Prefácio

Quando as coisas realmente mudaram pra mim?

Na primeira vez que a vi nos braços daquela loira idiota?

Não. Aquilo só foi o começo do meu inferno o começo do meu vicio que era tão inocente …puro.

Quando foi exatamente que ter ela nos meus braços virou uma necessidade?

Grande porcaria de vida!

Eu só queria identificar o momento exato em que seu cheiro, o calor de sua pele e o seu gosto me fizeram a querer ainda mais.

Uma parte de mim só quer se ver livre dela mais outra parte, a maior parte, sinceramente ansiava por poder tocá-la, beijá-la e a ouvir gemer e se entregar.

Nem as decepções me faziam querer menos ou tentar odiá-la, eu não sei se um dia estarei livre de Renesmee Cullen talvez esse dia nunca chegue.

O quão humilhado um homem pode ser, ou idiota, se você gostar de palavras mais realistas, o quão dilacerado alguém pode ficar antes de assumir que está perdido?

Agora eu vejo, eu não vou me livrar dela não enquanto o meu maldito coração bater, mais tenho suspeitas que nem lá no inferno que é pra onde eu vou depois disso, estarei livre dela.


 

1. Saudades

Minha mente me levava há exatos 8 dias atrás quando eu soube, quando tudo realmente começou a fazer sentido em mim. Jacob Black era meu e eu era dele, a felicidade emanava desse pensamento e enchia o meu peito de uma forma asfixiante. Minha mente, em meio aos sonhos, continuava me levando para aquela noite há uma semana atrás quando ele entrou pela minha janela e me abraçou em meio ao sono. Já fazia 1 longo ano que Jake não dormia mais comigo. Desde a noite em que eu tive a idéia de provocá-lo afinal eu estava cansada dele me ver somente como uma criança. Me arrependi um pouco depois de ter feito. Eu senti a sua falta, senti saudades dos braços dele em minha volta enquanto dormia, mas semana passada eu descobri que essa falta que eu sentia não era só minha. Meus sonhos e lembranças das mãos de Jake passando por mim acabaram de repente, pois eu já deveria estar acordada pelo menos era o que minha tia vinha falando pelo corredor.

Era outono, as folhas caiam das arvores lá fora. Setembro enfim começava eu deveria me alegrar com isso, segundo eles, mais claro isso não acontecia. Soltei um resmungo audível, a manhã estava irritantemente bonita e uma brisa fria nesse momento entrou pela minha janela enquanto eu insistia em ficar na cama.

– Ora, vamos Nessie. Eu te levo pra fazer compras depois..

– Não!!! – gritei da forma mais emburrada que o sono me permitiu fazer

– Ah! Como assim? Está recusando compras? Shopping?

– Sim, eu estou não vou ser comprada dessa vez tia, pode esquecer – cantarolei pra Alice, ela por sua vez estirou sua pequena língua pra mim e num tom quase magoado – que com certeza eu acreditaria se não a conhecesse tão bem – falou ao ensaiar uma saída do meu quarto.

– Oh! Certo eu nunca te comprei sabe.. Mas, bem, vou ter que chamar seu pai pra te tirar daí então.

-Ugh! – sentei em minha cama num movimento brusco – Ok, tia estou indo – levantei-me sem a menor vontade levei automaticamente meus punhos até os meus olhos e os esfreguei por alguns segundos antes de abri-los de novo e me deparar com minha mãe e seus grandes e furiosos olhos dourados me estudando. Seus cabelos compridos e escuros balançavam conforme ela fazia movimentos constantes me demonstrando sua impaciência.

– Vamos logo Renesmee seu pai esta ficando irritado – “Só ele?” pensei ao me arrastar pro banheiro fazendo múltiplas caretas no processo. Por que eles estavam com essa idéia agora? Quem raios queria viver experiência mais humanas aqui? Eu não era disso tenho certeza. Como se me formar no ensino médio fosse alguma coisa.

– Eu não quero fazer isso – supliquei ao entrar na cozinha pra tomar meu café “humano”.

Meu pai estava sentado numa cadeira na ponta mais distante da mesa, pra variar estava lindo, seus cabelos pareciam mais desalinhados que o normal e ele estampava um sorriso gigantesco que me passava a idéia de malicia e extrema alegria ao mesmo tempo “Droga” ele esta amando isso.

– Ah pare com isso pai você esta me deprimindo – sentei-me e comecei a me servir ouvindo um riso baixinho – Isso tudo porque não poderei ver o Jake enquanto estiver lá? Oh parabéns, Sr. Cullen, excelente idéia – demonstrei ainda mais o tédio que sentia e logo completei num murmúrio baixo – excelente tortura.

