PARTES CORTADAS DO LIVRO

TWILIGHT – CREPÚSCULO

Twilight – Badminton

(Observações: esta cena foi cortada do capítulo 11, “Complicações”.

 Me incomodou tirá-la, mas eu não conseguia entender por que, então eu deixei pra

lá. Quando era tarde demais para colocar isso de volta, eu finalmente percebi o

que estava me perturbando. Mesmo que eu tenha feito referências ao desajeito

da Bella em Educação Física várias vezes, eu nunca mostrei isso realmente.

Essa foi a única vez que Edward estava “assistindo”, e, assim, o lugar natural

para mostrar essa falta de jeito. E agora minha explicação é quase maior que a

cena cortada!)

Eu entrei no ginásio com a cabeça no ar, mancando. Eu me arrastei até o

vestiário, trocando de roupa como se estivesse em transe, apenas vagamente

consciente das pessoas que estavam ao meu redor. A realidade não me

alcançou realmente até que alguém colocou uma raquete na minha mão. Ela

não era muito pesada, mas mesmo assim parecia ser muito insegura na minha

mão. Eu podia ver alguns outros garotos da minha aula me olhando

furtivamente. O treinador Clapp ordenou que nós fizéssemos pares para o jogo.

Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike ainda

sobreviviam; ele veio ficar ao meu lado.

– Você quer ser minha parceira? – ele perguntou alegremente.

– Obrigada, Mike. Você não precisa fazer isso, sabe. – Eu fiz uma careta.

– Não se preocupe, eu vou me manter fora do seu caminho. – Ele sorriu. Às

vezes é tão fácil ser aficionada por Mike.

As coisas não foram suaves. Eu tentei manter a distância para que Mike

continuasse o jogo com a peteca, mas o treinador Clapp veio até nós e

ordenou que ele permanecesse no seu lado da quadra para que eu pudesse

participar. Ele ficou lá, observando, para que suas ordens fossem cumpridas.

Com um suspiro, eu pisei numa parte mais centralizada da quadra, segurando

minha raquete pra cima, quase animadamente.

A garota do outro time sorriu maliciosamente enquanto dava o saque na peteca

– eu devo tê-la machucado nas seções de basquete – arremessando-a a

apenas alguns passos depois da rede, diretamente na minha direção.

Eu pulei desastradamente para frente, balançando a raquete na direção da

pequena peste de borracha, mas eu esqueci de levar a rede em conta. A minha

raquete saltou de volta da rede com uma força surpreendente, pulando da

minha mão e batendo na minha testa antes de atingir o ombro de Mike quando

ele correu para frente pra tentar rebater a peteca que eu já havia perdido

completamente.

O treinador Clapp tossiu, ou abafou uma risada.

– Lamento, Newton – ele murmurou, saindo de perto para que pudéssemos

voltar às nossas posições antigas, menos perigosas.

– Você está bem? – Mike perguntou, massageando o ombro, assim como eu

estava fazendo com a minha testa.

– É, você está? – eu perguntei, submissa, escondendo a minha arma.

– Eu acho que vou sobreviver. – Ele balançou o braço num círculo, pra ter

certeza de que ainda tinha total controle dos movimentos.

– Eu vou estar aqui atrás. – Eu caminhei de volta para o canto, no fundo da

quadra, segurando a minha raquete cuidadosamente atrás das minhas costas.

 

PARTES CORTADAS DO LIVRO

Twilight – Compras com Alice

(Notas: Vocês vão reconhecer partes desse capítulo – pequenas partes

sobreviveram e foram combinadas com o que é agora o Capítulo 20

(“Impaciência”). Este capítulo diminuiu o ritmo da parte da “caçada” da história,

mas eu senti que havia cortado muito da personalidade da Alice quando o

sacrifiquei.)

O carro era brilhante, preto e poderoso; as janelas dele eram tingidas como as

janelas de uma limusine. O motor ronronava como um gato enorme enquanto

nós acelerávamos pela noite profunda.

Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se importar, mas o musculoso carro

continuava a voar em frente com perfeita precisão.

