muito longa daqui até em casa” – ela respondeu desconcertada.

Até parece que eu a deixaria ir embora a pé. que tipo de cavalheiro eu sou?

Fiz uma careta e respondi – “Eu não vou fazer você andar até sua casa. Nós vamos pegar a sua caminhonete e deixá-la aqui pra você”.

“Eu não trouxe as minhas chaves”, ela suspirou. “Eu realmente não me importo de ir

andando”. – ela pareceu sincera, mas aborrecida.

Eu me lembrava bem de onde estavam suas chaves e seria fácil entrar na casa dela, pois ela não havia trancado a porta da frente.

Alem de que eu já entrava por sua janela sem fazer barulho e de olhos fechados.

“Sua caminhonete estará aqui, e a chave estará na ignição- a não ser que você tenha medo que alguém vá roubá-la”. sorri pra ela, quem roubaria essa caminhonete barulhenta?

“Tudo bem”, concordou desafiante, imaginei que ela estivesse pensando como eu conseguiria suas chaves. E sorri para ela satisfeito em surpreendê-la.

“Então pra onde vocês vão?”, perguntou como se isso não importasse.

“Caçar” respondi severamente. “Se eu vou estar sozinho com você amanhã, eu vou

tomar todas as precauções que puder”.

eu não poderia correr o risco de ter sede perto dela.

“Você ainda pode cancelar, sabe”. – disse a ela

“Não” – ela sussurrou desviando seus olhos dos meus – “Eu não posso”.

“Talvez você esteja certa” – respondi.

“Que horas eu te vejo amanhã?” ela perguntou, a voz sombria.

“Isso depende…é Sábado, você não quer dormir até tarde?” perguntei.

“Não”  ela respondeu imediatamente.

Ela queria estar comigo, tanto quanto eu necessitava estar com ela.

Tentei não rir de sua reação para não constrange-la.

“A mesma hora de sempre, então. Charlie vai estar em casa?” – perguntei.

“Não, ele vai pescar amanhã” – ela sorriu alegremente.

“E se você não voltar pra casa, o que é que ele vai pensar?”

“Eu não tenho idéia. Ele sabe que eu estava querendo lavar as roupas. Talvez ele ache que eu caí dentro da máquina”

Fiz uma careta para ela, nem de brincadeira eu poderia imaginar ela se machucando, se perdendo de mim.

“O que você vai caçar hoje?” – ela perguntou abruptamente.  

“Qualquer coisa que encontrarmos no parque. Nós não vamos muito longe”

Era impressionante como ela conversava sobre vampiros, sobre caça como se fosse algo normal.

“Porque você está indo com Alice?”

“Alice é a mais…encorajadora”.

Me lembrando dos outros que estavam preocupados com a minha aproximação de Bella. Alice queria ser sua amiga, o que me fez lembrar que ela não vai parar de falar nisso hoje.

“E os outros? O que eles são?”

“Incrédulos, em grande parte.” – pensei por um momento.

 

Carlisle e Esme apostavam na minha felicidade, mas tinham medo do futuro, o que nos reservava. 

Uma humana, mortal e um vampiro imortal.

 

Se eu a transformasse, estaríamos quebrando o acordo com a tribo Quileute e ao mesmo tempo a privando de estar com Charlie e Renée.

Se não a transformasse, em no máximo 80 anos, ela morreria e o que seria de mim?

Eu tentava não pensar muito nisso, não seria problema amá-la mesmo estando com feições de uma senhora de 80 anos. Eu a amaria mesmo que ela fosse a mulher mais feia do mundo.

Mas eu não suportaria viver sem que ela existisse.

Ela sendo tão frágil, tão indefesa. Se cair pode quebrar algum osso, pode morrer. Ela pode morrer a qualquer instante, qualquer minuto. Eu não conseguia deixá-la sozinha.

Rosalie não concordava de jeito nenhum, achava arriscado demais e tinha inveja das condições de Bella, de poder viver e morrer, se casar e ter filhos.

Emmet achava tudo engraçado e Jasper sempre, sempre preocupado.

Ele tinha medo que eu matasse minha amada. O que eu também temia as vezes.