A risada cessou – Não seja tão dramática Nessie e sim estou muito feliz com essa idéia – meu olhar quase assassino o fez parar por instantes mais ele deu de ombros colocando em seu rosto aquele sorriso que derretia minha mãe e que derretia até a mim mesma quando era menor – Mas estou principalmente feliz com a idéia de você sendo humana só pra variar, você ainda se lembra que é meio uma certo? E não seja tão sarcástica também, eu posso não aparentar mais sou seu pai.

– Ok – meu ânimo continuava no zero eu queria xingar meu não aparente pai, pelo menos mentalmente, mais receberia outra bronca então me ocupei pensando no como nossa família era peculiar.

Edward estava ali lindamente congelado em seus 17 anos seus traços perfeitos e encantadores só me permitem imaginar o quão fácil fora para minha mãe se apaixonar por ele e minha mãe bem, era simplesmente linda com seu rosto delicado e com seu corpo perfeito é fácil imaginar porque meu pai não a tirava da cabeça também. Difícil era adicionar a isso a historia dos vampiros, da dificuldade do primeiro encontro dos meus pais, para Edward da total devoção de minha mãe por ele (o que era totalmente recíproca), dos perigos que minha mãe correu e que meu pai, estupidamente, achava que era por sua culpa e no fato de que, mesmo humana, minha mãe ter me gerado de um vampiro, o que provocara a sua transformação em um deles, e claro a maior peculiaridade de todas eu mesma, tenho oficialmente 6 anos e 4 meses mais pareço ter em torno de 16 ou 17 anos, ou seja, sou teoricamente uma criança que aparenta ter a mesma idade de seus pais.

Claro eu era criança apenas na idade oficial. Porque minha idade mental já acompanhava o desenvolvimento do meu corpo, o que claro, de novo, era terminantemente ignorado pelos meus amorosos pais que me tratavam como se eu tivesse seis anos.

Além desse fato bizarro eu era totalmente irrelevante perto do resto da minha família: eu não tinha a graça de minha tia Alice, nem a beleza de minha tia Rose muito menos a doçura e a meiguice de minha avó Esme e de minha mãe, alias de minha mãe eu só havia puxado a cor dos olhos e o talento pra acidentes. Não que me machucasse, afinal minhas habilidades vampiricas tinham que servir pra algo certo? Mais era totalmente embaraçoso quando, mesmo as usando, eu aparecia em casa com algum arranhão ou hematoma.

– Hmm você esqueceu de pensar que você é única em múltiplos significados e que é tão linda que chega a doer – revirei meus olhos – Nessie, olhe pra você querida, sua pele branquinha contrastando com seus cabelos que são tão… hm bronze? É perfeito, o seu rosto é tão doce, parece de um anjo, ainda mais com esses cachos descendo até a cintura, seu cabelo ficou lindo assim comprido e, bom, Bella diz que você é minha cara, então apenas aceite, você é realmente linda.

– Deus! Edward está se gabando? Ok, o céu vai cair!! – gargalhei com Rosalie enquanto ela batia nos ombros de Edward.

– Mas, tia ele esta se gabando por mim então não conta, lembra? – ela fez uma cara como se considerasse o que eu havia falado.

– Não. Não estava se gabando o mundo vai acabar!!

– Pare com isso Rose, e Nessie, termine logo seu café ou vai chagar atrasada e você ainda deve passar na casa de Charlie, seu carro estará lá esperando.

Droga, ele tinha que lembrar do maldito colégio.

– Tia!! – fiz uma cara, mais triste possível, enquanto meu pai saia pelos fundos, mas, ela logo levantou seus braços como se não pudesse fazer nada – traidora – resmunguei com raiva. Ela me abraç remexi como para demonstrar que ainda estava chateada mas, não durou muito ,afinal, era tia Rose, minha segunda mãe.

– Desculpe meu anjo, mais nisso eu não posso me meter. Meu passe de tia não me permite tanto ok?

– Como não pode fazer nada? – gritei – você é ou não é minha segunda mãe? – ahh não, eu conhecia esse olhar .. Rose olhava pra mim como se eu fosse algo tão lindo que chegasse a doer. Era adoração? E claro, se ela pudesse chorar estaria fazendo isso agora.

– Sabe Edward tem razão quando diz que você é uma garota muito má, essas suas chantagens emocionais são tão injustas – encostei minha mão no rosto de modelo da minha tia passando pra ela todas as lembranças, e que isso não era uma chantagem, pelo menos não muito.

– Também te amo, meu anjo – eu detestava essa forma que ela me chamava mais não pude me impedir de agarrá-la pelo pescoço e abraçá-la bem forte.