Alice sentou-se comigo no banco traseiro de couro preto. De alguma forma,

durante a longa noite, a minha cabeça havia acabado encostada no pescoço

de granito dela, com os braços frios dela me enrolando, sua bochecha

pressionada no topo da minha cabeça. A frente da camisa fina de algodão dela

estava fria, úmida com as minhas lágrimas. De vez em quando, se a minha

respiração acabava ficando desigual, ela murmurava suavemente; com a sua

voz rápida, alta, os encorajamentos pareciam uma canção. Para me manter

calma, eu me concentrei no toque da sua pele fria; isso parecia ser uma

conexão física com Edward.

Os dois haviam me assegurado – quando eu me dei conta, o pânico tomou

conta de mim, todas as minhas coisas ainda estavam na caminhonete – que

deixar tudo para trás era necessário, alguma coisa a ver com o cheiro. Eles

disseram para eu não me preocupar com roupas ou com dinheiro. Eu tentei

confiar neles, fazendo um esforço para ignorar o quanto eu estava

desconfortável com as roupas de Rosalie que não me serviam direito. Isso era

uma coisa trivial para a mente.

Nas rodovias macias, Jasper nunca dirigiu o carro musculoso a menos de

cento e vinte milhas por hora. Ele parecia extremamente inconsciente dos

limites de velocidade, mas nós não vimos nenhum carro de patrulha. As únicas

paradas que fizemos durante a viagem monótona foram as duas vezes em que

paramos pra reabastecer.

Eu percebi à toa que Jasper entrou as duas vezes pra fazer o pagamento em

dinheiro.

O nascer do sol começou a aparecer quando estavamos em algum lugar ao

norte da Califórnia. Eu observei com os olhos secos, ardendo, enquanto uma

luz cinzenta começava a aparecer no céu sem nuvens.

Eu estava exausta, mas o sono me iludia, minha mente estava muito cheia de

imagens perturbadoras pra relaxar e ficar inconsciente. A expressão devastada

de Charlie; o rugido brutal de Edward, com os dentes descobertos; o olhar

afiado nos olhos do perseguidor; a expressão vazia de Laurent; o olhar morto

nos olhos de Edward depois que ele me beijou pela última vez… Elas eram

como slides passando na frente dos meus olhos, os meus sentimentos se

alternavam entre terror e desespero.

Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse pra pegar comida pra mim.

Mas eu balancei a minha cabeça, cansada, e disse com uma voz oca para ele

continuar dirigindo.

Algumas horas depois, num subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou

suavemente com ele de novo e ele saiu da rodovia, fazendo soar meus

protestos febris. Um grande shopping era visível da estrada e ele dirigiu

naquela direção, estacionando na garagem, embaixo do nível dos

estacionamentos subterrâneos.

– Fique com o carro – ela instruiu Jasper.

– Você tem certeza? – Ele parecia apreensivo.

– Eu não vejo ninguém aqui – ela disse. Ele balançou a cabeça, consentindo.

Alice pegou minha mão e me tirou do carro. Ela segurou minha mão, me

mantendo próxima, ao seu lado, enquanto saíamos da garagem escura. Ela

ficou à beira da garagem, ficando na sombra. Eu percebi como a pele dela

parecia brilhar com a luz que refletia na calçada. O shopping estava lotado,

muitos grupos de compradores passaram, alguns deles viraram as cabeças

para nos ver passando. Nós caminhamos por baixo de uma ponte que cruzava

do nível mais alto dos estacionamentos até o segundo andar de uma loja de

departamentos, sempre nos mantendo fora dos caminhos da luz do sol.

Quando estávamos do lado de dentro, embaixo das luzes fluorescentes da loja,

Alice pareceu menos impressionante – somente uma garota com pele cor de giz

e olhos alertas, mas sombreados, e com o cabelo espetadinho. Os círculos

embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que os

dela.

Nós ainda chamávamos a atenção de qualquer que olhasse para o nosso

caminho. Eu me perguntei o que eles pensavam que estavam vendo. A Alice

delicada, dançante, com o seu estonteante rosto de anjo, vestida com tecidos

leves, em cores pálidas que não se comparavam exatamente com o tom de

pele dela, de mãos dadas comigo, obviamente me guiando pelo caminho,

enquanto eu cambaleava cansada nas minhas roupas que não ficavam bem,

mas que eram caras, o meu cabelo embaraçado nas minhas costas.