Mas Alice não, ela tinha certeza que seriamos felizes e que ela seria a melhor amiga de Bella. Eu apreciava a idéia, mas eu ainda tinha receio em deixá-la conviver com a minha família.

Ser amiga de um vampiro já é muita coisa para uma adolescente pensar, mas estar junto de uma família de vampiros… – suspirando – não saberia qual seria a sua reação.

Enquanto eu pensava nisso, se passaram poucos segundo e vi Bella espiando minha família atrás de nós.

“Eles não gostam de mim”, – ela afirmou.

“Não é isso” – discordei – “Eles só não entendem porque eu não consigo te deixar sozinha”.

Ela fez uma careta. “Eu também não, por falar nisso”.

Balancei minha cabeça lentamente e revirei os olhos a encarando novamente: “Eu já disse- você não se vê com muita clareza. Você não é como ninguém que já tenha conhecido. Você me fascina”.

Sorri. Eu queria saber seus pensamentos, isto é o que mais me intriga nela.

“Tendo as vantagens que eu tenho” – toquei minha testa -“Eu tenho uma compreensão melhor da mente humana. As pessoas são previsíveis. Mas você… você nunca faz o que eu espero. Você sempre me pega de surpresa”.

Eu não conseguia mentir pra ela, eu sempre dizia a verdade.

Ela me fascina.

Novamente ela desviou o olhar para minha família, com um ar envergonhado no rosto.

Eu queria entender este olhar, entender o que ela interpretou das minhas palavras.

Ouvir seus pensamentos seria maravilhoso agora.

“Essa parte é fácil de explicar”, continuei, enquanto ela ainda olhava na outra direção – “Mas tem mais… e isso não é fácil de explicar com palavras”.

De repente, Rosalie, a encarou. eu sabia seus pensamentos, a inveja, a raiva, o medo.

Eu estava expondo minha família, passando tanto tempo com Bella, se o pior acontecesse, eu os envolveria isso e Rosalie gostava de Forks, não queria ter que se mudar novamente.

Eu não podia entender como Rosie poderia ser tão egoísta e pensar somente nela, então percebi Bella presa no olhar de Rosalie e soltei um som baixo e raivoso que somente minha família ouviria.

“Imbecil, você vai se arrepender!” – Rosalie pensou desviando o olhar de Bella.

Bella me encarou com os olhos grandes, parecendo assustada, mas continuei, ainda irritado: “Eu sinto muito sobre isso. Ela só está preocupada. Entenda… não é perigoso apenas pra mim se, depois de passar tanto tempo publicamente perto de você…” – parei de falar, eu não conseguia dizer.

“Se?” – ela insistiu.

“Se isso acabar… mal”. – pousei a cabeça em minhas mãos angustiado.

Eu era um tolo em manter ela perto de mim, tão mais perigoso do que ser atropelada e morrer.

Senti o calor de sua mão se aproximando e quase desviei, mas ela desistiu no meio do caminho, descansando-a sobre a mesa.

Eu não queria assustá-la, mas seria natural que ela se assustasse. Ela nunca reagia como eu imaginava. Ela queria me confortar! O vampiro que um dia quase a matou, por causa do seu sangue.

“E você tem que ir agora?” – ela perguntou timidamente.

“Sim” – respondi levantando os olhos para ela e sorri – “Provavelmente é o melhor a fazer. Nós ainda temos quinze minutos daquele filme inacabado de Biologia- eu não acho que poderia agüentar mais”.

Mais quinze minutos imóvel ao lado dela, a eletricidade entre nós, eu faria uma loucura.

Sorri com o pensamento.

“Edward” – ouvi Alice chamar em seus pensamentos.

Bella desviou o olhar para Alice que estava atrás de mim.

“Alice”. – falei sem desviar os olhos de Bella.

“Edward”. – ela respondeu serenamente, quase cantando – “Vai nos apresentar?” – ela insistiu em seus pensamentos.

“Alice, Bella- Bella, Alice” – respondi aos seus pensamentos, fazendo gestos com a mão casualmente.

“Olá,Bella” – ela a cumprimentou vitoriosa -“É bom finalmente te conhecer”.

Encarei Alice.

“Oi, Alice” – Bella respondeu com voz baixa.