– Vou começar a ter ciúmes de vocês – minha mãe dizia entrando na cozinha também. Não me dei o trabalho de responder, apenas abri meus braços a chamando para que se juntasse ao nosso abraço, e foi o que ela fez – Nossa menininha indo pra escola é tão rápido – rolei meus olhos,ninguém me via como adulta nessa casa?

– É um abraço em grupo?Eu também quero – gargalhamos as três ao dar espaço pra uma saltitante Alice se juntar ao abraço também – Qual é o motivo do gesto afetivo?

-Nessie, Alice, cresceu tão rápido e já esta indo pra escola.

– Contra sua própria vontade, diga-se de passagem – cortei Rose que me olhou de uma forma divertida, ao contrario de minha mãe que parecia brava de novo.

– Renesmee Cullen, não comece com isso de novo.

– É Renesmee Swan, Mamãe – soltei secamente antes de beijá-la nas bochechas fazer o mesmo com minhas tias e correr em direção a casa de Charlie para pegar meu carro. Chegando lá entrei pela janela dos fundos e sai pela porta da frente como se morasse ali e então encontrei meu pai encostado no volvo que um dia fora seu, me encarando com um pouco de tristeza nos olhos de topázio.

– Pare de ver isso como um martírio. – resmungou ele.

– Me deixe ver Jake – rebati. Seu maxilar endureceu e seus lábios formaram uma linha reta.

– Tudo sempre acaba nele não é? – ri dessa parte – “Não, tudo acaba nas confusões que você e minha mãe a da semana passada quando nos acharam dormindo jumtos” Não repeti isso em voz alta, ele já tinha ouvido mesmo.

– Claro pai, eu quero ver ele sem o senhor de vigia.

– Não é vigia Nessie, isso é cuidar de você. – ele estava se irritando.. como se isso fosse novidade quando o assunto era Jake.

– Cuidar de mim? De jake? Não seja absurdo!! – desdenhei, me encaminhando pra abrir o Volvo, ele me parou.

– Ele não é o mais santo dos seres sabe? Principalmente em relação a você. – ele dizia contraindo sua face de mármore como se as lembranças doessem fisicamente. Eu corei.

– Ora, pai você conhece a minha mente e eu não sou uma das mais santas também. – murmurei tendo a certeza que meu rosto estava como um pimentão agora. Afinal, até ele mesmo me repreendia pelas reações que eu tinha a presença de Jake.

– Você é só uma menina.

– Você é só um menino pai … ele é só um menino.

– É diferente..

– Pai já faz 8 dias que eu não vejo ele direito… Por favor? – ele me olhava com tristeza de novo como se não tivesse forças pra negar, não mais – Pai, ele é a minha Bella – Sussurrei, deixando escapar uma lágrima de um dos meus olhos. Suspiramos os dois pesadamente. Depois disso senti seus lábios frios beijando o topo da minha cabeça.

– Isso não é bom – ele disse sério – é grande demais filha.. mas .. ok seja boazinha mesmo assim, por favor? E agora vá, antes que se atrase – lhe dei um beijo no rosto antes de entrar no carro e acelerar rumo à escola.

E lá estava eu, entediadamente, começando na Forks High School. Peguei minha mochila e sai do meu Volvo agradecendo aos céus que Edward refreou a idéia de Bella de me trazer. O que ela queria destruir todo o disfarce? Os Cullens não viviam mais em Forks, pelo menos não oficialmente, então eu fora matriculada como uma sobrinha órfã de Charlie, e isso me faria ir a casa dele antes e depois da escola pra pensarem que eu morava ali. Charlie gostou da idéia “Não terá mais desculpas Nessie, você terá que me ver às vezes” O largo sorriso de meu avô mostrava o quanto ele me amava e me aceitava, apesar da historia bizarra por trás do meu nascimento.

– Hey Nessie!!! – virei automaticamente quase usando minha velocidade sobre humana no processo.

– Seth!? – gritei das escadas o vendo se aproximar – O que você esta fazendo aqui seu louco?

– Uh!! Também te amo, e como assim? Eu sou um aluno oras – Que? Como assim pergunto eu… Seth, um aluno? Mais isso não fazia sentido.. ele viu a confusão no meu rosto. – Hm o plano era Jake vir se matricular sabe, mais seu pai viu isso na mente dele e o proibiu, ainda mais, porque é meio estranho um cara de 25 anos, que é enorme, diga-se de passagem, fingir que tem 16, certo?

– Então Jake te mandou se matricular? – Ele sorriu seus grandes olhos negros se apertando.