Alice me guiou diretamente para o centro alimentício.

– O que você quer comer?

O cheiro das comidas gordurosas fez o meu estômago revirar. Mas os olhos de

Alice não estavam abertos a persuasão. Eu pedi um sanduíche de peru, sem o

menor entusiasmo.

– Eu posso ir ao banheiro? – eu perguntei enquanto nós íamos para a fila.

– Tudo bem. – E ela mudou de direção, sem nunca soltar a minha mão.

– Eu posso ir sozinha. – A atmosfera lotada do shopping me fez sentir mais

normal do que eu havia me sentido desde o jogo desastroso da noite do dia

anterior.

– Desculpa, Bella, mas Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e

se ele ver que eu deixei você sair de vista por um minuto… – Ela parou, sem

vontade de contemplar as conseqüências.

Pelo menos ela esperou do lado de fora do banheiro lotado. Eu lavei o meu

rosto assim como as minhas mãos, ignorando os olhares assustados das

mulheres ao meu redor. Eu tentei passar os dedos pelos meus cabelos, mas eu

desisti rapidamente. À porta, Alice pegou minha mão e nós caminhamos

lentamente de volta para a fila da comida. Eu estava me arrastando, mas ela

não pareceu impaciente comigo.

Ela me observou comendo, devagar no início e depois mais rapidamente

quando o meu apetite voltou. Eu bebi o refrigerante que ela me trouxe tão

rapidamente que ela teve que me deixar por um momento – porém, sem tirar os

olhos de cima de mim – pra pegar outro.

– A comida que você come é definitivamente mais conveniente – ela comentou

enquanto eu terminava. – Mas ela não parece muito divertida.

– Caçar é mais excitante, eu imagino.

– Eu não tenho idéia. – Ela meu um sorriso largo que mostrava todos os dentes

e várias cabeças se viraram na nossa direção.

Depois de jogar o nosso lixo fora, ela me guiou pelos grandes corredores do

shopping, os olhos dela brilhando de vez em quando em direção a alguma

coisa que ela queria, me fazendo bater com ela a cada vez que ela parava. Ela

parou por um momento numa loja cara para comprar três pares de óculos

escuros, dois femininos e um masculino. Eu reparei quando o vendedor lançou

a ela um olhar incrédulo quando ela lhe deu um cartão de crédito estranho,

cheio de listras douradas. Ela encontrou uma loja de acessórios, na qual ela

comprou uma escova e alguns elásticos.

Ela não começou a trabalhar até que nós chegamos ao tipo de loja onde eu

nunca tinha entrado, porque até o preço de um par de meias estaria fora das

minhas possibilidades.

– Você deve ser tamanho dois. – Isso era uma afirmação, não uma pergunta.

Ela me usou como burro de carga, me enchendo com uma pilha estonteante de

roupas. De vez em quando eu a via pegando um tamanho extra-pequeno

enquanto ela escolhia alguma coisa para si mesma.

As roupas que ela escolhia para ela eram todas de materiais leves, mas

sempre de mangas longas ou no comprimento dos calcanhares, que serviriam

para cobrir a pele dela o máximo possível.

A vendedora teve a mesma reação ao cartão de crédito estranho, se tornando

mais servil e chamando Alice de “senhorita”. No entanto, o nome que ela disse

não era familiar. Assim que estávamos fora do shopping de novo, com os

braços cheios com as nossas sacolas, das quais ela tinha a parte maior, eu

perguntei a ela sobre isso.

– Do que ela te chamou?

– O cartão de crédito diz Rachel Lee. Nós vamos ser muito cuidadosos para

não deixar nenhum tipo de pista para o perseguidor. Vamos trocar as suas

roupas.

Eu pensei nisso enquanto ela me guiava para os provadores, me puxando até

a parte mais livre para que eu tivesse espaço para me movimentar.