“Você está pronto?” – Alice me perguntou – “Temos que ir agora!” – ela continuou em seus pensamentos e se lembrou que seria amiga de Bella também.

“Quase. Eu te encontro no carro”.

Ela foi embora sem outra palavra.

“Eu devo dizer ‘divirta-se’ ou seria o sentimento errado?” – Bella perguntou.

“Não. ‘divirta-se’ funciona tão bem quanto qualquer outra palavra” – sorri.

Era muito divertido caçar. Uma das melhores partes em ser vampiro.

“Divirta-se, então”.

“Eu vou tentar” – respondi sorrindo – “E você tente se manter em segurança, por favor”.

“Ficar segura em Forks- que desafio”.

“Pra você isso é um desafio”. – tão atrapalhada, tão descuidada. Não entendo como sobreviveu até agora. – “Prometa” – insisti.

“Eu prometo tentar ficar em segurança”, ela recitou como a um poema – “Eu vou lavar roupa hoje á noite e isso não deve oferecer nenhum perigo”.

“Não caia” – zombei.

“Eu farei meu melhor”

Então me levantei sentindo gravemente a separação e ela me acompanhou.

“Te vejo amanhã” – ela suspirou.

 

“Parece tempo demais pra você, não parece?” – pensando na dificuldade que eu tinha em me separar dela.

Ela afirmou com a cabeça.

“Eu estarei lá pela manhã” – prometi sorrindo para ela e alisando a maça do seu rosto.

Cada sentido ficava ainda mais aguçado quando eu a tocava, quando sentia seu cheiro.

Era difícil partir e como se quebrasse um laço forte, me virei e a deixei ali para encontrar Alice.

 

 

Senti seus olhos em mim, as pessoas a nossa volta a encaravam em pé, olhando em minha direção.

Sem erros. Eu tinha prometido a mim mesmo que eu não cometeria erros.

Eu precisava me separar dela para ficar próximo durante o dia de amanhã, não poderia deixá-la correr nenhum risco.

Era difícil estar perto de Alice nessas horas, tão consciente de que Bella e eu seriamos o casal feliz, tão consciente do futuro e tão apaixonada por Bella.

Quando apareci na saída da escola, ouvi Alice sorrindo pensar: “Vamos logo apaixonado, eu sei que você quer voltar ainda hoje e que me deu uma servicinho extra” – li nas suas memórias que ela já havia buscado a picape de Bella e esperava que eu saísse para estacioná-la nesta vaga.

Apertei meus lábios e a encarei no banco do passageiro do meu Volto.

Ela sempre sabia do que eu precisava, como se ela própria lesse meus pensamentos.

“Tudo bem?” – ela perguntou enquanto eu virava a chave do carro e sentia o motor acelerar.

“Sim. Vamos aqui perto, quero voltar logo!”

“Eu sei” – Alice disse e em seguida mais uma memória do futuro em sua mente. Ela não conseguia evitar, sempre me mostrando onde eu estaria, mostrando a minha angustia e a minha alegria.

A imagem era de Bella, sempre Bella e estávamos abraçados.

Sai da vaga e esperei até que Alice estacionasse a picape de Bella no lugar, depois que estacionou ela voltou com um sorriso maroto no rosto e ficou em pé, na frente da janela do motorista esperando.

“O que esta esperando Alice?” – perguntei irritado.

Antes que ela respondesse eu tive uma idéia. Arranquei um pedaço de uma folha do caderno que carregava, escrevi “FIQUE SEGURA”, dobrei e nem precisei pedir a Alice que o colocasse no banco da picape.

“Eu sabia!” – ela pensou enquanto graciosamente voltava para o Volvo.

Enquanto estávamos nas imediações de Forks, mantive a velocidade normal do carro, mas a pressa me deixava angustiado.

Alice não dizia nada, olhava pela janela como se estivesse distraída demais. Seus pensamentos iam e voltavam, buscando o futuro de Jasper, de Bella e o meu.

Eu não conseguia entender o que a preocupava ou o que a alegrava.

Num segundo procurava problemas, no outro sorria com uma previsão feliz.

“Você pode parar com isso Alice?” – pedi nervoso. Eu não podia evitar ler seus pensamentos, eles entravam na minha cabeça sem que eu fizesse algum esforço.