– Bem as ordens do alpha são bem persuasivas entende? E, ok, olhe pra mim Nessie – suas mãos faziam gestos abrangendo todo seu corpo – Eu sou o único que ainda é moleque, quer dizer, todos os outros são gigantes e parecem ter quase uns 30 e eu estou aqui aparentando o que? Ter no maximo uns 18? Isso sem falar na musculatura eu sou uma vergonha.

– Você é tão lindo Seth. Não seja bobo.

– Ah cale a boca! Garota-do-Jake, o maior de nós, e ainda fala isso? Francamente! – Fingi não ter ouvido o “garota-do-Jake”, se eu corasse a respeito disso ele riria de mim até que.. bem até que Jake o mandasse parar.

– Seth – rolei meus olhos – Esta sendo dramático. – ele me envolveu pelos ombros com seus braços quentes.

– Certo, certo, eu paro. Mas ..hm vamos logo ou vamos perder a primeira aula – seu largo sorriso engraçado o quanto Seth se incomodava em ser o “menor” do meus 1 metro e 60 ele ainda era enorme, claro, não tão enorme quanto Jake ou ele tinha uns 3 centímetros mais que o meu pai e era mais musculoso também

Meu pai me irritou ontem, ao se perguntar por que não foi Seth a ter a impressão comigo. Eu o fuzilei com os olhos e ele parou. Seth era meu irmão, por assim dizer, e eu o amava profundamente como se ama a um irmão e, claro, o sentimento era totalmente correspondido. Seth amava minha mãe e meu pai, então o que é tratar uma meia vampira como irmã quando seus melhores amigos são os pais vampiros dela? Parei no meio do corredor

– Vou ter inglês agora..ugh!! Eu odiei meu horário e você?

– Isso é serio? Você realmente vai ficar comigo aqui? – Não pude conter a alegria e o sorriso enorme que vinham com ela ao tomar meu corpo.

– Oh Deus, Tampinha, eu já estou falando dos horários aqui e você ainda está em duvida – Ignorei o infame apelido que ele usou e me atirei em cima dele pra um abraço mais que apertado. Tinha alegria nesse abraço ,mas muito, muito alivio não ficaria sozinha eu teria meu irmão, estava explodindo de felicidade. – Certo vão pensar que somos namorados assim – ele gargalhou. Dei um tapa em seu braço e me afastei com um largo sorriso no meu rosto.

– Obrigada Seth você sabe o quanto eu te amo não? – falei me esticando pra beijar o seu rosto.

Era divertido, Seth não era adepto de demonstrações de afeto, eu costumava gritar quando o abraçava ou o beijava. Eram coisas como: “Ei venha aqui eu não sou a Leah sabe? Eu gosto de beijar meu irmão” ou “A Leah deveria te abraçar mais Seth, é tão bom!”. Claro que as provocações eram dirigidas mais a pulguenta da Leah do que a ele, mas mesmo assim, ainda eram divertidas. Afinal porque ele era tão irritante e petulante comigo? Sim, era só comigo, com meus pais e com os outros ele era o tímido, doce e amoroso Seth, eu tinha que me vingar de alguma forma.

– O que Jake faria se te visse agora, me diz? – recomecei a andar, rolei os olhos de novo enquanto ele me abraçava pelos ombros mais uma vez.

– Ele mataria você!!! – Ri com a expressão de concordância e medo dele – E por Deus, Seth tenha logo uma impressão. Você ‘ta ficando chato – Ele gargalhou .

– Isso é tão engraçado.. o jeito que você fala disso e a sua reação. Eu pensei que você fosse pirar.

– Por que piraria? É tão certo – sussurrei, corando como sempre quando o assunto era Jacob. Agora mais do que nunca,o “meu Jacob”, não que tenha sido ele a me contar a verdade desde que soube por minha mãe há exatos 8 dias atrás, eu tinha apenas visto Jake com a supervisão mais que atenta de meu pai e, bem, com Edward Cullen na sala não dá pra você conversar com o homem de sua vida sobre o seu infinito amor ou ao menos querer conversar, pensar em conversar, e ainda tinha essa questão de ser no mínimo embaraçoso pra não dizer meio, brega?

– Ok, eu vou vomitar – rolei os olhos pra ele de novo. Isso era incrivelmente constante quando eu estava com Seth – Ei, Jake quer ver você!

Eu praticamente desmaiei na entrada da sala de inglês – eu e Seth teríamos essa matéria juntos – meu coração pulou acelerado. Jake queria me ver! O sorriso que estava se formando no meu rosto era totalmente involuntário. Eu não fazia força alguma para que ele aparecesse

– Quando? – praticamente berrei.