Eu a ouvi procurando pelas sacolas, finalmente passando um vestido de

algodão azul para mim pela porta. Eu tirei agradecidamente os jeans muito

longos e muito apertados de Rosalie, tirei a blusa que ficava folgada nos

lugares errados em mim e passei de volta para ela pela porta. Ela me

surpreendeu me passando um par se sandálias de couro suave por baixo da

porta, quando foi que ela comprou isso? O vestido ficou incrivelmente bem em

mim, o corte caro ficava aparente pela forma com que ele se ajustava em mim.

Enquanto eu saía da cabine, eu percebi que ela estava jogando as coisas de

Rosalie no lixo.

– Fique com os seus tênis – ela disse. Eu os coloquei numa bolsa.

Nós voltamos para a garagem. Alice chamou menos olhares dessa vez; ela

estava tão coberta de sacolas que a pele dela mal estava visível.

Jasper estava esperando. Ele escorregou pra fora do carro quando nós nos

aproximamos – a mala estava aberta. Enquanto ele pegava as minhas sacolas

primeiro, ele olhou para Alice com um olhar mordaz.

– Eu sabia que deveria ter ido junto – ele murmurou.

– Sim – ela concordou. – Elas teriam te adorado no banheiro feminino.

Ele não respondeu.

Alice procurou rapidamente entre as sacolas dela antes de colocá-las na mala.

Ela deu a Jasper um par de óculos, colocando um par nela mesma. Ela me deu

o terceiro par e a escova. E ela puxou uma blusa fina, de mangas longas, de

um preto transparente, colocando-a por cima da sua camiseta, deixando-a

aberta. Finalmente, ela complementou com um chapéu de palha. Nela, a roupa

larga parecia ter saído de uma passarela. Ela agarrou mais uma porção de

roupas e, enrolando elas como uma bola, ela abriu a porta de trás e fez um

travesseiro no banco.

– Você precisa dormir agora – ela ordenou firmemente. Eu me agachei

obedientemente no banco, encostando a minha cabeça imediatamente,

virando-me de lado. Eu estava meio adormecida quando o carro ligou.

– Você não deveria ter me comprado todas essas coisas – eu murmurei.

– Não se preocupe com isso, Bella. Durma. – A voz dela estava tranqüila.

– Obrigada. – Eu respirei e caí num cochilo intranqüilo.

Foi a dor por ter dormido numa posição estranha que me acordou. Eu ainda

estava exausta, mas repentinamente alerta quando eu me lembrei de onde eu

estava. Eu me sentei para ver o vale do sol aparecendo à minha frente; as

largas superfícies planas dos telhados, as palmeiras, rodovias, muita fumaça e

as piscinas, abraçadas pelas curtas costas de pedra que nós chamávamos de

montanhas. Eu fiquei surpresa por não sentir nenhum senso de alívio, só uma

estridente saudade de casa pelos céus chuvosos e cercas verdes do lugar que

havia trazido Edward pra mim.

Eu balancei a cabeça, tentando afastar a onda de desespero que ameaçava

tomar conta de mim.

Jasper e Alice estavam conversando, cientes, eu tinha certeza, de que eu

estava consciente de novo, mas eles não deram nenhum sinal.

Suas vozes rápidas, suaves, eram uma alta onda de músicas ao meu redor. Eu

entendi que eles estavam decidindo onde ficar.

– Bella. – Alice se dirigiu a mim casualmente, como se eu já fosse parte da

conversa. – Em que direção fica o aeroporto?

– Fique na 1-10 – eu disse automaticamente. – Nós vamos passar direto por ele.

Eu pensei por um momento; meu cérebro ainda estava nebuloso com o sono.

– Vamos pegar um vôo pra algum lugar? – eu perguntei.

– Não, mas é melhor ficar por perto, na dúvida. – Ela tirou seu telefone e

aparentemente ligou para a central de informações. Ela falou mais devagar do

que o normal, perguntando por hotéis que ficassem perto do aeroporto,

concordando com as sugestões e depois pausando enquanto ela fazia outra

ligação. Ela fez reservas para uma semana em nome de Christian Bower,

dizendo um número de cartão de crédito sem olhar pra um. Eu a ouvi repetindo

as informações para o operador; eu tinha certeza de que ela não precisava de

ajuda com a memória dela. A visão do telefone me lembrou das minhas

responsabilidades.