“Você não esta bravo, porque me pediu isso?” – Alice perguntou em voz audível.

“Alice… o que Bella? Eu?” – me calei, eu sabia o que me preocupava e sabia que ela teria a resposta.

Mas ela teria a resposta que meu coração egoísta queria, Bella e eu juntos, mas que eu sabia que não deveria querer. Transformá-la para mim seria o mesmo que morrer.

Não posso sujeita-la a uma existência sem fim ao meu lado. Eu não poderia forçá-la a isso.

Como se lendo meus pensamentos, Alice suspirou e disse: “Edward, Bella já se decidiu. Ela o ama e se não for hoje, não for agora, um dia ela será uma de nós. Isso está no destino dela”.

Já estávamos na estrada neste momento e acelerei o máximo que pude.

“O que te preocupa?” – Alice pensou, enquanto procurava algo em meu futuro.

“Amanhã me preocupa!” – respondi, enquanto saltávamos do carro em direção a floresta.

Ouvi rapidamente um cervo a uns 15 km de nós e me preparei para o ataque. Alice fez o mesmo.

Algumas horas depois, mais do que satisfeito – pois me alimentei mais que o necessário, para evitar problemas com Bella amanhã – nos recuperamos e voltamos ao carro.

“O que te preocupa exatamente Edward?”

Como se não tivéssemos parado por horas para nos alimentar, Alice continuou a conversa.

“Alice, eu sei que a amo e sinto que ela me ama. Eu sei que será difícil demais me separar dela, mas não posso fazê-la viver isso!” – apontei para nós, fazendo-a entender que não quero que Bella se transforme em um animal como nós. Alguém que precisa de sangue para sobreviver, para não assassinar pessoas.

“Irmãozinho… “ – ela fez uma pausa e continuou – “você não vai deixá-la. Não vê? Tantos anos esperando e agora que ela apareceu, você não conseguirá desistir. Edward, Bella não pode mais ficar sem você!”

Alice me mostrou em sua memória, Bella enrolada sobre si mesma, balançando seu corpo pra frente e pra trás como se desesperada, sem rumo.

Soltei um grunhido forte da minha garganta e Alice continuou: “Isso acontecerá se você permanecer decidido em deixá-la”.

A dor no meu peito não se afastou.

Dirigi de volta a nossa casa e me afastei de Alice e de suas previsões.

Não sei o que me perturba mais, ficar perto dela e saber o que o futuro lhe reserva ou me afastar e vê-la sofrer daquele jeito.

Hoje seria um dia decisivo para nós, disso eu já tinha certeza.

O sol estava despontando no céu e eu estava sentado, na copa de uma arvore, esperando as horas passarem.

Aqui eu me sentia sozinho. Sem o pensamentos de todos me encorajando ou me recriminando.

Eu não tinha uma decisão a tomar, minha decisão já estava tomada. Eu não viveria sem Bella, mas e ela? O que ela quer?

Ela é uma adolescente apaixonada ou ela entende o que esta acontecendo entre nós?

O que nos reserva?

O que esperar?

Eu só tinha certeza que de uma forma ou de outra, eu estaria com Bella eternamente.

Olhei o céu e estava muito claro. Me levantei e sai para a sua casa.

Eu não precisava pensar para correr, eu não me cansava. Em alguns minutos eu estava escondido na reserva próxima a casa dela. Esperando.

O barulho dentro da casa indicava que Charlie já havia saído e que Bella estava se aprontando para sair.

Me encaminhei até a porta de sua casa e bati. Eu não poderia esperar mais.

Ouvi seu coração acelerar freneticamente e ela descer as escadas correndo.

Me senti culpado. Se ela caísse ou se machucasse a culpa seria minha.

Demorou alguns segundos para que ela abrisse a porta, atrapalhada com a fechadura.

Bella me encarou assim que a porta se abriu, dando um suspiro longo. Eu não sabia o que esperar, nem o que desejar.

Eu queria abraçá-la, mas não devia, queria beijá-la e não podia. Se eu fizesse isso, cada vez eu iria procurar por mais intimidade e isso nos levaria ao futuro, Bella sendo uma de nós.

Percebi então que estavamos vestidos com blusões iguais e camisa por baixo.

“Bom dia” – lhe cumprimentei com uma gargalhada.