– Hoje oras. Ele pediu pra você encontrá-lo no lugar de sempre – Seth fazia inúmeras caretas ao se sentar no fundo da sala ao meu lado – eca, vocês tem essas coisas bregas é?

– Seth, você sabe que se eu não estivesse tão feliz eu te mandaria pro inferno agora não sabe? – meu sorriso só aumentava. Eu veria Jacob e sozinha, sem meu pai por perto ou a família era fabuloso!!!

– Uhhh! Que medo!

Estirei minha língua pra ele. Eu queria aparentar um mínimo de chateação, mas sabendo que veria Jake isso era impossível.

A aula passou rápida e chata. Seth tinha razão, que porcaria de horário era aquele? As pessoas nos encaravam constantemente. Vi varias meninas suspirando ao olhar Seth. Ri com aquilo, menino bobo, e ainda se achava uma vergonha, Seth era absurdo.

Eu estava caminhando para minha aula de Biologia agora, e sem Seth, ele teria espanhol, me assustei um pouco quando senti ser tocada no ombro direito. Dei um pequeno pulo me afastando do toque.

– Hey! Hmm você se assustou? Me desculpe ..eu sou Jenniffer sou nova aqui em e ouvi pelos corredores que você também era ..então, não sei, somos duas meninas de 16 anos, novatas nessa cidade minúscula no fim do mundo talvez pudéssemos ser amigas? Ahh e oi de novo!!!

Uau!! Que metralhadora! E agora? Será que seria realmente bom ter amizades mais humanas como meu avó Carlisle disse? Não que a menina na minha frente tenha me feito pensar na sede por sangue ou algo do tipo, eu era bem controlada nesse aspecto.. mas o que me fazia temer era justamente a melhor coisa da tal amizade com humanos: a inevitável intimidade. Antes de ver Seth e saber que ele estaria aqui comigo, eu tinha estipulado a idéia de fazer uma única amizade seria mais fácil de enganar uma única pessoa e assim eu não me sentiria tão mal, mas claro, a idéia foi totalmente abandonada com a surpresa de Seth e agora olhando pra ela, pros seus grandes e felizes olhos muito azuis,seus cabelos lisos e castanhos que desciam até seus ombros em ondulações, e no seu sorriso que ,de alguma forma misteriosa me trazia uma certa tranqüilidade eu reconsiderei a idéia eu teria sim a minha tão indicada amizade humana!

– Hmm oi, e não me assustei, fique tranqüila – o sorriso no rosto dela aumentou – Bem sou Renesmee Swan e sim sou nova aqui nessa cidade minúscula no fim do mundo. Quanto ao sermos amigas acho que podemos tentar.

Juro que quase gargalhei quando ela deu um gritinho de puro alivio e felicidade e deu alguns pulinhos também, reação que se encaixaria com perfeição em minha tia Alice.

– De onde você veio Renesmee? Alias você tem algum apelido? Pode me chamar de Jenny. Ahh, então eu vim de San Diego, isso é tão frustrante da Califórnia para Washington, humpf!! – enquanto ela tagarelava e fazia descoordenadamente inúmeros gestos com as mãos, fomos andando em frente. Eu podia ver mesmo não tendo o dom de premonições da minha tia, que Jenny seria leagal sorri para esse pensamento – E você é filha do chefe Swan? Meu pai já falou com ele algumas vezes só tem ele de Swan nessa cidade certo? Oh meu Deus isso vai ser legal. Eu estava pirando só de pensar que teria que ser amiga de alguém daqui desta cidade eles nem sabem o que é Lost acredita? – pra isso eu não pude impedir uma alta risada. Entramos na sala de Biologia no mesmo instante e alguns alunos que já estavam ali me encaravam curiosos.

– Oh, eu posso acreditar sim e pode me chamar de Nessie, eu vim da Philadelphia e não, não sou filha de Charlie sou sua sobrinha, e vim para cá porque meus pais faleceram – fiz uma cara de desolada pra que ela acreditasse mais facilmente – Mas estou aliviada também, essa micro cidade realmente me assusta. – o sorriso no rosto dela vacilou um pouco enquanto eu me sentava.

– Sinto muito Nessie – ela disse baixinho me fazendo abaixar o rosto com vergonha por estar mentindo, e de repente ela estava caindo!! Eu ainda não sei como Jenny fez isso, mas de uma forma incrível ela estava caindo com as duas pernas enroscadas na cadeira. A puxei pelo braço antes que seu rosto encontrasse o chão.

– Oww brigada, Nessie. Eu sempre faço esse tipo de coisa – desta vez era ela que corava – e você é forte – seus olhos se abriram bastante constatando isso.