– Alice – eu disse, enquanto ela terminava. – Eu preciso ligar pro meu pai. –

Minha voz estava sóbria. Ela me passou o telefone.

Já era de tarde; eu estava esperando que ele estivesse no trabalho. Mas ele

atendeu no primeiro toque. Eu vacilei, imaginando o rosto ansioso dele ao

telefone.

– Pai? – eu disse, hesitantemente.

– Bella! Onde você está, querida? – Um forte alívio aparecia na voz dele.

– Eu estou na estrada. – Eu não precisava contar que havia feito uma viagem de

três dias em uma noite.

– Bella, você precisa voltar.

– Eu preciso ir pra casa.

– Querida, vamos falar sobre isso. Você não precisa ir embora só por causa de

um garoto. – Ele estava sendo muito cuidadoso, eu podia notar.

– Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar nas coisas e depois eu decido se

vou voltar. Isso não tem nada a ver com você, ok? – A minha voz tremeu

levemente. – Eu amo você, paizinho. O que quer que eu decida, eu te vejo em

breve. Eu prometo.

– Tudo bem, Bella. – A voz dele estava resignada. – Me ligue quando chegar em

Phoenix. – Eu te ligo lá de casa, pai. Tchau.

– Tchau, Bells. – Ele hesitou antes de desligar.

“Pelo menos eu já estava de bem com Charlie de novo”, eu pensei enquanto

passava o telefone de volta pra Alice. Ela me observou cuidadosamente, talvez

esperando por outro colapso sentimental. Mas eu estava cansada demais.

A cidade familiar passava voando por mim pelas janelas escuras. O trânsito

estava leve. Nós fizemos rapidamente o caminho até o centro da cidade e

depois contornamos pelo norte do Sky Harbor Internacional, virando ao sul em

Tempe.

Do outro lado do rio Salt River, a mais ou menos uma milha do aeroporto,

Jasper saiu da estrada sob comando de Alice. Ela o direcionou facilmente

através das ruas até a entrada do Hilton, próximo ao aeroporto. Eu estava

pensando em um motel, mas eu tinha certeza de que eles iam acabar com as

minhas preocupações com dinheiro. Eles pareciam ter uma reserva infindável.

Nós estacionamos na garagem com manobristas debaixo da sombra de uma

grande árvore e dois atendentes se aproximaram rapidamente do

impressionante automóvel. Jasper e Alice saíram rapidamente, muito parecidos

com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí estranhamente,

rígida pelas horas que passei dentro do carro, me sentindo simples demais.

Jasper abriu a mala e os obsequiosos empregados rapidamente pegaram

nossas bolsas de compras e as colocaram num carrinho. Eles eram bem

treinados demais para se surpreenderem com a nossa falta de verdadeira

bagagem.

O carro estava bem frio dentro do seu interior escuro; sair à tarde em Phoenix,

mesmo na sombra, era como enfiar a minha cabeça dentro de um forno

industrial. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti em casa.

Jasper andou confiantemente pelo saguão vazio. Alice se manteve

cuidadosamente ao meu lado, os atendentes nos acompanhando

ansiosamente com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seu

ar inconscientemente real. “Bower” foi tudo o que ele disse para a recepcionista

com aparência profissional. Ela rapidamente processou a informação, com

apenas a menor das olhadas para o ídolo de cabelos dourados na frente dele e

isso traiu sua profissionalidade. Nós fomos rapidamente guiados para a nossa

grande suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só por pura

convencionalidade. Os atendentes colocaram eficientemente as nossas malas

no chão, enquanto eu me sentava fracamente no sofá e Alice ia dançando

examinar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles enquanto eles

saíam, e o olhar que eles trocaram na saída foi mais que de satisfação – foi de

soberba. E aí ficamos sozinhos.

Jasper foi para as janelas, fechando as duas camadas de cortinas

seguramente. Alice apareceu e derrubou um cardápio do serviço de quarto no

meu colo.

– Peça alguma coisa – ela instruiu.