“Qual é o problema?” – ela perguntou olhando para si mesma.

“Estamos combinando” – ri de novo. 

Ela também riu, sempre divina pra mim. Trancou a porta e andou até a caminhonete.

Eu não gostaria de ir na picape, mas ela conseguiu me convencer, esperei ao lado da porta do passageiro.

Bella era muito cautelosa e sua picape muito antiga, demoraríamos demasiado para chegar lá.

“Nós temos um acordo”, ela me lembrou sentando no banco do motorista e abrindo a porta do passageiro para mim – “Pra onde?” – ela perguntou.

“Ponha o seu cinto de segurança- eu já estou nervoso”. – observei.

Ela me olhou brava e repetiu entre suspiros – “Pra onde?”

“Pegue a estrada um-zero-um para o norte”.

Ela girou a chave e o motor rangeu com um barulho forte, em seguida começou a dirigir tão lentamente que precisei de toda força possível para não levantá-la nos braços e ficar em seu lugar para dirigir.

Fiquei observando suas feições, a ruga formada em sua testa, seus olhos escuros, pequenos. Bella estava muito cautelosa, muito lenta, muito preocupada.

Pareciam que horas se passaram e ainda estávamos em Forks.

A velocidade para mim sempre foi um atrativo, mas observá-la era ainda mais viciante.

“Você estava planejando voltar á Forks antes do anoitecer?” – brinquei.

“Esta velha caminhonete é velha o suficiente pra ser a avó do seu carro- tenha algum respeito”. – ela devolveu.

Em algum tempo, estávamos fora dos limites da cidade. Grossos arbustos e árvores com os troncos cobertos de verde substituíam os gramados e as casas.

“Vire á direita na um-dez”, – instrui quando ela fez menção de perguntar.

Eu planejava levá-la a um lugar que fosse nosso, onde pudéssemos conversar e onde ela pudesse me ver como eu sou. Seria complicado levá-la pela trilha e seria divertido também.

“Agora nós vamos até onde o asfalto termina.” – instrui novamente.

Divertindo-me, antecipando os problemas que teríamos pela frente com a trilha.

Bella era um atrativo para o perigo.

“E onde é que dá, quando o asfalto acaba?” – ela me perguntou.

“Numa trilha”.

“Nós vamos fazer uma caminhada?” – ela pareceu muito surpresa.

“Isso é um problema?”

“Não” – ela respondeu prontamente.

“Não se preocupe. São só uns cinco quilômetros, e nós não estamos com pressa”.

Ela girou a chave e o motor rangeu com um barulho forte, em seguida começou a dirigir tão lentamente que precisei de toda força possível para não levantá-la nos braços e ficar em seu lugar para dirigir.

Fiquei observando suas feições, a ruga formada em sua testa, seus olhos escuros, pequenos. Bella estava muito cautelosa, muito lenta, muito preocupada.

Pareciam que horas se passaram e ainda estávamos em Forks.

A velocidade para mim sempre foi um atrativo, mas observá-la era ainda mais viciante.

“Você estava planejando voltar á Forks antes do anoitecer?” – brinquei.

“Esta velha caminhonete é velha o suficiente pra ser a avó do seu carro- tenha algum respeito”. – ela devolveu.

Em algum tempo, estávamos fora dos limites da cidade. Grossos arbustos e árvores com os troncos cobertos de verde substituíam os gramados e as casas.

“Vire á direita na um-dez”, – instrui quando ela fez menção de perguntar.

Eu planejava levá-la a um lugar que fosse nosso, onde pudéssemos conversar e onde ela pudesse me ver como eu sou. Seria complicado levá-la pela trilha e seria divertido também.

“Agora nós vamos até onde o asfalto termina.” – instrui novamente.

Divertindo-me, antecipando os problemas que teríamos pela frente com a trilha.

Bella era um atrativo para o perigo.

“E onde é que dá, quando o asfalto acaba?” – ela me perguntou.

“Numa trilha”.

“Nós vamos fazer uma caminhada?” – ela pareceu muito surpresa.

“Isso é um problema?”

“Não” – ela respondeu prontamente.

“Não se preocupe. São só uns cinco quilômetros, e nós não estamos com pressa”.