“Droga Nessie sua idiota! Você normalmente não agüentaria uma menina que deve ser uns 5 centímetros mais alta que você”, me xingava mentalmente enquanto o professor começava a aula e Jenny voltava a tagarelar fazendo novamente aqueles gestos descoordenados.

O dia passou calmo, e por incrível que pareça divertido. Ora eu estava com Seth me provocando e levando belas patadas em troca. Ora estava com Jenny e sua insana admiração por Forks ser tão obsoleta quanto o resto do planeta.

– Nessie ouve isso – dizia ela risonha se sentando pra termos a ultima aula do dia, já incrivelmente intima, sim, eu também estava – eu estava falando com uma garota na outra aula e estávamos falando de musica e eu disse.. “Minha banda preferida é a Paramore” sabe o que a individua respondeu?

– Não, Jenny, eu não sei por Deus fale logo! – Sim eu já estava nervosa. Meu encontro com Jacob seria em uma hora eu estava saltitando por dentro.

– O ser virou pra mim e disse “O que é Paramore?”.

– Não!!! – fiz uma cara de espantada pra entrar no jogo dela se bem que eu realmente estava espantada. Era Paramore, oras mais respeito!

– Sim, eu quase enfartei.

– Você matou essa pessoa certo? Ela não merece viver.

– Eu cheguei bem perto – nós duas já estávamos gargalhando – ainda mais quando ela citou Britney Spears como cantora.

– Não isso não. Isso já é demais . Quem é ela Jenny? Me diga e eu vou matá-la agora! O bom gosto tem que ser defendido – me levantei como para dar ênfase à idéia.. mas depois cai numa gargalhada ainda maior quando Jenny levantou-se também e fez como se me barrasse, só que no processo ela quase caiu pela 4ª vez somente hoje. Tentamos nos conter quando uma professora que aparentava ter no mínimo 150 anos, segundo Jenny, pediu silencio pra começar a aula. E com isso me vi nervosa de novo, mordendo o lábio inferior a cada segundo, ansiosa pra ver Jake.

Quando finalmente o sinal tocou, eu sai em disparada deixando uma Jenny mais uma vez desequilibrando-se pra traz. Em poucos instantes eu já estava entrando no meu carro no estacionamento acenando feliz e freneticamente um tchauzinho pra Seth.

Deixei o Volvo na garagem de Charlie entrando pela porta da frente e pulando a janela dos fundos fazendo o processo inverso dessa manha e então corri.

Corri o mais rápido que pude até chegar ao nosso lugar de sempre, não era uma clareira exatamente, era um pequeno gramado entre várias arvores e alguns troncos caídos, íamos sempre ali ao voltarmos de uma caça ou quando estávamos apenas passeando. Esse lugar ficava exatamente entre La Push e as terras de minha família apesar de não haver mais a divisão ou acordo.

Cai graciosamente na ponta dos pés em cima de um dos troncos caídos ali, olhei em volta já com uma ponta de tristeza, onde estava Jake? O cheiro dele me acertou logo em seguida e quando me virei para encará-lo ali tão perto encostado despreocupado em uma das arvores meu coração disparou.

– Lindo! – murmurei me praguejando logo depois. Ele ouviu. Ele me olhava de cima a baixo parecendo considerar o que dizer de minhas roupas ou algo do tipo. Eu estava tão simples, me lembrei zangada, nem ao menos tinha me arrumado. Estava apenas com uma jeans clara, uma blusa vermelho vivo levemente decotada e um casaco grosso preto por cima apesar de minha alta temperatura, eu sentia muito frio o qual sempre acabava quando ele me abraçava me arrepiei com esse pensamento.

– Você também esta linda Ness – seu enorme sorriso me fez suspirar- Droga de Jake como ele fazia isso? Ele estava ali ainda parado vestido em uma jeans velha e com.. Deus a camisa dobrada em seu ombro, ele estava sem ela meu coração acelerou de novo e minhas pernas o acompanharam tremendo que nem loucas “Se controle Nessie” me adverti, mas ele não iria ajudar não é? Ele nunca ajudava. Ele veio caminhando até mim sem abalar o sorriso monstruoso que estampava, seus cabelos muito negros e que desciam até um pouco embaixo de seu queixo, balançavam com o vento frio que soprava eu estava hiperventilando.

– Saudades – foi à única coisa que eu consegui dizer antes de senti-lo me apertar em seus braços O frio foi embora. O vento. O mundo. Só havia eu e Jake como sempre.

– Saudades também – ele murmurou com sua voz rouca e abafada no meu cabelo e ficamos assim abraçados por longos minutos que eu transformaria em horas sem reclamar. Mas ele quebrou o silencio – como você está?

– Bem.. hm não, agora eu estou ótima – ele riu baixo próximo a minha orelha.

