8. O Passado Bate a Porta

 Mesmo não tendo ideia do que me esperava desci e abasteci meu estômago, como se não tivesse escutado nada, de uma coisa eu tinha certeza, me cuidaria muito bem para que o bem estar de Adan estivesse garantido.

Comi e segui para o jardim, estava bem cuidado como sempre, podado e livre de ervas daninhas, minha avó Esme era a responsável pelos belos jardins dos Cullens, sempre muito dedicada e detalhista ela cuidava de cada plantinha com zelo e amor, quando eu era pequena ela tentou me ensinar, mas desistiu de tentar quando esmigalhei a décima plantinha que ela colocara aos meus cuidados, eu achava lindas as manchinhas coloridas que ficavam em minhas mãos cada vez que eu espremia as plantas que minha avó me dava, queria mostrar a todos a quantidade de líquido que eu extraia das coitadinhas, quando mostrava a minha avó o meu feito toda emocionada ela afagava meus cabelos e me presenteava com um sorriso, mas sei que no fundo ela pensava – definitivamente jardinagem não é a vocação da minha netinha, mais uma planta assassinada cruelmente – claro que naquela época eu não fazia idéia de que era errado esmagar as plantinhas, afinal, era tão divertido.

Caminhei lentamente pelo jardim tentando assimilar a conversa que ouvi na biblioteca, tentava afastar de minha mente qualquer preocupação, mas era impossível para mim ignorar o que eu tinha ouvido, meu coração estava apertado.

Sentei junto ao lago que fica nos fundos da mansão, quando criança, sempre que me chateava e queria ficar sozinha era pra junto do lago que eu ia, só que ironicamente Jake e minha mãe, sempre sabiam onde me encontrar.

O velho balanço de pneu que Jacob construiu para mim ainda estava lá, passei por ele e entre as pedras tinha um pequeno abrigo onde eu guardava um lençol que eu sempre estendia a beira do lago quando queria ler um pouco sozinha.

Peguei o lençol e como quando era pequena o estendi a beira do lago, sentei sobre ele e comecei a brincar com as pedrinhas do jardim jogando as no lago, eu estava me enganando, fazia de tudo pra não pensar, mas só o que eu fazia era pensar no que meu pai e meu avô disseram sobre mim, afinal de contas por que é que eles teriam de me vigiar? O que aquelas drogas de exames mostraram? Não é possível que tenha algo de errado com meu filhinho.

A angustia me consumia e como um dejavú ouvi minha mãe se aproximando de mim, como acontecia quando eu era criança.

 -Nessie meu anjo posso me juntar a você? – perguntou minha mãe ao sentar se ao meu lado

 -Claro que sim mãe – sempre carinhosa, minha mãe sabia exatamente quando eu precisava dela.

-Querida, me diga por que está tristinha?

 -Não estou triste mãe, é só impressão sua – tentei desviar do assunto, inutilmente, sabe que minha teimosia é herdada da minha mãe né!

 -Nessie, eu conheço muito bem esse olhar querida, costumava vê-lo sempre que olhava no espelho, quando ainda era humana.

-Não consigo te enganar mesmo não é? Mas não se preocupe, que vai passar, não é nada sério.

-Meu anjo venha cá, – Disse minha mãe me puxando e deitando minha cabeça em seu colo, como quando eu era pequena – sabe que pode me contar tudo não sabe?

 -Sei sim mãe, só que…- ela não deixou que eu completasse a frase pousando seus dedos frios sobre meus lábios.

 -Shiiii, agora imagine que ainda é uma garotinha e me conte tudo que te aflige. – falou minha mãe carinhosamente – você cresceu muito rápido e preciso sentir que minha filhinha ainda depende de mim, eu te amo tanto querida e sei que agora você também sabe quantificar o tamanho desse amor, já que o seu filhinho está a caminho. – fechei meus olhos ao ouvir as palavras de minha mãe, mais uma vez ela estava coberta de razão, agora mais do que nunca eu sabia a força de tamanho sentimento.

As lágrimas inundaram meus olhos que não conseguiram represá-las pelo tempo que eu gostaria, deixando minha fragilidade exposta na presença de minha mãe.

A quem eu queria enganar? Ela sabia exatamente que eu não estava bem e que eu precisava dela naquele momento. Só que eu queria de algum modo conseguir resolver minhas angustias sem que fosse necessário angustiá-la também.

– Nessie querida, está chorando! Diga pra mamãe o que se passa dentro do seu coração.

 -Mãe, não quero que se preocupe, vou resolver tudo, de um jeito ou de outro.

 -Você não vai não. Nós vamos meu amor, será que não entende que os seus problemas são meus problemas? E toda sua angustia também é minha angustia? – Bella é sempre Bella, afinal de contas e agora mais protetora do que nunca, eu realmente estava precisando de minha mãe, se eu não pudesse confiar nela, em quem mais eu confiaria? Percebi que precisava e queria dividir tudo isso com minha mãe e como mãe ela saberia me aconselhar.

 -Mãe, tem alguma coisa errada com meu filho. – Senti os músculos de minha mãe se retesarem sob minha cabeça, me sentei para encará-la nos olhos.

 -O que tem de errado com ele Ness? – perguntou minha mãe preocupada.

 -Na verdade não sei ainda, mas ouvi sem querer uma conversa entre meu pai e meu avô que me deixou muito preocupada.

 -O que exatamente você ouviu Ness?

 -Ouvi eles dizendo que terão de ficar de olho em mim.

-Ah querida, não precisa se preocupar, sabe como tudo isso é novo pra eles e eles tem muito cuidado com você meu amor, por que a amam demais e não querem que nada aconteça com vocês.

 -Só que tem mais mãe – falei séria

 -Eles pediram ajuda ao tio Jasper, disseram que ficasse de olho em mim – enquanto eu falava observava a reação de minha mãe, ela tentava se manter impassível, mas percebi que o que eu contara fez com que alterasse sua postura.

-Ness querida, não deve ser nada demais, não fique se preocupando com isso – disse ela tentando me acalmar – vou sondar seu pai sobre seus exames, sem dizer que escutou a conversa deles, mas estou certa de que não é nada de grave, apenas preocupação de pai e avô.

 -Não mãe, algo dentro de mim diz que é alguma coisa séria.

 -Nada disso, amor, você está grávida e quando estamos assim nossos sentimentos ficam a flor da pele sabe, exageramos muitas vezes sem razão. Esteja certa de que isso nada mais é do que medo de mãe de primeira viagem. Já passei por essa fase e sei bem tudo o que está sentindo.

-Você acha mesmo mãe?

-Tenho certeza que é isso, mas fique tranquila que vou sondar seu pai pra saber mais detalhes.

-Obrigada mãe.

 -Querida, esse é o meu trabalho desde que nasceu.

-Mãe te amo! – joguei meus braços ao redor do pescoço de minha mãe e me deixei reconfortar por seu abraço como quando era pequena. Uma sensação de segurança percorreu todo o meu corpo e me deixei levar pelo cuidado, carinho e amor que aquele abraço continha.

-Também te amo meu anjo, agora vou ter com seu pai. – segurei mais firme para que não se afastasse de mim

-Mãe, não me deixe sozinha agora por favor. – pedi como uma criança de colo. -Ness querida, não a deixarei sozinha, vou deixa-la com a melhor das companhias.

 -Ness pode me desculpar meu amor? – A voz de Jake soou grave atrás de mim, me fazendo arrepiar e meu coração aquecer.

 

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