– Eu estou bem – eu disse, boba.

Ela me deu uma olhada obscura e pegou o cardápio de volta. Murmurando algo

sobre Edward, ela pegou o telefone.

– Alice, sério – eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Eu coloquei a minha

cabeça no braço do sofá e fechei os meus olhos.

Uma batida na porta me acordou. Eu me levantei tão rápido que rolei do sofá

para o chão e bati a minha testa na mesinha de café.

– Ow – eu disse, confusa, esfregando a minha testa.

Eu ouvi Jasper rir uma vez e olhei pra cima para vê-lo cobrindo a boca,

tentando abafar o resto da sua diversão. Alice abriu a porta, pressionando os

lábios firmemente, os cantos da boca dela se contorcendo.

Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minha

comida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava ao meu

redor. Alice carregou a bandeja com tanta maestria, como se ela tivesse sido

garçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus joelhos.

– Você precisa de proteína – ela explicou, levantando o globo prateado para

revelar um grande filé e uma escultura decorativa de batata. – Edward não vai

ficar feliz se o seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui.

Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.

Agora que eu conseguia cheirar a comida, eu estava com fome de novo. Eu

comi rapidamente, sentindo a energia retornar enquanto os açúcares entravam

no meu sistema sanguíneo. Alice e Jasper me ignoraram, assistindo o jornal e

conversando tão rapidamente e tão baixo que eu não consegui entender uma

só palavra.

Uma segunda batida soou na porta. Eu pulei, ficando de pé, cuidadosamente

evitando outro acidente com a bandeja meio vazia na mesinha de café.

– Bella, você precisa se acalmar – Jasper disse, enquanto Alice atendia a porta.

Uma camareira da equipe do hotel entregou a ela uma pequena sacola com a

logo do Hilton e foi embora rapidamente. Alice a trouxe e entregou para mim.

Eu a abri para encontrar uma escova de dente, pasta de dente e todas as

outras coisas necessárias que eu havia deixado na minha caminhonete. As

lágrimas pularam dos meus olhos.

– Vocês são tão gentis comigo. – Eu olhei para Alice e depois para Jasper,

emocionada. Eu me dei conta de que Jasper estava sendo anormalmente

cuidadoso para não se aproximar de mim, então eu me surpreendi quando ele

veio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.

– Você é parte do grupo agora – ele brincou, sorrindo calidamente. Eu senti uma

pesada lassitude passando pelo meu corpo, de repente minhas pálpebras

estavam pesadas demais pra segurar. – Muito súbito, Jasper – eu ouvi Alice

dizer num tom torto. Seus braços frios e magros escorregaram por baixo dos

meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estava

adormecida antes que ela me colocasse na cama.

Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e eu

estava mais alerta do que geralmente ficava quando acordava. Estava escuro,

mas havia flashes avermelhados de luz entrando por baixo da porta. Eu me

inclinei para o lado da cama, tentando encontrar uma luminária na mesinha de

cabeceira. Uma luz se acendeu em cima da minha cabeça, eu fiquei asfixiada,

e Alice estava lá, ajoelhada ao meu lado na cama, sua mão estava sobre a luz

que era estupidamente instalada sobre a cabeceira da cama.

– Desculpa – ela disse enquanto eu me jogava de volta no travesseiro, aliviada.

– Jasper está certo – ela continuou. – Você precisa relaxar.

– Bem, não diga isso a ele – eu murmurei. – Se ele tentar me relaxar mais ainda,

eu vou entrar em coma.

Ela gargalhou. – Você percebeu, né?

– Se ele tivesse me atingido na cabeça com uma frigideira, teria sido menos

óbvio.

– Você precisa dormir. – Ela levantou os ombros, ainda sorrindo.

– E agora eu preciso de um banho, eca! – Eu me dei conta de que ainda estava

usando o vestido azul, que agora estava tão amassado quanto tinha o direito

de estar. Minha boca estava com um gosto estranho.

– Eu acho que você vai ficar com uma mancha na testa – ela mencionou

enquanto eu ia para o banheiro.