– Bom.. eu estou mais do que ótimo agora – tirei meu rosto de seu peito para olhá-lo e ele me encarou e beijou a minha testa, me fazendo fechar os olhos suspirando mais uma vez. – Venha vamos nos sentar ali – Ele me puxou para perto de uma arvore com um enorme tronco. Ele se sentou com as costas contra a arvore me fazendo sentar ao seu lado me puxando pra mais perto dele, deitando minha cabeça em seu peito.

Eu queria conversar, queria por pra fora o quanto eu fiquei feliz por ele ter dormido comigo aquele dia de novo, como antigamente, queria dizer que agora tudo era certo porque eu sabia da impressão, mas as sensações de ficar assim abraçada a Jake não me deixaram falar, só me deixaram me estreitar ainda mais em seus braços inalando o seu cheiro e foi assim que logo eu estava na inconsciência, mais uma vez deixando minha mente me levar pra cena dele entrando debaixo do meu edredom me abraçando como se tivesse medo que eu sumisse.

Acordei de repente, e bufei afinal o sonho estava tão bom e então o senti em volta de mim suas mãos muito quentes me apertando ainda mais em seu peito enquanto dormia. Me afastei um pouco e contemplei sua face tão serena pelo sono e ofeguei. Deus, ele era lindo!! Lentamente eu vi um sorriso se formando em seu rosto ele abriu seus olhos negros me fitando de uma maneira divertida, mas intensa, desviei o olhar suspirando, eu era uma covarde! Ele me estreitou em seu abraço, descansei minha cabeça em seu peito enorme.

– Dormiu bem? – sua voz estava ainda mais rouca por ter acabado de acordar.

– Hum hum – me limitei a apenas afundar ainda mais meu rosto nele. Eu queria aproveitar, já faziam 8 dias que nós não tínhamos esses momentos a sós e se eu contasse os dias que ele tinha ficado longe antes de entrar pela janela do meu quarto aquela noite a quantidade de dias seria maior.

– Ness precisamos ir. Eu pedi que Quil os avisasse que você está comigo então você pode imaginar o estado de Edward.

– Não Jake, por favor, senti tanta, eu sinto tanta… – minhas bochechas esquentarem “Maldita parte humana” gritei pra mim mesma

– Tanta o que Ness? – ele levantava meu queixo com a ponta de seus dedos para me encarar. E então eu estava ofegando de novo, Deus, meu pai tem razão: eu não consigo mais controlar isso. Não consigo mais controlar o que sinto quando penso, falo ou estou próxima deJake como se não pudesse refrear as reações que ele me causava. A sua pele quente na minha fazendo meu estomago girar, o seu hálito contra a pele do meu rosto me fazendo ofegar ou como apenas por ouvir sua voz meu coração acelerava e minhas pernas viravam geléias, o desejo de estar com ele era cada vez mais urgente em mim e graças aos meus hormônios não eram inocentes como antes, suspirei de novo como dizer a ele que eu queria que ele dormisse comigo de novo como antigamente, que estava sentido falta de dormir apoiada em seu enorme peito enquanto ele me apertaria em seus braços quentes. Apertei-me a ele tentando distraí-lo, mas foi em vão – Ness? Tanta o que?

– Por que não dorme mais comigo? – apesar de meu rosto estar queimando mais do que nunca agora eu preferia assim: ser direta. Vi surpresa em seus olhos antes dele soltar uma estrondosa gargalhada.

– Como por que você ainda pergunta? Depois do que aconteceu semana passada?

– Fale sério, Jacob – fiz questão de não usar o apelido dele para lhe mostrar o quão serio o assunto era pra mim – Uma desculpa melhor ok? Meus pais sempre são dramáticos. – cruzei os braços ao me afastar ainda mais dele a risada parou.

– Ness pare com isso – já estávamos de pé quando ele me puxou em seu abraço de novo – e se você não percebeu foi mais que drama. Da ultima vez seus pais pegaram pesado – uma careta de desaprovação seguiram suas palavras.

– Só porque eles me contaram? Grande coisa uma impressão humpf! – Fiz minha melhor cara de desdém e um movimento vago com a mão pra dar ênfase. Ele segurou minha mão no ar e lá estava eu, corando e ofegando de novo ao encará-lo.

– Eu deveria ter dito a você e não seria agora – seus olhos negros e brilhantes queimavam nos meus.

– Por que não diria agora e não fuja da pergunta, por que não dorme mais comigo? – Senti como lagrimas se formando nos meus olhos. O que estava acontecendo comigo? E por que ele não diria agora? O que tem de errado? Qual é o problema?