 

Ela ficou em silêncio, dirigindo com cuidado, observando a estrada que estava chegando ao seu final.

Do jeito que Bella é um pouco atrapalhada, talvez eu soubesse qual era a sua preocupação em fazer uma caminhada, mas eu a manteria a salvo.

Mas o que a preocupa? Será somente a caminhada?

Bella sempre me surpreendia em suas reações, será que entendi errado?

Ela pensava demais e exteriorizava pouco esses pensamentos, pelas suas feições era difícil entender o que se passava em sua mente. Finalmente não agüentei e perguntei impaciente.

“O que você está pensando?”

“Só imaginando pra onde estamos indo”. – ela respondeu.

“É um lugar pra onde eu gosto de ir quando o clima está bom”.

Nós dois olhamos para as nuvens que estavam afinando depois que ele falou.

“Charlie disse que hoje estaria morno”

“E você contou ao Charlie o que ia fazer?” – perguntei

“Não”.

“Mas Jéssica acha que vamos pra Seattle juntos?” – perguntei animado.

“Não, eu disse pra ela que havíamos cancelado. O que é verdade”.

“Ninguém sabe que você está comigo?” – perguntei com raiva. Porque ela não diria que estaria comigo? Se acontecesse alguma coisa, onde a procurariam?

“Isso depende… eu acredito que você tenha contado pra Alice”. – ela informou.

“Isso ajuda muito, Bella”. – fiquei muito nervoso – “Forks te deixa tão deprimida que agora você virou suicida?” – perguntei quando percebi que ela ignorou meu comentário.

“Você disse que podia te causar problemas…nós sendo vistos juntos publicamente”. – ela me recordou.

Ela está preocupada comigo?

“Então você está preocupada com o que pode acontecer comigo se você não voltar pra

casa?” – eu ainda sentia raiva, mas respondi de forma sarcástica.

Ela afirmou com a cabeça, mantendo meus olhos na estrada.

“Imprudente. Sempre pensando nos outros” – falei tão baixo que nem mesmo Bella ao meu lado poderia entender.

Ficamos em silêncio pelo resto do caminho.

Fiquei irritado com a atitude dela. Imprudente. Como se eu não pudesse cuidar de mim. Preocupada comigo, ao invés de sua própria segurança. A caminho do matadouro e preocupada comigo!

Eu não conseguia entender.

E então a estrada acabou, sendo seguida por uma fina trilha , marcada por um pedaço de

madeira. Ela parou no acostamento e descemos do carro. Estava mais quente agora. Ela tirou seu sweater e amarrou na cintura deixando a mostra uma camisa leve, sem mangas.  

Eu também tirei meu sweater.

Fiquei observando a floresta, enquanto percebia os olhos de Bella em mim.

“Por aqui” – lhe disse, olhando para ela por cima do ombro.

Como eu pude trazê-la aqui comigo.

Qual será a sua reação ao me ver perante o sol? e se ela se apavorar? e se eu a machucar? Eu nunca me perdoaria. Eu daria um jeito de tirar a minha vida.

Comecei a entrar pela trilha escura e Bella me seguiu.

“A trilha?” – ela falou, a voz embargada. Parecia em pânico.

“Eu disse que havia uma trilha no fim do caminho, não que íamos usá-la”. – respondi.

“Sem trilha?” ela perguntou desesperada.

“Você não vai se perder”. – encarando seus olhos de forma zombeteira.  

Ela suspirou. sua expressão pesada, abatida.

Rodou os olhos pelo meu rosto e peito. depois olhou nos meus olhos de novo.

“Você quer voltar pra casa?” – perguntei baixinho, imaginando que ela finalmente entendeu que deveria ter medo de mim. Uma dor aguda no peito.

“Não” – ela caminhou até ficar ao meu lado.

“Qual é o problema?” – perguntei confuso..

“Eu não sou muito boa em caminhadas” – ela respondeu de um salto – “Você vai ter que ser paciente”.

“Eu posso ser paciente- se eu fizer um grande esforço”. – sorri  prendendo meus olhos nos seus, tentando fazê-la acreditar que estará segura comigo.

Ela sorriu de volta, ainda abatida.

Será que ela está com medo mesmo? de não voltar pra casa? De se perder? Que eu a deixe aqui?