Depois que eu me limpei, eu me senti muito melhor. Eu vesti as roupas que

Alice havia colocado em cima da cama para mim, uma blusa verde que parecia

ser feita de seda, e shorts de linho cor de bronze.

Eu me senti culpada por minhas roupas novas serem tão mais legais do que as

outras coisas que eu tinha deixado para trás.

Foi bom finalmente fazer alguma coisa com o meu cabelo; os xampus do hotel

eram de boa qualidade e o meu cabelo ficou brilhando de novo. Levou algum

tempo pra secá-lo até que ele ficasse perfeitamente liso. Eu tinha a sensação

de que não faríamos muita coisa hoje. Uma inspeção mais próxima no espelho

revelou uma mancha escura em cima da minha sobrancelha. Fabuloso.

Quando eu finalmente apareci, havia luz aparecendo pelas beiradas das

cortinas grossas. Alice e Jasper estavam sentados no sofá, olhando

pacientemente para a TV quase muda. Havia uma nova bandeja de comida na

mesa. – Coma – Alice disse, apontando pra ela firmemente.

Eu me sentei obedientemente no chão e comi sem reparar na comida. Eu não

gostava da expressão nos rostos de nenhum deles dois. Eles estavam quietos

demais. Eles assistiam a TV sem nunca desviar os olhos, mesmo quando os

comerciais estavam passando. Eu empurrei a bandeja, meu estômago

abruptamente inquieto. Agora Alice olhava para baixo, olhando para a bandeja

quase cheia com um olhar de desgosto.

– Qual é o problema, Alice? – eu perguntei, submissa.

– Não há nada errado. – Ela me olhou com olhos grandes, honestos, nos quais

eu não acreditei nem por um segundo.

– Bem, o que fazemos agora?

– Nós esperamos Carlisle ligar.

– E ele já devia ter ligado a essa hora? – Eu podia ver que estava me

aproximando da verdade. Os olhos de Alice flutuaram de mim para o telefone

no topo da sua bolso de couro e depois de volta.

– O que isso significa? – Minha voz tremeu e eu lutei para controlá-la. – Que ele

ainda não tenha ligado? – Isso só significa que eles ainda não têm nada para

nos dizer. – Mas a voz dela estava uniforme demais, e de repente o ar ficou

difícil de respirar.

– Bella – Jasper disse, numa voz suspeitosamente tranqüilizadora -, você não

tem com o que se preocupar. Você está completamente segura aqui.

– Você acha que eu estou preocupada com isso? – eu perguntei, sem acreditar.

– E o que mais há? – Ele também parecia surpreso. Ele devia sentir o teor das

minhas emoções, mas ele não conseguia ler as razões por trás delas.

– Você ouviu o que Laurent disse. – Minha voz estava baixa, mas eles podiam

me ouvir facilmente, é claro. – Ele disse que James é letal. E se alguma coisa

der errado e eles se separarem? E se alguma coisa acontecer com qualquer

um deles? Carlisle, Emmett… Edward… – Eu engoli em seco. – E se a fêmea

selvagem machucar Rosalie ou Esme…? – Minha voz ficou mais alta, um tom

de histeria começando a aparecer por trás dela. – Como é que eu vou

conseguir viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês

devia estar se arriscando por mim- – Bella, Bella, pare – ele me interrompeu, as

palavras dele fluindo rapidamente. – Você está se preocupando com as coisas

erradas, Bella. Confie em mim, nenhum de nós corre risco. Você está

passando por muito estresse com isso, não acrescente preocupações

desnecessárias a tudo isso. Ouça – eu havia desviado o olhar -, nossa família é

forte. O nosso único medo é perder você.

– Mas por que vocês…? – Alice me interrompeu dessa vez, tocando a minha

bochecha com os seus dedos frios.

– Já faz quase um século que Edward tem estado sozinho. Agora ele encontrou

você e a nossa família está inteira. Você acha que nós vamos querer olhar nos

olhos dele pelos próximos cem anos se ele te perder?

Minha culpa foi desaparecendo enquanto eu olhava para os olhos escuros

dela. Mas, mesmo enquanto a calma se espalhava por mim, eu sabia que não

podia confiar nos meus sentimentos quando Jasper estava presente.

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