– Não tem um porquê Ness, só não era o momento – ele se separou de mim e deu algumas voltas balançando as mãos, meu corpo imediatamente reclamou, eu queria que ele me abraçasse de novo – E quanto ao dormir seu pai que me proibiu lembra já faz 1ano.

– Desde quando você obedece o meu pai?

– Desde quando ele esta certo.

– Você concorda com ele? – gritei irritada – Oh, mais mesmo assim pulou minha janela semana passada!

– Eu estava há 11 dias sem ver você senhorita teimosa – ele gritava também – só não agüentei esperar que amanhecesse – sua voz diminuiu drasticamente na ultima frase como se ele estivesse com vergonha? – Desculpe.

– Que merda Jake não me peça desculpa por algo que eu quero!! – seus olhos se arregalaram com isso.

– Ness, por favor, não fale asneiras. – agora ele estava irritado, mais ainda assim eu precisava colocar pra fora. Essa mania de brincarmos de amiguinhos tinha que acabar.

– Porque asneira Jacob? – repeti seu nome de uma forma áspera – Por querer dormir com você? É tem razão realmente sou um asno – me aproximei dele, estaquei ao seu lado direito e encostei minhas bochechas em seu braço – eu só sinto sua falta. Quero ficar perto de você, quero que me abrace – como se ele tremesse levemente com minhas palavras e meu toque e isso me alegrou por pouco tempo, até ele se desvencilhar de mim.

– Ness, por favor, isto não esta em discussão. Eu não vou dormir com você.

– Você não quer? – meus olhos estavam queimando. Mesmo a angustia que eu senti em sua voz não apagava tudo que eu temia que ele não quisesse. Minha companhia? Ficar sozinho comigo? Acordar do meu lado? As lágrimas estavam nascendo de novo.

– Não é isso. Eu não posso. – ele respondeu num murmúrio como se estivesse com vergonha outra vez. Isso me irritou.

– Se você falar que é por causa do meu pai eu juro que te mando pro inferno!!!

– Não é por seu pai, eu não posso por mim mesmo.

– O que? Eu não entendo. – me aproximei dele de novo dessa vez parando em sua frente.

– Eu não posso por mim.. por medo… – sua voz que era um murmúrio morreu e então me aproximei mais dele pegando suas duas enormes mãos nas minhas pequenas.

– Medo do que? – Ele encarava nossas mãos entrelaçadas parecendo considerar se responderia ou não. Depois de alguns segundos que pareceram eternos pra mim e pro meu coração que galopava no meu peito, ele levantou seus brilhantes olhos e me fitou e de novo eu encontrei neles uma certa vergonha. E quando ele respondeu foi tão baixo quanto um sussurro.

– Medo.. do que..eu quero fazer Ness … do que eu… quero fazer… com você

Meus olhos saltaram Jake havia dito.. ele….ele.. um arrepio havia passado por mim. Seus olhos negros ainda queimavam nos meus levando o meu coração a bater mais enlouquecido ainda, me fazendo perder o ar eu não podia perder essa chance, eu tinha que tentar, reune toda minha coragem.

– O que você quer fazer Jacob? – minha voz era apenas um sussurro também. Eu o vi estremecer levemente e se virar deixando minhas mãos. Não, eu não ia deixar essa oportunidade passar. Eu o contornei e subi em um tronco próximo a ele, que me deixou, não mais alta obvio, mas com uma diferença menor o que me ajudou, pois pude alcançar seu queixo com minha mão e levantá-lo – Jake – minha voz ainda estava baixa, mas com muito mais determinação. Eu decidi ignorar as reações de meu corpo a presença dele – por favor, me diga o que você quer fazer …. comigo?

Ele parecia confuso com minha pergunta como se estivesse numa duvida crucial. Seu rosto formava caretas enquanto ele puxava minha mão do seu queixo para seu peito fazendo o mesmo com minha outra mão livre.

– Merda! – ele suspirou e então suas mãos quentes estavam se fechando em torno da minha cintura por dentro do meu casaco, ele me tirou de cima do tronco, e quando meus pés encostaram no chão eu senti sua respiração próxima ao meu ouvido meu coração acelerou mais uma vez com seu hálito quente batendo na curva do meu pescoço, sua voz saiu rouca e provocante? – Repita a pergunta Ness.

– Jake? – murmurei.

– Hum? – ele aspirava meu cheiro passando seu nariz pelo meu pescoço fazendo com que fosse ainda mais difícil continuar.

– O que você quer fazer… comigo?

– Isso – ele respondeu simplesmente levantando seu rosto do meu pescoço para me fitar e depois se inclinar de novo, só que dessa vez em direção aos meus lábios.

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