“Eu vou te levar pra casa” – prometi.

“Se você quer que eu ande cinco quilômetros dentro da floresta antes que o sol se ponha, é melhor você começar a mostrar o caminho” – ela disse asperamente.

Fiz uma careta, tentando entender seu tom de voz, sua expressão.

Ela está com medo, mas insisti em me seguir. Eu devo levá-la de volta pra casa agora? Devo continuar?

Sou tão egoísta pela presença dela, que prefiro continuar.

O caminho era quase todo plano e segurei as samambaias e trepadeiras pra que ela passasse. Quando o caminho ficou fechado por causa de árvores caídas e pedregulhos, eu a levantei pelo cotovelo e a devolvi ao chão quando o caminho estava limpo.

Cada vez que eu a tocava, sentia seu coração bater alucinadamente. Ela me encarou por várias vezes. Caminhamos em silêncio. O rosto de Bella uma hora tenso em outra pensativo e meio que para me distrair por não poder ouvir seus pensamentos, perguntei coisas aleatoriamente a ela. Coisas do tipo: qual sua fruta favorita, sobre seus aniversários, suas notas, os animais de estimação de sua infância. Eu ri alto quando ela afirmou ter desistido dos animais depois de ter matado três periquitos.

A caminhada nos tomou boa parte da manhã, mas eu não me importei. O fato de estar com ela por tanto tempo e não sentir desejo em matá-la, me deixava ao mesmo angustiado e feliz.

Eu sabia exatamente o caminho, na minha velocidade, teríamos chegados em alguns minutos. mas eu queria deixá-la caminhar, sentir o lugar, preparar seu emocional.

Ou preparar a mim mesmo. Eu não tinha idéia do que se passava em sua mente e de qual seria a sua reação a mim.

Depois de algumas horas, a luz que passava pela copa das árvores se transformou, o tom azeitona se tornou uma cor brilhante de Jade. O dia tinha se tornado ensolarado, exatamente como Alice havia previsto e como ela previu também que nós deveríamos demorar a chegar na clareira.

“Já chegamos?” Bella perguntou fazendo-se nervosa.

“Quase” – sorri – “Você vê a claridade alí na frente?”

Ela apertou os olhos tentando enxergar dentro da vasta floresta – “Humm, eu devia?”

“Talvez seja cedo demais pra os seus olhos”- brinquei.

Eu me esquecia de que era diferente para Bella, eu não me lembrava muito da minha vida humana, de como era ver e não enxergar realmente. Como era ser lento. Como era poder morrer. Esse pensamento me perturbava constantemente.

“Hora de visitar o oculista”, ela murmurou.

Sorri me esquecendo de meus devaneios.

De repente Bells apertou os passos ansiosa, passou a minha frente e eu a segui  observando.

A vi entrar na clareira vislumbrada, como eu fiquei da primeira vez que vi sua reação nas visões de Alice.

A clareira era pequena, perfeitamente redonda e cheia de flores selvagens- violetas, amarelas e de um branco macio. Em algum lugar próximo eu ouvia o som borbulhante de um rio. O sol estava bem á frente, enchendo o círculo com uma incandescente luz amarela. Ela caminhou lentamente através da grama macia e das flores. Ela deu uma meia volta, mas não me viu.

Ela se virou me procurando assustada, mas estava escondido, à sombra das copas na borda da clareira a observando com olhos cuidadosos. Ela pareceu se recordar do que eu queria lhe mostrar. Minha pele ao sol.

Ela veio em minha direção com olhos curiosos.

Eu não sabia se estava fazendo o certo, se ela me visse desta forma talvez percebesse finalmente, que sou um monstro. Que ela corre perigo. Talvez ela se assuste demais e queira fugir e se machuque.

Ela sorriu, me encorajando e senti todo o receio se esvair do meu corpo. Ela estendeu sua mão e deu outro passo na minha direção, mas eu a detive com um sinal de reprovação.

Ela retornou um passo, hesitante. Eu não queria assustá-la eu a queria por inteiro, como eu estava me entregando a ela agora, me revelando.

Respirei fundo, muito fundo, como se precisasse de todo o ar existente na campina, então dei um passo na direção do sol.

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